Provas da 2ª fase da Unicamp exigiram senso crítico, dizem professores

Índice de abstenção, de 10,9%, foi o menor desde 2012; exame ocorreu neste domingo e segunda

São Paulo

A segunda fase do vestibular da Unicamp 2020 terminou nesta segunda-feira (13), com a prova de matemática, as questões interdisciplinares de ciências humanas e da natureza, além da prova específica relacionada ao curso escolhido.

Para a professora Vera Antunes, coordenadora do curso e colégio Objetivo, a prova de história foi bastante difícil, porque fugiu do padrão normal do ensino médio.

"Exigiu do aluno um pensar crítico e sabedoria para correlacionar fatos da história. Uma questão sobre o Holocausto exige formação crítica, maturidade, conhecimento. Não é comum no dia a dia do aluno que vem do ensino médio", avalia.

Geografia trouxe uma questão sobre relevo e outras mais modernas, como uma sobre a importância dos minérios raros do Congo, que são usados na alta tecnologia. 

 

Em química, os enunciados foram longos, mas a Unicamp manteve a tradição em colocar perguntas sobre química ambiental e da atualidade, como sobre as manchas de petróleo em mares brasileiros.

Outro destaque, a prova de matemática foi clássica, com questões claras e sem grandes cálculos. 

Na opinião do professor Edmilson Motta, coordenador-geral do Grupo Etapa, houve diferença entre as questões comuns e específicas.

"As comuns trazem as características da Unicamp antiga, tudo igual para todo mundo. É o que a gente via há dez anos", afirma Motta.

Ele também destacou a prova de matemática, que neste foi concentrada em geometria e áreas correlatas.

"Houve provas difíceis, com equilíbrio entre a parte de interpretação de gráfico, tabela e mapa, e de conhecimentos específicos. O que a Unicamp tinha prometido fazer e fez foi unir filosofia com história  —a prova de história trouxe uma pergunta clássica de filosofia— e sociologia associada à geografia, com questão sobre movimentos sociais", explica Motta.

No total, 12.106 candidatos fizeram o exame e o índice de abstenção, de 10,9%, foi o menor desde 2012.

Em 2019, a abstenção registrada no segundo dia da segunda fase foi de 13,6%. Este ano, dos 13.589 aprovados para a segunda fase, 1.483 estudantes não compareceram.

De acordo com o diretor da Comvest (Comissão Permanente para os Vestibulares da Unicamp), José Alves de Freitas Neto, uma das explicações para o baixo índice de ausentes pode ser a redução da segunda fase do vestibular de três para dois dias. 

A segunda fase do vestibular da Unicamp ocorreu nos dias 12 e 13 de janeiro em 22 cidades brasileiras.

As provas de habilidades específicas, para os cursos de Arquitetura e Urbanismo, Artes Cênicas, Artes Visuais e Dança serão realizadas em Campinas entre os dias 20 e 24 de janeiro de 2020.

A primeira lista de aprovados será divulgada no dia 10 de fevereiro, para matrícula eletrônica no dia seguinte. Estão previstas até dez chamadas.

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