Descrição de chapéu Escolha a escola

Instituições de ensino se preparam para reabertura com a ajuda de hospitais

Protocolo inclui intervalo alternado, carteira com divisória de acrílico e medição de temperatura na entrada

Luciana Alvarez
São Paulo

Ainda sem data certa para voltar a receber alunos, muitas escolas de São Paulo têm passado por transformações em sua estrutura física e preparado novas rotinas para minimizar o risco de contágio pelo coronavírus.

Embora as medidas variem um pouco de uma instituição para outra, há regras gerais, calcadas no tripé máscara, higiene e distanciamento.

No colégio pós-pandemia, todos terão a temperatura medida antes de entrar no espaço —quem apresentar febre nem entra. Haverá dispositivos com álcool em gel pelos corredores e portas de prédios. Dentro das salas, as carteiras serão espaçadas ou terão divisórias de acrílico.

Com horários de intervalo intercalados, as turmas não terão contato umas com as outras. A ideia é criar "bolhas", assim, caso algum estudante apresente sintomas, fica mais fácil isolar e monitorar os que estão em risco.

Nos pátios dos colégios, brinquedos de uso coletivo vão permanecer fechados.

Nas bibliotecas, livros precisarão passar por uma quarentena antes de serem emprestados novamente.

Até a forma de se alimentar dentro da escola terá que mudar, com as cantinas proibidas de oferecer refeições em sistema de self-service.

Estabelecimentos particulares de São Paulo têm buscado parcerias com hospitais para implementar protocolos sanitários eficientes.

"Chegaram a oferecer à escola um portal que prometia esterilizar as pessoas —e muitas outras coisas sem comprovação científica", afirma Julia Contier Fares, coordenadora pedagógica administrativa no colégio Pentágono.

"Um colégio ter algo assim pode ser até perigoso, porque dá uma falsa sensação de segurança e faz as pessoas se descuidarem do que é realmente necessário", diz ela. O Pentágono tem parceria com o hospital Albert Einstein.

Para passar tranquilidade, as instituições estão reforçando a comunicação com as famílias, fazendo reuniões online e enviando vídeos.

"Eu li todos os comunicados da escola, vi os vídeos, mas também fui lá conferir", diz Adriana Schmid, 46, consultora imobiliária e mãe de Marina, 10, aluna do colégio Santa Maria. "Vi que alargaram uma passarela, mudaram os bebedouros... Senti que está tudo sendo feito com cuidado", afirma.

A mãe reconhece que o ambiente não é à prova da doença, mas imagina que vai mandar a filha para as aulas assim que possível. "A Marina está sentindo falta da socialização. Eles conversam online, mas não é igual."

Experiências de volta às aulas no exterior têm tido resultados díspares. Em países como Holanda, Dinamarca, Bélgica e Finlândia, as aulas voltaram entre abril e maio com turmas reduzidas ou com os estudantes em "bolhas" —e não houve problemas.

Mas, em Israel, onde as aulas retornaram no início de maio, um colégio de ensino médio teve um foco de propagação de Covid-19 com 153 alunos e 25 profissionais infectados.

Na Alemanha, um mês depois da volta às aulas presenciais, a proporção de infectados com menos de 19 anos saltou de 10% para 20% da população do país.

No Brasil, a rede estadual de Manaus reabriu as escolas e, 20 dias depois, registrava 342 professores infectados. Não há registro sobre o número de estudantes com o vírus.

Por mais rigorosos que sejam os protocolos de reabertura de uma escola, ninguém é capaz de garantir segurança plena contra a Covid-19, diz a diretora de desenvolvimento de projetos do hospital Albert Einstein, Anarita Buffe.

"Não existe nenhum lugar do mundo 100% seguro. O que os pais têm de levar em conta é o compromisso da escola em criar o ambiente mais seguro possível", diz.

"Estamos nos preparando com o que é necessário para a prevenção, ou seja, produtos e equipamentos. Mas nossa ênfase será, além disso, na educação para o autocuidado. Assim, mesmo fora do ambiente escolar, o aluno saberá como proceder", afirma Wagner Borja, diretor da escola Nossa Senhora das Graças, o Gracinha.

Para a infectologista Anna Sara Levin, professora da divisão de moléstias infecciosas do Hospital das Clínicas, tapete sanitário, medição de temperatura na entrada e troca de máscaras a cada três horas são "bobagens".

O que realmente funciona, segundo ela, é o distanciamento, ambientes arejados e higiene frequente das mãos.

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