É verdade que o ensino médio apresentou melhor resultado em 15 anos do Ideb

Texto que viralizou nas redes sociais traz informações corretas sobre o índice

São Paulo

São verdadeiras as informações de um texto do site Jornal da Cidade Online que diz que a avaliação do ensino médio teve no primeiro ano do governo de Jair Bolsonaro (sem partido) o maior salto desde 2005. A notícia, verificada pelo Comprova, usa os dados do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) de 2019, que apresentou uma nota de 4,2, em uma escala de 0 a 10.

O índice é divulgado a cada dois anos. O resultado de 2019 foi maior que o de 2017 (3,8), mas o número ficou abaixo da meta prevista pelo governo, que era de 5. O resultado segue uma tendência do ensino médio brasileiro, que não bateu a meta nos últimos quatro resultados do Ideb.

O Ideb faz parte do PDE (Plano de Desenvolvimento da Educação) e calcula a qualidade do ensino com base nos dados do Censo Escolar e médias de desempenho nas avaliações do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), como a Prova Brasil. Os índices consideram os anos iniciais do Ensino Fundamental (do 1º ao 5º ano), anos finais (6º ao 9º ano) e ensino médio.

Milton Ribeiro, ministro da Educação, de terno, aparece no centro da imagem, a partir do ombro, gesticulando com a mão esquerda
Milton Ribeiro, ministro da Educação, durante a apresentação dos resultados do Ideb - Pedro Ladeira/Folhapress

Sinaeb

O impacto do resultado do Ideb esbarra em limitações. O índice não mede ítens importantes como infraestrutura das escolas, formação e valorização dos profissionais da educação e gestão escolar. Para contemplar esses aspectos, especialistas defendem a implementação do Sinaeb (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica), previsto na lei 13.005/2014.

“Celebrar um avanço tão pequeno em uma avaliação tão limitada é, no mínimo, insensato. Ainda que tenha havido uma melhora, esse dado vale para um período pré-pandemia. Vivemos em uma realidade em que as políticas de continuidade das atividades escolares de forma remota excluíram e discriminaram uma grande parcela dos estudantes. Esses resultados do Ideb 2019 já não têm valor. Houve uma quebra de continuidade no processo do desenvolvimento da educação que está sendo ignorada”, afirma Ana Helena Rodrigues, assessora de políticas educacionais da Campanha Nacional pelo Direito à Educação.

Verificação

A terceira fase do Comprova visa verificar postagens suspeitas que tenham viralizado nas redes sociais sobre a pandemia da Covid-19 e de políticas públicas do governo federal.

Apesar da melhora, o Brasil tem tido dificuldade para atingir as metas recentes do Ideb para o ensino médio. Esta verificação foi sugerida por leitores do Comprova. A postagem do Jornal da Cidade Online teve 25 mil curtidas e mais de 1 mil comentários no Facebook até o fechamento deste texto.

Comprovado, para o Comprova, é o fato verdadeiro ou o conteúdo original publicado sem edição.

A investigação desse conteúdo foi feita por UOL e Estadão e publicada na segunda-feira (21) pelo Projeto Comprova, coalizão que reúne 28 veículos na checagem de conteúdos sobre coronavírus e políticas públicas. Foi verificada por Folha, Jornal do Commercio, Nexo, Correio, A Gazeta, Poder360, Diário do Nordeste, GZH e SBT.

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