Prova no meio do ano é atalho para escola de ponta e curso concorrido

Instituições bem avaliadas abrem oportunidades com relação menor de candidato por vaga

A aluna de letras da USP Giovanna Tezzei no campus da universidade  
A aluna de letras da USP Giovanna Tezzei no campus da universidade   - Keiny Andrade/Folhapress
Guilherme Zocchio
São Paulo

Depois de vencer o medo que tinha das disciplinas de exatas, a aluna de letras da USP Giovanna Tezzei, 21, resolveu prestar vestibular de novo, em maio, para pleitear entrar no curso de engenharia.

Tentará uma das 360 vagas na carreira, entre 10.448 inscritos, oferecidas pela Unesp no vestibular do final do primeiro semestre.

Como ela, outros estudantes aproveitam a oportunidade do meio de ano para entrar em escolas de ponta, em exames que geralmente são menos concorridos.

A Unesp está em 7º na classificação geral do RUF (Ranking Universitário Folha), avaliação feita pela Folha das instituições do país.

Giovanna conta que sempre se interessou por engenharia, mas evitou antes porque há poucas mulheres na área —ainda predominam homens, algo que está mudando.

“Desde pequena, meu pai me levava para feiras de carros e eu sempre achava tudo ali muito legal. Por isso, pensei no curso”, diz.

Além de engenharia, carreiras disputadas, em escolas bem avaliadas, abrem vagas no meio do ano com relação menor de candidato por vaga.

É o caso de administração de empresas, oferecida pela Fundação Getulio Vargas (2º melhor do país no RUF), direito, com opções na PUC-SP e no Mackenzie (respectivamente, 4º e 9º no índice), e medicina na PUC-PR (10º).

Outra oportunidade nesta época do ano são as vagas remanescentes disponibilizadas pelo Sisu (Sistema de Seleção Unificada). Quem prestou o Enem no ano passado e não conseguiu entrar na área que desejava pode verificar a lista do meio do ano com as opções disponíveis.

Daniel Perry, coordenador do Curso Anglo, afirma que cerca de 20% dos alunos em fase vestibular prestam os exames de inverno.

“Como a quantidade de candidatos é menor, então, mesmo o vestibular mantendo a qualidade e o nível, é um pouco mais simples para ser aprovado”, afirma Marcelo Dias, coordenador do cursinho Etapa.

O perfil dos estudantes que concorrem a essas vagas difere do habitual. Marcelo diz que o vestibulando de meio de ano é um pouco mais experiente e costuma ter mais certeza do que quer cursar. “É um aluno mais maduro. Às vezes é alguém que já experimentou uma faculdade”, afirma.

O vestibulando Lucca Horto, 19, conta que desde o primeiro ano do ensino médio queria cursar economia. Ele concorrerá a uma das 80 vagas do Insper em ciências econômicas. Dedica para os estudos em média três horas todos os dias da semana, com professores particulares.

Daniel, do Anglo, diz que os candidatos devem ler com atenção o edital dos concursos e fazer exames de anos anteriores para captar o estilo da prova e identificar temas mais recorrentes.

Marcelo, do Etapa, recomenda que, após as provas, os vestibulandos coloquem o nome nas listas de espera e permaneçam atentos a elas.

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