Descrição de chapéu Obituário Glória Rudge Leite de Paranaguá (1929 - 2019)

Mortes: Ícone carioca, ajudou a trazer a brasilidade à moda

Glorinha Paranaguá foi pioneira ao usar pedaços de bambu envernizados na produção de bolsas

Pedro Diniz
São Paulo

O esforço de valorizar as raízes culturais brasileiras chegou tarde à moda, mais especificamente nos anos 1990.

Até 1970, estar na moda por aqui se resumia a copiar as regras de estilo vendidas por Paris, Londres, Nova York e Milão. 

Algumas pessoas foram decisivas para imbuir na alta sociedade um sentido de beleza vinculado à brasilidade, e uma delas foi Glorinha Paranaguá, morta nesta terça-feira (20), no Rio de Janeiro, ao 89 anos.

Espécie de ícone da zona sul carioca e tachada por muitos anos de “embaixatriz da moda”, ela foi pioneira ao usar pedaços de bambu envernizados na produção de bolsas.

A carteira de bambu, seu primeiro desenho original, até hoje é sinônimo de elegância atemporal.

O estilista Ronaldo Fraga costuma dizer que o Brasil padece de um problema crônico de achar coisa de pobre tudo que é feito por pobres. Faz sentido. Rendas, trançados de palha, costuras e bordados ainda são vistos com reticência pelo brasileiro.

Glorinha Paranaguá e raros colegas de seu segmento são pioneiros mais por abrir os olhos do mundo ao produto brasileiro do que necessariamente pela criação da manufatura, porque parte dela foi gestada por tribos indígenas e outra trazida por escravos africanos.

A designer de bolsas Serpui Marie, por exemplo, leva desde os anos 1980 às vitrines francesas e americanas as técnicas e os materiais usados em cestaria. 

“Reivindicamos a ideia de que o trabalho artesanal não é artesanato de pracinha, que mulheres elegantes podem enxergar a brasilidade e se apropriar dela”, diz Marie. “Glorinha foi uma dessas mulheres.”

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