Foto apontada como 'balbúrdia' estudantil era performance sobre Holocausto

Imagem é de trabalho do curso de filosofia da UEL que discutia situações de violência extrema

Anita Grando Martins
Florianópolis | UOL

Diversas fotos supostamente de estudantes nus em universidades brasileiras foram espalhadas na internet nas últimas semanas, desde que o ministro da Educação, Abraham Weintraub, afirmou, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, que haveria redução de verbas em instituições que promovessem “balbúrdia”.

Uma dessas imagens mostra uma fila de pessoas totalmente despidas ou vestindo apenas roupas íntimas, ao lado de um prédio que parece ser de uma universidade. O UOL Confere checou de que atividade se tratava e onde foi tirada a fotografia.

O texto da postagem, além de anunciar o corte, diz que "alunos de filosofia e sociologia pelados em campus ou sala de aula motivaram a medida".

Foto apontada como 'balbúrdia' estudantil era performance
Foto apontada como 'balbúrdia' estudantil era performance - Reprodução

Foto de estudantes nus não é registro de 'balbúrdia'

A foto mencionada não registrou uma ocorrência de balbúrdia, como a publicação dá a entender. Trata-se da apresentação de um trabalho de conclusão do curso de filosofia da Universidade Estadual de Londrina (UEL) que discutia situações de violência extrema, em especial o Holocausto nazista, quando judeus foram massacrados pelo regime totalitário alemão na 2ª Guerra.

A informação é do coordenador de comunicação social da instituição, Sergio Henrique Gerelus. Ele também esclareceu que os participantes eram atores convidados para a realização da performance, que durou 25 minutos.

"A performance era composta por cenas que remetiam à condição humana durante o Holocausto, e representavam a retirada da dignidade pela nudez em referência ao momento em que seres humanos chegavam aos campos de concentração e eram obrigados a ficarem nus antes de serem encaminhados aos campos de extermínio. Para o autor, observar as imagens sem compreender o contexto em que foram produzidas fez com que o sentido do trabalho fosse reduzido apenas à presença de pessoas nuas", disse Gerelus.

Nesse caso, a suposição de um corte de verbas motivado pela atividade também não confere, pois a UEL recebe recursos do governo do Estado do Paraná, e não da União.

Após a declaração de Weintraub de que seriam reduzidos os recursos das universidades que fizessem "balbúrdia", o MEC (Ministério da Educação) anunciou que a medida se estenderia a todas as universidades federais. Na última semana, o ministro divulgou uma porcentagem de redução de recursos diferente da que vinha apresentando. Em vez dos 30% anunciados anteriormente, o contingenciamento seria, então, de 3,5%.

A nova conta leva em consideração o orçamento total das universidades federais, que dividem os seus gastos em despesas vinculadas (prioritárias) e despesas discricionárias. Porém, apenas as discricionárias são passíveis de alteração pelo MEC. Especialistas em educação ouvidos pelo UOL argumentam que o cálculo deveria ser feito somente com o valor estimado para as despesas discricionárias e não o orçamento total, o que daria os 30% divulgados em um primeiro momento pelo governo.

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