Descrição de chapéu Vestibular 2021

Na reta final, cursinhos passam a fazer simulados e aulas presenciais

Atividades têm limite no número de alunos e observação de protocolos sanitários

Lisandra Matias
São Paulo

Num ano atípico devido à pandemia, os cursinhos pré-vestibulares tiveram que se adaptar ao mundo digital e realizar mudanças para ajustar seus serviços à nova realidade.

Além da adoção de aulas síncronas (ao vivo) e assíncronas (gravadas), atividades como plantão de dúvidas, simulados e orientação pedagógica migraram para o modelo online.

Desde outubro, contudo, alguns pré-vestibulares da cidade de São Paulo começaram a oferecer algumas dessas atividades também presencialmente, com limite no número de alunos e observação de protocolos sanitários.

Para lidar com a dose ainda maior de ansiedade e estresse trazida pelo período de isolamento, muitos introduziram ou intensificaram ações relacionadas a cuidados psicológicos e bem-estar emocional dos alunos.

Devido ao adiamento das datas de realização do Enem e dos principais vestibulares, eles adaptaram seus calendários e prolongaram as revisões, que vão se estender até fevereiro de 2021, resultando em mais tempo de preparação para os estudantes. Vários deles também estão oferecendo novidades, como lives interdisciplinares, oficinas e cursos extras.

No Anglo, em São Paulo, que vai se manter no formato digital, a revisão vai de 23 de novembro a 26 de fevereiro, completando 16 semanas no total, considerando os períodos já realizados entre julho e outubro. “Será a mais longa da história do cursinho. Normalmente, são oito semanas”, diz Daniel Perry, diretor do Anglo Vestibulares.

Entre as novidades, ele destaca as oficinas que vão trabalhar exercícios de alta complexidade (que exigem inferências, análises textuais mais sofisticadas e capacidade de estabelecer relações entre conteúdos), o treinamento com questões dissertativas e os cursos extras de sociologia, filosofia e obras literárias da Fuvest e Unicamp.

Também serão oferecidas oficinas digitais sobre a síndrome de burnout —decorrente de situações de grande tensão e desgaste emocional— conduzidas por psicólogas. “Neste ano, o pico de ansiedade está muito maior do que o normal no segundo semestre”, afirma Perry. “O aluno não pode ser prejudicado por questões psicológicas. Esse tipo de ação é fundamental para ele conseguir fazer a prova e ter o desempenho que merece.”

O Etapa passou a oferecer simulado presencial em São Paulo. “Foi uma logística danada para seguir todas as normas sanitárias, como distribuir os alunos nas salas de modo a respeitar as regras de distanciamento social, ter o sistema de ventilação adequado e observar protocolos para ir ao banheiro e entregar a prova”, diz Marcelo Fonseca, coordenador-geral do Curso Etapa.

De acordo com ele, os alunos continuam com a opção de realizar o simulado virtualmente. Para o presencial, há um limite de vagas, que está coincidindo com a procura —cerca de 20% a 30% dos alunos, dependendo da prova.

“Como o aluno aprendeu, se foi a distância ou presencialmente, não vai fazer diferença. Mas o ato da prova, estar num local diferente com outras pessoas, sentindo a pressão psicológica, isso faz uma grande diferença.”

Isabelle Gonçalves Motta, 21, aluna do Etapa, vai prestar Medicina e realizou, em 31 de outubro, seu primeiro simulado presencial desde o início da pandemia. Durante a quarentena, ela conta que fez todos os simulados online que o cursinho ofereceu.

“As provas vão ser presenciais. Se eu continuar só fazendo em casa e deixar para ir presencialmente apenas na hora do vestibular, eu acho que pode ser um ponto a mais para me deixar ansiosa e desestabilizada”.

Segundo ela, a obrigatoriedade do uso da máscara durante a prova é outra questão que precisa ser levada em conta. “Em casa, por exemplo, não coloquei máscara. Mas é bom se acostumar com isso também.”

Outro pré-vestibular que vai começar a ter atividades presenciais é o Cursinho da Poli. A partir de 9 de novembro, os estudantes poderão se inscrever para tirar dúvidas, assistir aulas interdisciplinares e conversar com a orientação com foco na diminuição da ansiedade.

“Sempre demos grande importância para a orientação pedagógica e psicológica, que ganha ainda mais relevância nesse momento. Além do formato presencial, os alunos têm a opção de conversar no modo online e ainda acessar dicas e podcasts”, conta Gilberto Alvarez, diretor do Cursinho da Poli.

Aluna da unidade Santo Amaro do Cursinho da Poli, Laura Ferreira da Silva Mateus, 19, teve problemas emocionais durante a preparação para prestar letras na USP e Unesp. “Precisei parar em vários momentos para me cuidar. Com a ajuda da família, dos amigos e do cursinho, consegui melhorar e voltar a me concentrar.”

O Poliedro fez parceria com o Hospital das Clínicas para nortear o retorno presencial. O primeiro passo foi abrir salas de estudo e oferecer orientação e simulados in loco. As aulas regulares, com revezamento e regras de distribuição dos alunos, ocorrem desde 19 de outubro nas unidades de São José dos Campos e Campinas. Em São Paulo, elas têm início em 16 de novembro. Mas também seguem online para os alunos que assim preferirem.

"Eu me adaptei bem ao formato remoto. Estudo sozinho no meu quarto e tento simular ao máximo o ambiente do cursinho e manter o foco na aula. Também ganhei umas horas a mais de sono e descanso por não ter que me deslocar", conta David Nusbaum, 18, aluno do Poliedro Vila Mariana, que se prepara para prestar medicina.

O Poliedro também tem realizado lives, inclusive de orientação para os pais, e encontros interdisciplinares que misturam, por exemplo, filosofia e redação, e abordam temas como pandemias no mundo e o SUS. “Ultrapassamos um pouco o que cai no vestibular, mas são conteúdos para criar motivação e interesse. São formas de descontrair, mas ainda com ação pedagógica”, diz Márcio Guedes, coordenador do Curso Poliedro.

Fonseca, do Etapa, observa que, ao mesmo tempo em que os estudantes ganharam um tempo maior para treinar e se preparar, a ansiedade e o cansaço também vão se prolongar. “O aluno diz que estava preparado para uma corrida de 1.000 metros, mas agora são 1.500. O que ele faz?”

Ele orienta ir com calma, manter a rotina de estudos, mas também os momentos de lazer e relaxamento. “Equilíbrio é a palavra-chave.”

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