Bolsonaro corrige formação de ministro da Educação após anunciá-lo como doutor

Abraham Weintraub é mestre em Administração Financeira pela FGV

São Paulo

Apresentado pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) como "doutor, professor universitário" e com "ampla experiência em gestão e o conhecimento necessário para a pasta", o novo ministro da Educação Abraham Weintraub é, na verdade, mestre em Administração Financeira pela FGV.

O anúncio, assim como o de outros ministros da gestão, foi feito pelo Twitter. Apenas uma hora depois, Bolsonaro fez a correção. 

Em sua carreira profissional, segundo o currículo oficial, o novo titular do MEC foi diretor estatutário do Banco Votorantim, CEO da Votorantim Corretora no Brasil e da Votorantim Securities nos Estados Unidos e na Inglaterra.

Weintraub ocupava o cargo de secretário-executivo da Casa Civil e mantém proximidade com o ministro Onyx Lorenzoni (DEM-RS). Ele é irmão de Arthur Weintraub, que também integra o governo, como assessor-chefe adjunto da Assessoria Especial do Presidente da República.

A aproximação e o apoio dos irmãos Weintraub ao então candidato Jair Bolsonaro rendeu críticas dos centros acadêmicos dos cursos de relações internacionais e economia da Unifesp. Os irmãos passaram a responder processos administrativos por responder as ofensas dos alunos publicadas em páginas no Facebook, segundo a ata da reunião. 

Essa aproximação se deu por conta de Lorenzoni, segundo relatou seu irmão, Arthur, em uma reunião no departamento do curso de Ciências Atuariais da Unifesp, registrada em ata.

Arthur contou que foi convidado para organizar o Seminário Internacional sobre a Reforma da Previdência em 2018 no Congresso Nacional e que, depois disso, foi procurado por deputados e senadores, entre ele Onyx, "dizendo que havia outros deputados interessados em seu trabalho, dentre aqueles, o deputado Jair Bolsonaro", relatou.

A primeira reação, disse, foi negar qualquer aproximação, por "considerar esse deputado com um pensamento radical". "O deputado Onyx sugeriu que ele fosse se informar melhor porque a mídia brasileira distorcia as informações. Dessa maneira, ao melhor se informar, seu irmão Abraham e ele se deram conta que essa conduta radical seria mentira", registra a ata.

A partir daí, os irmãos "começaram a dar apoio científico e não político a esse candidato."

Economista Abraham Weintraub, da Unifesp.Credito Reproduçao

POLÊMICAS DE VÉLEZ

Anunciado no dia 22 de novembro, Vélez Rodriguez foi uma das últimas definições para a Esplanada dos Ministérios.

A publicação no Twitter do então presidente eleito tirou o professor colombiano radicado no Brasil desde a década de 1970 de um considerável anonimato. Até dias antes, o próprio Vélez Rodríguez jamais havia pensado que um dia seria ministro da Educação.

Vélez chegou à equipe de Bolsonaro por indicação do escritor Olavo, guru e ideólogo direitista, patrocinada pelos filhos do presidente. 

Professor de filosofia, identificado com o conservadorismo, antipetismo e a luta contra o marxismo cultural, Vélez fez carreira discreta na própria instituição onde atuou por quase 30 anos, a Universidade Federal de Juiz de Fora. 

Sem ter se dedicado aos debates sobre políticas públicas e educação, montou uma equipe a partir da indicação de vários grupos, o que depois resultou em um mosaico de interesses e disputas.

Vélez se posicionou sobre a demissão durante a noite em uma rede social. Agradeceu ao presidente a oportunidade, disse que confia na sua decisão e desejou a Weintraub "sucesso no cumprimento de sua missão".

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