Descrição de chapéu Escolha a Escola

Pais contam como escolheram as escolas de seus filhos

Foco em vestibular, proposta pedagógica e distância de casa são fatores de decisão

Proposta pedagógica, diversidade nas salas de aula e preparação para o vestibular são apenas alguns dos fatores que levam pais e mães a escolherem uma escola para seus filhos. Oito deles contam aqui como fizeram essa opção e quais características dos colégios levaram em consideração.

 

Queremos que nossas filhas aprendam a pensar

Mudamos nossas gêmeas de escola no quarto ano do fundamental porque consideramos mais importante uma educação ampla, que as ensine a ser cidadãs, do que um sistema que privilegia as notas das provas.

Sofia e Greta hoje têm 13 anos e estão na Kindy Escola Americana, um colégio pequeno e bilíngue, no Tatuapé (zona leste de São Paulo).

Antes, as duas frequentavam a mesma escola que a minha filha mais velha, de 22 anos, havia estudado até passar na faculdade.

Elas entraram ali no primeiro ano do fundamental, aos cinco anos, e eram muito imaturas para aquele ambiente. A escola é rígida, dá muita atenção para as provas e o vestibular, e as minhas filhas não se adaptaram, ficavam às vezes desestimuladas em aprender. 

O atual colégio também tem falhas. O ensino de algumas disciplinas não é muito forte. Mas eles se preocupam em fazer o aluno pensar, em mostrar o que acontece no mundo. O fato de a escola ser pequena permite um diálogo bom com os professores e a direção. E as meninas gostam de lá.

Estamos procurando agora um outro colégio para o ensino médio que também se preocupe mais com a formação da pessoa do que com o vestibular. (Rogério Andrade, 50, designer gráfico)

 

Estilo tradicional dá bagagem boa para vestibular

Pedro tem 13 anos e está no oitavo ano do fundamental no Colégio Jardim São Paulo, no Tremembé, na zona norte de São Paulo. 

Decidimos tirá-lo de onde estudava, no quarto ano, e colocá-lo numa escola tradicional. Quando ele for prestar o vestibular, terá uma bagagem boa para entrar em uma faculdade de respeito.

Como moramos na Cantareira, em contato com a natureza, escolhemos uma escola que também tem muito verde. Tive um certo medo de o meu filho ter dificuldades para se adaptar porque antes estava em uma escola construtivista, onde o ensino não era muito rigoroso.

Mas não houve problema. Uma coisa que, ao meu ver, atrapalha é que a escola tem uma unidade que vai até o quinto ano do fundamental, e outra, até o ensino médio. Então, de repente, os alunos deixam de conviver com crianças menores para socializar com as maiores. Para Pedro, foi um choque de realidade, tipo ‘bem-vindo ao mundo adulto’.

Ainda não sabemos se ele vai estudar lá até o final do ensino médio. Pedro quer fazer intercâmbio nos EUA. Mas o que nos deixa contentes com a escolha que fizemos é que o meu filho está aprendendo um conteúdo muito forte. Vai estar bem preparado para o vestibular. (Shirley Rocha, 39, dona de casa)

 

Aqui, as crianças aceitam as diferenças

Tenho dois filhos que estudam no Ofélia Fonseca, em Higienópolis (na região central): o Renzo, que está com dez anos, no quinto ano do fundamental, e a Lorena, com quatro, no G3.

O Renzo está nessa escola desde os cinco anos. Antes, ele ia a uma escolinha que tinha apenas o infantil.
Escolhemos o Ofélia porque eu e meu marido queríamos uma escola construtivista, humanista, com uma educação mais moderna.

Gostamos do ambiente, com muitas árvores, espaço para brincar, quadra, piscina. E é uma instituição agregadora: recebe bem alunos autistas, crianças com necessidades especiais.

A escola é aberta para os pais e para os alunos. A cada 15 dias, eles fazem uma assembleia na sala de aula e discutem com o professor de filosofia os problemas que tiveram entre eles. Essa liberdade faz com que o Renzo se sinta acolhido.

Algumas coisas, porém, são desorganizadas. Às vezes, trocam professores e não dão a devida sequência ao que vinha sendo discutido. Algumas disciplinas, como matemática, ficam aquém do que gostaríamos.

