Fuvest 2019 foi abrangente e difícil, dizem professores

Docentes do Cursinho Objetivo elogiaram prova; convocação para 2ª fase sai em 10 de dezembro

São Paulo

Os candidatos que buscam uma vaga na USP (Universidade de São Paulo) e fizeram neste domingo (25) a primeira fase do vestibular da Fuvest encontraram uma prova abrangente com relação a temas abordados, e com nível de exigência elevado. Essa foi a avaliação de professores do curso e colégio Objetivo.

A TV Folha recebeu os professores Marcia Aparecida Lopes, Valquiria de Souza Costa e Ricardo Felipe Di Carlo, todos do Cursinho Objetivo. Em uma avaliação geral, a Fuvest 2019 manteve o padrão já considerado clássico: questões bem elaboradas, que perpassam por muitos temas do currículo da educação básica e com nível de dificuldade entre médio e elevado.

Dos 127.786 inscritos no vestibular, 8,3% faltaram à prova deste domingo. Os candidatos enfrentaram 90 questões de múltipla escolha.

"Tem um padrão Fuvest, mas sempre há questões inéditas", diz a professora de química Macia Aparecida Lopes. Segundo ela, o bloco de questões de biológicas e exatas registrou itens interdisciplinares, que pede aos candidatos correlação entre conhecimentos de diferentes disciplinas. "Tanto em química como em física não tinha muita conta para fazer, o aluno tinha que saber conceito", completa.

Alguns temas da atualidade apareceram na prova, como efeito estufa, a política migratória do governo Donald Trump e os desafios de vacinação no Brasil. De acordo com os professores, esse perfil de exame premia alunos bem informados.

O professor de história Ricardo Felipe Di Carlo também ressalta a "belíssima relação interdisciplinar" na área de humanas e pontua a demanda elevada de preparo dos participantes. "Se o aluno não estiver bem preparado sobre relevo, clima, vegetação, leitura de imagens, tabela, teve dificuldades", diz. "Foi uma prova abrangente e grau de exigente muito elevado".

Apesar de considerada difícil, a Fuvest deste ano não pecou, segundo a professora de português Valquiria de Souza Costa, pela quantidade de textos longos.

"Não foi uma prova cansativa, mas muito exigente", diz a professora. "Exigiu leitura das obras recomendadas e um posicionamento crítico dessas obras, não simplesmente cobrança da história, o que já há muito tempo não acontece. [O participante precisava fazer a] associação com o contexto do escritor e o momento literário", completa. 

Os mais bem posicionados nesta primeira fase serão convocados para mais dois dias de prova. A lista é divulgada no dia 10 de dezembro.

Já a segunda fase será aplicada entre os dias 6 e 7 de janeiro. Os estudantes responderão a questões discursivas de língua portuguesa e, pelo menos, duas disciplinas específicas conforme o curso escolhido, além de uma redação.

O vestibular da Fuvest traz uma novidade neste ano. Os candidatos tiveram que escolher o perfil de vaga ao qual concorrem, além da carreira: ampla concorrência (sem exigência de pré-requisito), escola pública (independente da renda) ou escola pública PPI (autodeclarados pretos, pardos e indígenas que, independente da renda, tenha cursado o ensino médio em escola pública).

Os participantes da Fuvest disputam 8.362 vagas distribuídas em 183 cursos de graduação. Outras 2.785 vagas na USP são oferecidas via Sisu (Sistema de Seleção Unificada), do Ministério da Educação. O Sisu agrupa as vagas de instituições públicas que adotam o Enem como forma de ingresso.

Para o ingresso em 2019, a USP reservará 40% de suas vagas, por curso, para estudantes de escola pública, considerando Fuvest e Sisu. Dentro dessa porcentagem, ainda incidem 37,5% de reserva de vagas para PPIs. 

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