Enem fala de caldo de feijão, Tinder e adota estilo mais próximo do da Fuvest

Prova cobrou mais conteúdo e teve questões menos interpretativas

São Paulo

O segundo dia de provas do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), com questões das áreas de exatas e ciências da natureza, teve questão sobre caldo de feijão, Tinder e um estilo mais próximo da Fuvest. 

"Foi uma prova mais conteudista, com pouca interpretação. Na direção de uma Fuvest", afirma o professor de física do sistema de ensino COC, Bernardo Copello Alves. 

Para ele, o grande desafio foi a questão do tempo. "Foi uma prova trabalhosa, para se equacionar 90 questões em cinco horas", disse. 

Ele afirmou que houve questões que não vinham sendo cobradas nos últimos anos, como na área de calorimetria. "Neste ano, houve três questões". 

A professora de biologia Brunna Coelho Henrique, do COC, concorda com o estilo mais parecido com a Fuvest. Para ela, chamou a atenção uma questão muito puxada a respeito de genética, sobre a lei de Mendel.

"Tiveram questões padrão Fuvest: sobre membrana, respiração aeróbia e essa de genética", disse. 

Nesta área, uma das questões o caso de uma cozinheira que salgou demais o caldo de feijão e usou as batatas para resolver o problema. A pergunta era sobre qual o tipo de processo que se dava e a resposta certa era osmose.

Em matemática, uma questão que citava o Tinder pedia que o aluno calculasse a probabilidade de match de acordo com a localização da pessoa. 

Nesta área, o Enem teve menos cara de Fuvest e seguiu sua linha tradicional.  "Uma prova que em muitos momentos não exigia um conteúdo específico do aluno. Às vezes analisando um gráfico ou com raciocínio lógico ele conseguia resolver várias questões",  afirmou o professor de matemática Moisés Rodrigues da Silva, do Cursinho da Poli. 

"Acho que o aluno que se preparou usando como referência os anos anteriores se deu muito bem, porque não teve muita mudança ou nenhuma mudança drástica", completou Moisés. 

Portões fecham 13h para segundo dia de prova do Enem
Portões fecham 13h para segundo dia de prova do Enem - Ricardo Hiar/Folhapress

Às 15h33 deste domingo (10), os primeiros alunos começaram a deixar o prédio da Universidade Nove de Julho, na Barra Funda, um dos tradicionais pontos de aplicação da prova em São Paulo.

Para Victor Hugo Souza, 17, o exame “foi relativamente fácil”. Está é a primeira vez que ele realiza a prova e disse não ter tido grandes surpresas. “Foi tranquilo, achei matemática bem fácil. A de química estava um pouco mais complicada”, afirmou.

Para Clarice Nolasco Brito, 22, que cursa direito e pretende conseguir algum desconto com o resultado do exame, estava um pouco difícil, mas dentro do que esperava. “Foi terceira vez que fiz a prova, mas a última tinha sido em 2016. Acho que com as mudanças para esse novo modelo a prova ficou mais cansativa.”

Caio Pereira, 18, conta que foi um dos primeiros a concluir a prova. Ele diz que estava preparado e por isso achou o exame bem fácil. “Foi a segunda vez que fiz a prova e não mudou nada, caíram as mesmas coisas de sempre, afirmou.

No primeiro dia de prova, os candidatos responderam questões de linguagens, códigos e suas tecnologias e ciências humanas. A primeira edição do Enem sob o governo Jair Bolsonaro (PSL) foi também a primeira em dez anos que não trouxe nenhuma questão relativa à ditadura militar (1964-1985).

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