Não procuramos nota no Enem. Queremos uma escola que forneça um raciocínio crítico, que ensine as crianças a aceitar as diferenças. (Karina A. Basso, 44, advogada)

 

Fica bem perto de casa e vai até o ensino médio

A minha filha Lara, 12, está no Ressurreição, no Jabaquara (zona sul de São Paulo), desde o quinto ano do fundamental. Escolhemos a escola porque uma amiga dá aulas ali. Além disso, o colégio tem até o ensino médio e fica bem perto de casa.

No início, a Lara reclamou, achava a escola grande. Ela estudava antes numa bem menor, com menos professores. Mas se adaptou logo. 

O colégio tem um bom suporte de tecnologia, com tablets e projetores. Além disso, os alunos fazem passeios, atividades em museus. 

É uma escola tradicional, com ensino bem puxado. A Lara tem sempre simulados, além das provas regulares. E estuda inglês e espanhol. Ela reclama que tem muitos trabalhos para fazer em casa, mas é uma boa aluna.

Como é uma escola católica, os alunos têm aulas de religião. Eu sou ateia, mas não tenho problema com isso, porque não é algo muito incisivo. Não há regras em relação a roupas e ao cabelo, por exemplo. 

Já minha filha Angelina, de quatro anos, começou a ir para a escola quando tinha dois. Ela estava no mesmo colégio em que estudou a minha filha mais velha, hoje com 19 anos. 

Mudamos ela para uma escola menor, chamada Oh Happy Days, por uma questão financeira. É uma escolinha de bairro para criança pequena, mas tem uma boa estrutura, com biblioteca, brinquedoteca, refeitório. 

No ano que vem queremos colocá-la no Ressurreição, onde ela poderá ficar até terminar o ensino médio. (Mariana Macedo, 40, secretária)

 

Nunca quis uma educação franguinho-de-granja

O que eu nunca quis para os meus três filhos foi uma educação ‘franguinho-de-granja’, formatada. Também não queria uma escola de elite.

Quando pequenas, Flora, 15, e Marina, 13, estudaram no Arraial das Cores (na zona oeste), que não tinha o fundamental 2. Quando precisaram mudar, procuramos uma escola que tivesse amplitude de pensamento. 

Tínhamos boas referências do São Domingos, em Perdizes (também na zona oeste), e gostei da proposta mais aberta, com aulas de filosofia. Hoje, Marina está no oitavo ano, e Flora, no ensino médio. Um trabalho de campo dela, por exemplo, foi no Recôncavo Baiano. Visitaram a casa do músico Roberto Mendes e um centro de candomblé. 

Gosto que não tenha muita lição de casa, acho tarefa uma bobagem. A criança já passa muito tempo na escola, sobra pouco para viver.

Isso não quer dizer que os conteúdos não sejam bons. Não é um perrengue, mas é preciso se dedicar. 

Meu filho Natan, 8, está no ensino fundamental do Equipe, em Higienópolis (região central da capital). Foi mais a mãe dele que escolheu a escola. Ela é professora, entende da área e aceitei a opinião dela. É um colégio aberto, que tem valores menos tradicionais. (Darkon Roque, 59, designer gráfico)

 

Eles promovem valores cristãos sem fazer catequese

Meus filhos estudavam numa escolinha de bairro. Na passagem para o fundamental 2, queria que Gabriel fosse para um colégio maior, em que pudesse ficar até o ensino médio. Hoje ele está no primeiro ano do colegial, e Bia, no sexto. 

Visitei várias escolas. A opção pelo Rainha da Paz, em primeiro lugar, foi pela postura pedagógica humanista. Nossa família é espírita. Embora seja um colégio católico, fundado há 70 anos pelas irmãs dominicanas, eles trabalham valores cristãos como respeito e amor ao próximo, sem catequizar ninguém. Sinto que todas as religiões, ali, são respeitadas.

Se me perguntarem se o ensino é puxado, eu digo que não, caso a preocupação seja o vestibular. Eu valorizo mais os resultados.

Outra coisa que me atraiu na escola foi o espaço físico.

