Descrição de chapéu Escolha a escola

Alunos de colégios paulistanos contam por que gostam de suas escolas

Ensino bilíngue, aulas leves e atividades extracurriculares são razões listadas

Lisandra Matias
São Paulo

Professores divertidos, ensino bilíngue e atividades extracurriculares são algumas das razões listadas por alunos que gostam de suas escolas. Seis jovens descrevem aqui atividades que consideram destaque.

‘As provas me fazem estudar todos os dias’

As duas ou três provas por semana que teria no Colégio Etapa a partir do ensino fundamental 2 a princípio desestimularam o aluno Tiago Sussumu, 17. Hoje no terceiro colegial, ele diz ter mudado de ideia e considera essas avaliações um dos motivos pelos quais aprova sua escola. 

“Os testes preparam o aluno para qualquer tipo de exame no que diz respeito ao nervosismo e à ansiedade. Além disso ajudam a ter disciplina e mostram a necessidade de estudar diariamente. São essenciais para meu desenvolvimento intelectual e um dos motivos pelos quais gosto do meu colégio”, diz Tiago.

Ele também aprova as Olimpíadas de Matemática e de Robótica e os eventos do colégio como um todo, os quais qualifica como “excepcionais”. “Na gincana cultural, por exemplo, há apresentações artísticas. Acho muito importante o colégio promover ações culturais”, afirma.

‘Aprendi a me aceitar e a aceitar os outros’

A estudante Mariana Okada Rodrigues de Oliveira, 17, do 11º ano da Escola Waldorf (equivalente ao segundo ano do ensino médio), gosta de sua escola porque lá, diz, o ser humano está no centro do aprendizado e ela é estimulada a fazer trabalhos manuais.

“Eu adoro a minha escola pelo que ela me proporciona, que vai muito além de matérias para passar em uma boa faculdade. Eu aprendo a me aceitar e a aceitar os outros, que o ser humano é muito mais do que uma máquina e que a inteligência vai além do papel.”

Mariana conta que, além das matérias do currículo oficial, a proposta pedagógica Waldorf tem ênfase nas artes, nas atividades corporais e nos trabalhos manuais, como marcenaria, tricô e jardinagem. Práticas que, para ela, trazem uma outra maneira de ver o mundo, muito mais ampla.

A assistente social Miriam Mayumi Okada, 53, diz estar muito satisfeita com a escola das filhas, que fica na zona sul. Além de Mariana, ela é mãe da Iara, 14. “A pedagogia prioriza a formação de seres humanos livres, conscientes e com plenas condições de atuar no mundo”, diz.

‘Saber inglês vai me ajudar bastante no futuro’

O ensino de matérias regulares em duas línguas é uma das coisas que Érico Miklasevicius Nogueira, 12, elogia no seu colégio. Ele é aluno do sétimo ano do Pueri Domus, escola que se tornou bilíngue em 2018.

“No começo parece difícil aprender tudo em inglês mas, depois, a gente começa a entender de um jeito mais fácil. No futuro, eu acho que isso vai me ajudar bastante, porque poderei viajar e estudar em outro país”, afirma.

Érico também diz gostar das opções de aulas extracurriculares —ele faz futsal. 

“É legal porque temos contato com alunos das outras séries. Podemos conhecer pessoas com quem não falaríamos normalmente.”

Sua mãe, a relações públicas Bárbara Miklasevicius, 44, que também aprova o ensino bilíngue, vê o colégio como transparente. “É uma escola aberta para receber os pais a qualquer momento e que acredita na autonomia dos alunos. Eles não ficam pajeando o tempo livre dos estudantes”, afirma.

‘Eu me divirto com as atividades de matemática’

Um modelo diferente de ensino, no qual as aulas expositivas são substituídas por roteiros de estudos em grupo, seguidos por alunos de séries diferentes, está entre os diferenciais da Escola Municipal Desembargador Amorim Lima, na zona oeste de São Paulo.

“Eu gosto da minha escola porque lá tem roteiros e, em algumas atividades, nós usamos tablets. Também gosto dos amigos e da aula de matemática porque me divirto nela”, diz André Deblire, 8, aluno do terceiro ano do ensino fundamental. 

Os roteiros são orientados por professores e tutores. 

“Isso obriga a criança a correr atrás do conhecimento, o que é importante para ela desenvolver a autonomia e ser protagonista do seu aprendizado”, afirma o administrador de empresas Eric Deblire, 40, pai do André, que faz capoeira, violino e teatro na escola. 

Deblire conta que a escola estimula a participação das famílias, que se também organizam em grupos ou comissões. “Essa convivência intensa não é um mar de rosas, às vezes gera conflitos, mas ensina a trabalhar em equipe e a lidar com diferenças”, diz.

Professores tornam aulas conteudistas engraçadas

A estudante Paula Zeitoun Miranda, 15, considera a qualidade de seus professores e sua capacidade de transformar uma aula pesada em algo divertido um dos pontos positivos de sua escola, o Colégio Agostiniano Mendel, no Tatuapé, zona leste de São Paulo.

“Eu estudo no Mendel desde os meus três anos. O colégio é, sem dúvida, difícil, conteudista e exige determinação, foco e esforço. Mas os professores conseguem deixar isso um pouco mais leve, porque ensinam com gosto e dão aulas muito interessantes e divertidas. De algumas delas, eu e minhas amigas até saímos com sensação de felicidade”, conta ela, aluna do primeiro ano do ensino médio.

Outra vantagem do Mendel, segundo Paula, é o acolhimento. Os orientadores se preocupam com o bem-estar dos alunos, ela afirma. “Muita gente vai desabafar na sala deles, e eles sempre estão de braços abertos para ajudar”, diz.

A escola, de padres católicos, oferece ensino religioso, mas, diz Paula, há respeito pelos que não têm essa fé.

“Nunca senti que as aulas fossem focadas no catolicismo. É lógico que existem grupos para as pessoas católicas, e eles foram minha base para muita coisa, me ajudaram a enfrentar problemas, foram o meu refúgio e conforto”, afirma a aluna. 

Jogos educativos e estudo de campo facilitam aprendizagem

Aluna do sexto ano da Projeto Vida, em Santana (zona norte de São Paulo), Isabella Puccetti Belineto está satisfeita com o jeito que a escola ensina: por meio de jogos e estudos de campo. 

“Eu amo a minha escola. Lá, encontro meus amigos e acho divertido o jeito com que aprendemos”, diz. 

As estratégicas lúdicas de ensino do colégio incluem um “stop” de verbos e o “pim-pam-pum” dos números, em que se fala “pim” para os números primos, “pam” para os compostos e “pum” para múltiplos de dois.

Isabella também conta que gostou do trabalho de campo feito no Petar (Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira), no começo do ano, quando visitou cavernas.

“Foi um estudo que misturou diversas disciplinas, como história, geografia e ciências. Estando lá é fácil para entender melhor as coisas”.

Também lhe agrada discutir o que aprova e o que não aprova no ambiente escolar durante assembleias mensais e as aulas de Projeto de Vida, na qual aprende coisas para além da grade curricular, como a identificar qual conteúdo online é confiável. 

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