Em novo ranking, universidade bem classificada é diversa e acolhedora

Há 15 brasileiras na lista da THE, que leva em conta questões de gênero e de igualdade

Alunos de doutorado da Universidade Federal do ABC, uma das classificadas em novo ranking da THE
Alunos de doutorado da Universidade Federal do ABC, uma das classificadas em novo ranking da THE - Lalo de Almeida - 9.jan.15/Folhapress
Sabine Righetti
São Paulo

Avaliações de universidades, em geral, consideram que boas escolas produzem pesquisa científica robusta, recebem alunos internacionais e têm muitas patentes e prêmios. Para uma nova classificação lançada nesta quarta (3), no entanto, instituições de excelência são aquelas que promovem igualdade de gênero e redução de pobreza.

A listagem inédita recebeu o nome de “ranking de impacto das universidades”. Foi lançada pelo THE (Times Higher Education), mesmo grupo britânico que faz uma avaliação anual de instituições de ensino do mundo com indicadores voltados sobretudo à pesquisa científica. 

É uma lista de 462 universidades de 76 países (incluindo o Brasil) que preencheram os dados solicitados pelo THE. No topo estão instituições da Nova Zelândia e do Canadá. É um resultado diferente da avaliação anual "tradicional" do THE, em que predominam escolas de elite do Reino Unido e dos EUA.

A Universidade de Auckland (Nova Zelândia), melhor do mundo em termos de impacto, está no grupo de universidades classificadas entre as posições 201 e 250 no mundo no ranking “tradicional” do THE de 2018.

O Brasil também se dá melhor no novo ranking de impacto. Há 15 brasileiras classificadas no ranking geral. Dessas, três federais (ABC, Ceará e Unifesp) e uma privada, a Uninove, estão entre as 200 melhores do mundo. No ranking tradicional do THE de 2018, o país está entre as 300 melhores do mundo apenas com a USP (que não figura na listagem de impacto).

O novo ranking do THE avalia as universidades a partir de 11 dos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável definidos pela ONU. São ações definidas pelo órgão para erradicar a pobreza, proteger o planeta e promover a paz até 2030.

Entram na conta, por exemplo, aspectos voltados à igualdade de gênero (5º objetivo da lista de 17). Aqui, quantidade de mulheres em cargos de liderança nas universidades faz parte dos cálculos.

A Unifesp, cuja reitora, Soraya Smaili, é mulher —uma raridade no Brasil e fora dele—, está na posição 67ª no mundo especificamente nesse indicador. Quem lidera o quesito é a Universidade Western de Sidney (Austrália).

As universidades australianas também estão à frente no indicador que olha para ações para redução de desigualdade (10º objetivo da ONU). Aqui, a melhor brasileira novamente é a Unifesp (34º lugar no mundo), seguida pela UECE (Estadual do Ceará, 92º lugar).

De acordo com Phil Baty, editor do THE, ganham pontos, por exemplo, universidades com maior quantidade de alunos que fazem parte da primeira geração na sua família a entrar no ensino superior. 

Essa é a primeira vez em que uma avaliação global de universidades considera aspectos voltados ao que, no Brasil, chamamos de extensão universitária. É a ligação da universidade com seu entorno. 

Em outros rankings universitários concorrentes à listagem tradicional do THE, como o ranking de Xangai, o que conta é o mérito. Ganham mais pontos universidades em que ex-alunos e professores têm, por exemplo, prêmios Nobel. Nessa avaliação, a melhor universidade do globo é Harvard (EUA).

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.