São 19 mil metros, tem bosque, o ensino infantil tem salas envidraçadas no meio do verde. Ali, uma vez por semana, os alunos se reúnem em uma mini assembleia ateniense, é um sistema democrático. 

Em 2017, pensei em mudar o Gabriel para o ensino técnico, para tirá-lo da bolha social, conhecer outras realidades. Mudei de ideia. O Rainha se tornou a família deles. O mundo já está tão difícil, optei por vê-lo feliz. (Patricia Trentin, 47, química)

 

É a mesma formação, seja em Paris ou Istambul

Sou franco-argentina, meu marido é francês, mas nossa escolha pelo Lycée Pasteur vai além do fato de ser um colégio francês. O lado internacional nos atraiu porque são 492 escolas pelo mundo, em 137 países. Nos mudamos bastante em função do trabalho, então, essa correspondência com outros países ajuda, sabendo que nossos filhos terão a mesma educação em Londres, em Paris ou em Istambul.

Nossos quatro filhos estudaram no Lycée paulistano durante dez anos. Depois, de 2007 a 2012 vivemos fora do Brasil. Agora, os meninos estão no sexto, no nono ano e no primeiro colegial. A educação francesa ensina os alunos a raciocinar, a pensar por si mesmos.

As aulas de geografia e história não se baseiam apenas em datas e em fatos, os alunos aprendem a analisar documentos históricos e a tirar suas próprias conclusões. É preciso analisar, formar uma opinião.
Os estudantes também têm iniciativas interessantes, fora do currículo. Por exemplo: eles decidiram abolir o uso de todos os plásticos descartáveis da escola e tiveram a adesão dos professores para isso.

O tempo que os alunos passam na escola é maior: das 7h50 às 16h, fazendo também atividades físicas ou na biblioteca. O currículo tem bastante foco no Brasil, em história e geografia.

São cinco horas de português por semana e 24 horas semanais de aulas em francês. Há passarelas entre as disciplinas, que ligam assuntos variados.

Além do inglês e do francês, a partir do sétimo ano o aluno opta por uma terceira língua: espanhol ou alemão. Então, ele sai fluente em quatro idiomas —a porta para universidades em todo o mundo.

Minha filha mais velha [Anaïs, 19], que agora está estudando administração em Lyon, na França, concluiu o ensino médio aqui e foi bem em todos os testes de línguas.

O colégio proporciona o bac (baccalauréat), certificado francês que abre muitas portas. Em uma parceria com universidades brasileiras como Fundação Getúlio Vargas e Faap, há uma reserva de vagas para o Lycée Pasteur. O aluno que possui o bac não precisa fazer vestibular, basta se inscrever nos cursos nas faculdades. (Maria Coccoli, 46, arquiteta)

 

A pedagogia ligada à tecnologia me atraiu

Nós mudamos de bairro quando Maria Eduarda, 14, estava no Santa Marcelina e a Julia, na escolinha Encontro, ambas em Perdizes (zona oeste de São Paulo). 

O Objetivo fica bem perto do nosso novo endereço, e eu me interessei pela proposta do colégio. Minha psicóloga também me disse que seria uma boa opção, por ter boa aceitação tanto de crianças superdotadas como especiais. Julia é autista e foi bem acolhida. 

Pelo lado da Duda, me atraiu a pedagogia mais moderna, sem abordagem religiosa e mais ligada a tecnologia: as aulas de robótica, o uso de iPad em sala de aula. 

Os grupos de pais são ecléticos, há pessoas de maior e de menor poder aquisitivo.

A escola realiza um teste anual para os alunos e oferece descontos na mensalidade conforme a nota no exame. Logo no primeiro ano, Duda conseguiu 40%. Há alunos que têm 100% de bolsa. 

O ensino é de fato puxado, mas acho a média exigida (nota 6) baixa. E o Objetivo pede menos lição de casa do que o Santa Marcelina. 

Gosto da postura aberta para conversar com os pais sobre qualquer assunto. 

Não existe escola ideal, a questão da inclusão é sempre difícil, por isso acredito que acertei na escolha. Minhas duas filhas estão bem. (Anna C. Cavalheiro, 37, produtora de eventos)

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