Descrição de chapéu Previdência

Após reforma da Previdência, governo Bolsonaro troca presidência de fundo da educação

Primo de ex-marqueteiro e ex-ministro de Temer, Rodrigo Sergio Dias também ocupou cargo na gestão Doria, em SP

Paulo Saldaña
Brasília

Um dia após a aprovação da reforma da Previdência na Câmara, o Ministério da Educação do governo Jair Bolsonaro (PSL) anunciou uma troca na presidência do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação).

Assume o cargo Rodrigo Sergio Dias, 35, ex-presidente da Funasa (Fundação Nacional de Saúde) no governo Michel Temer, primo do ex-ministro das Cidades, Alexandre Baldy (PP), e de Elsinho Mouco, marqueteiro de Temer.

Rodrigo Sergio Dias, novo chefe do FNDE, do Ministério da Educação
Rodrigo Sergio Dias, novo chefe do FNDE, do Ministério da Educação - Reprodução

A alteração era esperada havia algumas semanas no âmbito das negociações para a reforma. Carlos Alberto Decotelli, que presidia o órgão, assumirá a Secretaria de Mobilidades Especializadas de Educação (Semesp) na vaga de Bernardo Goytacazes. 

Dias foi ​processado por uma suposta agressão à ex-mulher, que teria ocorrido em 2014, chegou a ser preso, mas foi absolvido em maio deste ano desta denúncia. Advogado de formação, sempre negou o crime. 

No entanto, a decisão da 1ª Vara Criminal do Foro de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, condenou Dias por lesão corporal contra o advogado da ex-mulher. Dias e um tio seu, também condenado, teriam agredido o advogado durante uma briga com a ex-mulher. A sentença prevê três meses de detenção em regime aberto, mas permite recurso em liberdade.

Em 2018, a indicação de seu nome para a Anvisa causou forte reação de servidores da agência por causa dessa denúncia.

Neste ano, Dias compôs a equipe de João Doria (PSDB) no governo do estado de São Paulo. Ele foi diretor administrativo e financeiro da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), onde também ocupou a presidência do conselho de administração.

O FNDE é vinculado ao MEC e responsável pela maioria das ações e programas da educação básica do país, como transferências de recursos para obras, alimentação escolar e compras de livros didáticos.

O órgão é alvo de cobiça no meio político por causa do orçamento, de R$ 55 bilhões neste ano, e pela atuação e influência em praticamente todos os municípios do país. Durante a gestão Temer, correligionários do DEM, mesmo partido do ex-ministro Mendonça Filho, ocupavam cargos estratégicos. Decotelli, ex-professor da FGV, compõe a ala de influência militar dentro do governo Bolsonaro.

Seu nome chegou a ser ventilado como opção para assumir o MEC no lugar de Ricardo Vélez Rodriguez, mas nos últimos meses os boatos sobre sua saída se intensificaram por causa das negociações políticas. Ele assume agora a Secretaria de Mobilidades Especializadas no lugar de Bernardo Goytacazes, que chegou ao MEC pelas mãos de Vélez, de quem foi aluno. 

As nomeações serão publicadas no Diário Oficial da União (DOU), segundo o MEC. A Folha tentou contato com Dias, mas não obteve contato até esta publicação.

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