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Progressão não será automática para quem não entregou atividades, diz secretário de Educação de SP

Até 20% dos alunos da rede estadual não entregou nenhuma atividade letiva durante a pandemia

São Paulo

Com menos de três meses para o fim do ano letivo, uma das principais preocupações na rede de ensino de São Paulo são os cerca de 20% de alunos que não fizeram ou não entregaram nenhuma atividade durante todo o período de suspensão das aulas presenciais.

Rossieli Soares, secretário de educação, diz que nenhum aluno será reprovado neste ano pelo desempenho escolar, ou seja, por não ter aprendido o esperado. No entanto, afirma que aqueles que optaram por não fazer nenhuma atividade poderão repetir de ano.

“A retenção será uma exceção. Será a opção para quem não entregou nada, não entrou em contato com a escola. Claro que existem situações excepcionais de alunos em uma comunidade quilombola ou na zona rural, que serão analisados”, diz.

Rossieli Soares, secretário de educação do Estado de São Paulo
Rossieli Soares, secretário de educação do Estado de São Paulo - Governo do Estado de São Paulo

Com a maior rede pública de ensino do país, São Paulo tem cerca de 3,5 milhões de alunos, o que significa que até 700 mil podem não ter feito nenhuma atividade escolar —seja pelos meios digitais ou pelo material impresso distribuído pelo governo estadual— desde o início da quarentena, em março.

O secretário diz que o governo lança ainda neste ano um programa de busca dos alunos que não fizeram nenhuma atividade para entender o motivo de não terem acompanhado e evitar que abandonem a escola no próximo ano. “É nítido que, se não houver um grande esforço, vamos perder alunos", diz.

Poderá haver a reprovação de alunos neste ano?

Primeiro, é importante que esteja claro como funciona a reprovação em São Paulo. A educação está dividida em ciclos com a possibilidade de retenção por desempenho em três séries. No entanto, se não houver a frequência mínima exigida por lei, o aluno pode ser reprovado em qualquer ano.

A situação que temos hoje é a de alunos que assistiram todas as aulas e entregaram atividades seja por papel ou com uso de tecnologia. A escola enxergou a presença deles, mesmo que tenha notado desempenho abaixo do esperado. Esse estudante não será reprovado, em qualquer ano escolar em que esteja.

Temos também alunos que não fizeram nenhuma atividade, escrita ou online. Temos casos de estudantes que até comunicaram não ter interesse em fazer as aulas e, por isso, não acompanhavam. O que vamos ter é uma retenção para esses casos, será a exceção.

Vamos buscar um equilíbrio, identificar quem não entregou nenhuma atividade porque não tinha condições e ajudá-los a ter acesso às atividades, se for o caso. Precisamos diferenciar os casos de alunos que podem ter tido dificuldade por morar em uma comunidade quilombola ou na zona rural dos que deliberadamente optaram por não fazer.

A progressão não será automática para quem não entregou nenhuma atividade. Cada caso será analisado, vamos encontrar um equilíbrio.

O aluno que deixou de fazer as atividades, ainda que tivesse condição de acesso, não faz parte de um grupo com alto risco de abandonar a escola?

Sim, mas o fato de eu aprová-lo não quer dizer que eu vá evitar essa evasão. Por isso, cada caso deverá ser avaliado. Situação por situação. Aluno por aluno.

Temos visto que muitos alunos deixaram de entregar as atividades nos últimos meses por acreditar que já estão aprovados.

Quantos alunos da rede estadual não participaram de nenhuma atividade desde a suspensão das aulas presenciais?

Em torno de 15% a 20% dos alunos, depende muito da etapa. Esse número também pode mudar porque ainda estamos no período de digitação das notas. Então, pode ser que o aluno tenha entregue alguma atividade e a gente ainda não sabe porque a nota ainda não foi lançada no sistema.

Também permitimos que o estudante possa entregar as atividades depois, mesmo que o bimestre já tenha encerrado. A nota vai aparecer de forma retroativa. Mas ele precisa entregar as atividades.

A secretaria determinou um número mínimo de atividades para contabilizar a frequência do aluno?

O número de atividades é diferente para cada componente curricular, para cada disciplina. Estabelecer esse mínimo é um desafio muito grande.

Nós temos um parâmetro que são os materiais impressos, enviados pela secretaria para todas as escolas. Consideramos que esse é o conteúdo mínimo. Vamos publicar uma portaria nos próximos dias com uma orientação sobre isso.

As escolas têm, como sempre tiveram, autonomia para essa avaliação. O que vamos fazer é apenas orientar melhor quanto a isso.

A secretaria planeja criar algum programa ou ação para captar esses alunos que não fizeram nenhuma atividade?

Estamos trabalhando e vamos lançar o maior programa de busca ativa da história de São Paulo, com a reformulação de uma série de políticas. Teremos acompanhamento individualizado por aluno, distribuição de equipamento. Em breve, vamos dar mais detalhes. É nítido que, se não houver um grande esforço, vamos perder alunos.

Haverá recuperação ou atividades letivas em janeiro?

Vamos ter recuperação em janeiro. Para os alunos do 3º ano do ensino médio, a nossa ideia é seguir com o cronograma do ano letivo até 30 de dezembro. Em janeiro, vamos oferecer, de forma opcional, atividades presenciais e não obrigatórias para ajudá-los na preparação para os vestibulares. Teremos a contratação de professores específicos, simulados das provas.

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