Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Indicado para a Educação tem valores familiares e das crianças, afirma Bolsonaro

Ricardo Vélez Rodríguez vai assumir ministério em governo do presidente eleito

Ricardo Vélez Rodríguez, futuro ministro da educação
Ricardo Vélez Rodríguez, futuro ministro da educação - Reprodução/Facebook
Nicola Pamplona
Rio de Janeiro

O presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), disse neste sábado (24) que a nomeação de Ricardo Vélez Rodriguez para o Ministério da Educação atende a “valores familiares e respeito à criança”. Ele negou pressão da bancada evangélica, embora tenha reconhecido que o indicado agrade aos líderes do segmento.

“Pelo que eu sei, [Vélez] não é evangélico. Mas atende aquilo que a bancada evangélica defende, os princípios, valores familiares e respeito à criança”, afirmou Bolsonaro, em entrevista após participar de cerimônia na Brigada de Infantaria Paraquedista, no Rio.

Antes da nomeação de Vélez, as negociações indicavam para a escolha de Mozart Ramos, do Instituto Ayrton Senna, nome que desagradou aos evangélicos. Bolsonaro afirmou que não havia batido o martelo por nenhum nome antes da definição sobre o colombiano naturalizado brasileiro.

“Várias pessoas me procuram, são indicadas, eu converso com todos”, alegou, dizendo que a imprensa “comeu barriga” ao anunciar o nome de Ramos. 

Questionado neste sábado sobre críticas a declarações de Vélez sobre uma educação mais conservadora, Bolsonaro afirmou que “se [educação] plural é ensinar sexo para criancinhas, parabéns ao futuro ministro.

“Escola é lugar de aprender uma profissão e também noções de cidadania e patriotismo, amor à pátria. É isso que nós queremos, e não ficar com essa história de ideologia de gênero ou formando militantes”, afirmou.

Nascido em 1943, Vélez é autor de livros como "A Grande Mentira - Lula e o Patrimonialismo Petista" (Vide Editorial). A sinopse do título diz: "O PT conseguiu potencializar as raízes da violência, que já estavam presentes na formação patrimonialista do nosso Estado e que se reforçaram com o narcotráfico, mediante a disseminação ao longo dos últimos treze anos, de uma perniciosa ideologia que já vinha inspirando a ação política do Partido dos Trabalhadores: a 'revolução cultural gramsciana'".

A escolha de Rodríguez contou com o respaldo do escritor Olavo de Carvalho que, em outubro, publicou nas redes sociais que era o colombiano quem deveria assumir a Educação. Ele também é apoiado pelos filhos políticos do eleito, em especial do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), que acompanhou a conversa.

Mais Médicos

Também neste sábado, Bolsonaro afirmou que o programa Mais Médicos destruiu famílias cubanas. Ele voltou a defender o rompimento com o governo de Cuba e disse que vagas serão preenchidas pelo edital lançado pelo governo Temer.

“O governo Temer está fazendo uma seleção e praticamente já tem o número suficiente [de candidatos às vagas abertas com a saída dos cubanos]”, disse ele.

Ele voltou a criticar o acordo com Cuba, dizendo que “não podemos deixar pessoas no Brasil em regime de semiescravidão, completamente ao arrepio da lei federal”. “Não pode confiscar salários, não pode destruir famílias. Tem muitos cubanos e cubanas que têm família lá em Cuba e já constituíram famílias aqui. Esse projeto destruiu famílias e nós não podemos admitir isso.”

O presidente eleito disse ainda que há casos de médicos que vieram ao Brasil e deixaram seus filhos em Cuba. “Muita mulher cubana está aqui e está há um ano sem ver seu filho”, afirmou.

DEM

Bolsonaro negou que o DEM venha ganhando grande presença em seu governo, mas que estaria gerando críticas dentro do partido do presidente eleito, o PSL. O DEM já tem dois ministros, Tereza Cristina, da Agricultura, e Luiz Henrique Mandetta, da Saúde, além do aliado de primeira hora e futuro chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni.

“O DEM não conseguiu nenhum ministério. Quem indicou a senhora Tereza Cristina, do DEM, foi a bancada ruralista, que tem mais de 200 deputados. Quem indicou o Mandetta, além de outras instituições, foi a bancada da Saúde. Se fosse do PSDB, seis acolhido por mim da mesma forma”, afirmou.

O presidente eleito disse que vem mantendo conversas para fechar o ministério, mas evitar dar um prazo para a conclusão das negociações. E repetiu que o segundo escalão será ocupado pronomes técnicos.
“Não estou lá para fazer festa como em governos anteriores”, disse ele, afirmando que não vai “jogar cargos para o alto”.

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