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Escolas particulares de SP aprovam liberação de atividades presenciais em setembro

Contrário à medida, sindicato dos professores aciona o Ministério Público para impedir a reabertura das escolas

São Paulo

Entidades que representam escolas particulares de São Paulo aprovaram a liberação de parte das atividades letivas presenciais em setembro em regiões que estiverem na fase amarela de reabertura. O anúncio foi feito pelo governador João Doria (PSDB) nesta sexta (7).

A retomada das aulas presenciais foi adiada para 7 de outubro no estado. No entanto, as escolas podem optar por retomar parte das atividades a partir de 8 de setembro para um percentual reduzido de estudantes.

Segundo Rossieli Soares, secretário de Educação do estado, a ideia é permitir que as escolas façam reforços, recuperações, acolhimento, plantão de dúvidas, atividades esportivas e em laboratórios.

Eliomar Pereira, presidente do Semeei (Sindicato das Escolas de Educação Infantil), disse que a liberação vai dar “um respiro” para as unidades que atendem essa etapa, já que poderão encontrar alternativas de atender as famílias. “Elas podem trabalhar em horário reduzido ou com um número menor de crianças. É o que sempre pedimos e estamos preparados para fazer”, disse.

A medida anunciada nesta sexta prevê que as atividades pedagógicas presenciais devam respeitar a proporção reduzida de atendimento dos alunos. Para a educação infantil (dos 0 aos 5 anos) e anos iniciais do ensino fundamental (1º ao 5º ano), as escolas poderão atender até 35% dos estudantes. No anos finais (do 6º ao 9º ano) e ensino médio, 20%.

“Avalio que essa proporção atende às famílias que precisaram voltar a trabalhar e não têm com quem deixar seus filhos”, disse o representante do Semeei. Com a liberação, as escolas podem abrir para receber as crianças em atividades no parquinho, por exemplo. Medida que algumas já estudavam ou tinham adotado mesmo sem a liberação.

O Sieeesp (Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino de São Paulo) também afirmou que a medida atende ao que defendia para a volta às aulas. “De forma gradual e regionalizada, onde o número de casos está menor”, disse Benjamin Ribeiro, presidente da entidade.

A possibilidade de que as escolas optem por retomar parte das atividades presenciais em um mês preocupa os professores. Eles temem que os colégios obriguem as equipes a retornar ainda que não se sintam seguras. Para o Sinpro (sindicato dos professores de escolas particulares), a categoria fica vulnerável à decisão dos donos de escolas.

O CPP (Centro do Professorado Paulista), sindicato de professores da rede estadual, protocolou uma representação no Ministério Público para impedir que as aulas presenciais sejam retomadas. “Não há como evitar aglomerações nas unidades escolares, seja no momento da chegada ou dentro de seus muros, o que coloca em risco alunos, professores e servidores da educação”, diz a entidade.

Para Erastos Fortes, professor aposentado da Faculdade de Educação da UnB e ex-conselheiro do CNE (Conselho Nacional de Educação), a medida é precipitada e não garante a segurança necessária para a retomada das atividades presenciais.

“O governador sinaliza que não há condições seguras de abrir todas as escolas, mas repassa a responsabilidade às escolas ao liberar que elas decidam pela retomada das atividades”, disse.

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