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USP lança cátedra patrocinada para treinar professores do ensino básico

Ideia é aproximar pesquisa acadêmica do mundo real

Érica Fraga
São Paulo

Em busca de reduzir a grande distância entre a pesquisa acadêmica e a realidade das salas de aulas no país, a USP (Universidade de São Paulo) lançará nesta quinta-feira (21), com patrocínio de R$ 5 milhões da Fundação Itaú Social, uma cátedra com foco no ensino básico.

“Os professores universitários precisam pensar mais no ensino básico porque não passamos vergonha no exterior com nosso ensino superior, mas estamos passando com o básico”, diz Nílson José Machado, professor da USP e coordenador acadêmico do projeto.

Segundo ele, a ideia é atrair um “mutirão” de professores, pesquisadores e outros profissionais para colaborar com os trabalhos da Cátedra de Educação Básica, que devem se estender por cinco anos.

Abrigado no Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP, o programa terá início neste primeiro semestre de 2019 com três seminários —cada um dividido em quatro palestras—, centrados em temas ligados à atividade docente.

Embora abertas ao público, as apresentações terão como principal público-alvo professores que estejam na ativa.

O ponto de partida dos debates será uma pesquisa concluída em 2018 por um grupo de pesquisadores do IEA sobre a realidade e os desafios da escola brasileira. O estudo menciona logo em sua introdução que uma “porcentagem ínfima” de mestres e doutores formados na pós-graduação em ensino de ciências e matemática da USP está em salas de aulas da escola básica.

“Há dificuldades aparentes, como a falta de professores, que não são verdadeiras. Não faltam alunos de licenciatura. O que falta é gente bem formada querendo dar aula”, diz Machado.

A partir do segundo semestre, o objetivo é agregar às atividades da Cátedra na USP trabalhos de campo. A ideia é visitar escolas com projetos que estejam rendendo bons resultados.

“O conteúdo é muito importante, mas não é meio, é fim. Precisamos entender como esses conteúdos são transmitidos por quem tem conseguido ensinar bem”, afirma o acadêmico.

A ideia é levar essas experiências, então, de volta para a universidade tanto para iluminar novas pesquisas quanto para transmiti-las a outros grupos ligados à educação.

“Nosso primeiro objetivo é unir a teoria à prática da sala de aula”, diz Juliana Yade, especialista em educação do Itaú Social.

 

Ela ressalta que, para aproximar a nova cátedra da experiência das escolas, foram convidadas duas professoras –uma da rede municipal de Manaus e outra da rede estadual de São Paulo– para fazer parte de seu conselho consultivo.

“A universidade, por muito tempo, esteve afastada da escola no Brasil. É preciso acabar com isso”, afirma Juliana. 

Esse é um dos motivos que têm levado ONGs e fundações a buscar parcerias com universidades. “Acho essas associações muito benéficas. A universidade está muito distante dos problemas de implementação das políticas educacionais que as ONGs conhecem bem porque estão próximas das redes por meio de seus projetos”, diz Mirela de Carvalho, gerente de gestão do conhecimento do Instituto Unibanco.

Em meados de 2016, o instituto também passou a patrocinar uma cátedra no Insper, coordenada pelo pesquisador Sérgio Firpo, com foco na qualidade do ensino. “O objetivo é usar o conhecimento para melhorar o que estamos implementando”, diz Mirela.

Segundo ela, as descobertas da cátedra servirão para melhorar, diretamente, o funcionamento do “Jovem de Futuro”, programa do Instituto Unibanco que busca melhorar a gestão escolar no ensino médio por meio de parcerias com redes estaduais. Mas, ressalta Mirella, poderão também iluminar o caminho de outras políticas pensadas no país.

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