Última etapa da Fuvest tem prova trabalhosa e mais analítica, dizem professores

Candidatos responderam 12 questões de até quatro disciplinas na prova final

São Paulo

Os candidatos que participaram do segundo dia de provas da segunda fase da Fuvest encontraram uma prova trabalhosa e analítica, nesta segunda (7). De acordo com especialistas ouvidos pela Folha, com a redução de três para dois dias de avaliações no vestibular 2019 da USP, a fundação aumentou a exigência na prova do segundo e último dia. 

De acordo com o coordenador pedagógico do curso Objetivo, Daily de Matos, muitos alunos chegaram a reclamar da falta de tempo para resolver toda a prova, o que ele concorda. “Foi uma prova muito inteligente, com imagens e que exigia interpretação. Mas há um consenso entre os professores que em todas as disciplinas o aluno precisava de bastante reflexão antes de responder cada questão, o que demandaria mais tempo”, disse.

Nas provas dos anos anteriores cada uma das questões tinha as opções de resposta A e B. Nesta edição, o aluno tinha ainda que responder o item C. Todas as questões desta fase eram dissertativas. 

"Foi apresentada uma prova inteligentíssima, mas manter o mesmo tempo de execução não adiantou, porque sobrecarrega e massacra o aluno. Faltou calibração. Será que daria tempo de fazer essa prova?", questionou Matos.

Neste último dia, os concorrentes a uma das 8.362 vagas de graduação da USP responderam um total de 12 questões em disciplinas específicas. O número de disciplinas - duas, três ou quatro - variava de acordo com a carreira escolhida. No caso do curso de medicina, por exemplo, foi preciso responder questões de química, física e biologia. 

Para o coordenador do Anglo, Daniel Perry, a novidade de um dia a menos de prova pode ter ajudado com que candidatos não se desgastassem tanto. "Assim, eles puderam se preparar de maneira mais focada nas matérias específicas de sua carreira. Porém, a prova de hoje foi trabalhosa, difícil”, avalia ele. 

Perry avalia que a prova final foi uma "prova clássica, técnica, analítica", que exigia que os candidatos dominassem mais de um conceito para conseguir responder a maior parte das questões. A prova de biologia, diz ele, exigiu habilidade de alta complexidade. 

Célio Tasinafo, diretor pedagógico da Oficina do Estudante, também concorda que a prova foi mais densa. Para ele, as disciplinas de matemática, química, física e história foram as mais difíceis e incluíram temas não muito usuais entre os alunos. Para ele, em alguns casos, o tempo pode ter sido curto.

"Não dá para generalizar, porque tem aluno que não fez a prova de história, por exemplo, que demandava muito tempo. Mas de modo geral a prova tinha muita questão reflexiva e o aluno precisava dar uma volta em todo seu repertório para formular uma resposta", explicou. "Quem se preparou bem teve menos impacto do que aquele que estava com a memória outras provas, como a Unesp."

Para Daily de Matos, "no geral todo mundo percebeu que a Fuvest está querendo um aluno diferenciado, acostumado a pensar em problemas e fazer análises", contou.

Com questões bem contextualizadas, no entanto, em geral, a prova não trouxe muitas surpresas, nas avaliações dos professores. "Ela se manteve exigente, não mudou muito em relação ao ano passado. Aluno que se preparou por provas de anos anteriores tinha boa noção do nível de dificuldade que ia encontrar hoje", afirma Rodrigo Fulgêncio, diretor do Poliedro. 

O professor Augusto Silva, supervisor de ciências humanas do curso Anglo apontou problema no enunciado de uma das questões de geografia. Segundo ele, a pergunta seis apresentava uma tabela onde o aluno deveria apontar o tempo para alguns eventos naturais. No entanto, a opção de resposta para o questionamento sobre vulcões deixa dúvidas.

"A erupção de um vulcão pode acontecer em um dia ou em cem anos, então a opção de resposta da prova é imprecisa e causa confusão, porque tinha todas essas opções para serem assinaladas, mas o aluno deveria apontar apenas um deles, conforme o enunciado", explicou.

Nesta segunda fase, a Fuvest registrou taxa de abstenção de 8,1%, entre 35.371 convocados. Em comparação com 2018, o vestibular deste ano teve 13.581 candidatos a mais. A prova aconteceu simultaneamente em 19 cidades do estado de São Paulo. 

No domingo (6), os concorrentes fizeram prova de português e a redação, que trouxe como tema "A importância do passado para a compreensão do presente". 

A primeira fase de provas aconteceu em novembro do ano passado. Na avaliação de professores ouvidos pela Folha na época, os candidatos encontraram uma “prova clássica”, sem perguntas que poderiam ser consideradas polêmicas. 

A primeira chamada será divulgada no dia 24 de janeiro. As matrículas acontecem a partir do dia 28. 
 

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