Descrição de chapéu Pós-graduação

Abordagem prática faz crescer mestrado profissional no país

Matrículas aumentaram 14,8% em 2017, ante 2,2% da versão acadêmica

São Paulo

Os efeitos dos anos de crise esfriaram também os números da educação superior no Brasil, na graduação ou em mestrados e doutorados. 

Matrículas e formaturas passaram a crescer mais devagar em 2016 e 2017. Nesse relativo desânimo, porém, se destacam os cursos de mestrado profissional —voltados para as demandas do mercado de trabalho.

Os mestrados profissionais são também stricto sensu, e estão sujeitos às mesmas normas dos acadêmicos. Seus títulos têm o mesmo valor —não são como as especializações para os graduados em cursos superiores. Mas sua abordagem mais prática pode estar atraindo mais estudantes.

De 2014 a 2016, o número de estudantes matriculados nos mestrados acadêmicos cresceu em média 4,8% ao ano. Já em 2017, aumentou só 2,2%. Nos mestrados profissionais, o crescimento baixou, mas o ritmo é outro: cresciam a 16,4% no triênio 2014-16 e a 14,8% em 2017, último dado do governo disponível.

Os programas acadêmicos ainda são os campeões de matrículas: cerca de 129 mil, ante 38 mil dos cursos ditos “profissionais”. Mas, em 2009, 11% dos mestrandos estavam nos cursos profissionais; em 2017, eram 29%.

O número de mestrados profissionais também aumenta mais rápido. No quadriênio 2013-2017, o crescimento foi de 77%, segundo a Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, fundação ligada ao Ministério da Educação que supervisiona a pós-graduação stricto sensu). 

No caso dos acadêmicos, o crescimento foi de 17%; nos cursos de doutorado, 23%.

O crescimento do mestrado profissional ajudou a manter estável a relação entre a quantidade de mestrandos e de formados no ensino superior. Desde 2013, o total de mestrandos flutua em torno de 13% do total de estudantes que concluíram a faculdade.

Não há estatísticas oficiais ou levantamentos extensivos e comparáveis dos cursos de pós-graduação limitados à especialização (lato sensu). 

Como a flexibilidade tende a ser cada vez mais a norma, dadas as transformações rápidas nas profissões e no mercado de trabalho, será inevitável o crescimento de especializações que complementem a formação da graduação ou mesmo de uma pós convencional (stricto sensu).

Na cúpula de 2017 dos líderes estratégicos da educação pós-graduada (Strategic Leaders Global Summit on Graduate Education, do Council of Graduate Schools e da empresa Educational Testing Service), uma das recomendações principais era “desenvolver mais cursos online e híbridos” a fim de ampliar o acesso à pós-graduação convencional para quem não pode deixar o trabalho.

Os números do avanço dos cursos profissionais parecem ser um indício de uma tendência que aparece mesmo nos programas tradicionais de mestrado: um direcionamento menor para a pesquisa e a carreira universitária (doutorado e docência). 

Porém, há indícios também de que a proliferação de cursos ainda mais dirigidos para o mercado, os de especialização (lato sensu), podem diminuir a vantagem relativa de cursar alguns deles.

Enfim, embora o mestrado acadêmico esteja perdendo parcela das preferências, é preciso notar o avanço do número de pessoas cursando doutorado. 

Desde 2009, a modalidade cresceu 93%, ante 39% dos mestrados acadêmicos e 270% dos profissionais. Eram mais de 112 mil doutorandos no ano de 2017.

Especializações profundas e demoradas também têm apelo, sinalizam competência e disciplina e podem compensar muito.

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