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A importância da educação midiática para a segurança digital

Uso consciente e responsável das redes deve ser incentivado desde cedo

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Patricia Blanco

Presidente-executiva do Instituto Palavra Aberta

São Paulo

Na semana passada foi comemorada a 12ª edição do Dia Mundial da Internet Segura (SID, Safer Internet Day), data instituída para debater ações que elevem a segurança dos usuários na rede mundial de computadores. Foram realizados diversos eventos liderados pela SaferNet Brasil, em que parceiros de todas as áreas puderam contribuir para este importante debate.

Praticamente onipresente no nosso cotidiano, o uso da internet se apresenta em todas as esferas da nossa vida, do entretenimento à educação, de fonte de pesquisa a novas formas de construção coletiva de soluções para os mais diversos problemas. Se já vivíamos uma certa dependência, a chegada da pandemia intensificou ainda mais a necessidade de nos mantermos conectados.

À medida que passamos mais tempo à frente de uma tela, mais expostos estamos a atividades online que desafiam a saúde mental, a segurança e a integridade dos usuários. O aumento no número de denúncias atendidas em 2020 não só confirma essa tendência, como preocupa.

Hacker opera computador na China - NICOLAS ASFOURI/AFP

Essa hiperconectividade traz desafios que precisam ser enfrentados para além de discussões rasas que culpem um ou outro agente desse sistema. É necessário um debate amplo e feito de forma holística para auxiliar na melhoria do ambiente digital, principalmente em temas relacionados a crianças e adolescentes, visando prepará-los e protegê-los no mundo online.

A busca por soluções efetivas passa por envolver todos os elos da cadeia, de formuladores de políticas públicas, estudiosos, representantes de empresas, reguladores, membros da sociedade civil até pais e responsáveis, incluindo inclusive os próprios usuários, como os jovens. Para este público, vale citar as ações do “Cidadão Digital”, programa criado pela SaferNet para a formação e mobilização de jovens com o objetivo de promover a segurança e a educação digital e midiática. Em 2020, a iniciativa impactou cerca de 97 mil jovens, formando embaixadores em todo o Brasil.

É preciso também encarar que a digitalização das nossas vidas veio para ficar e formar, desde os primeiros anos, cidadãos aptos a participar plenamente do mundo conectado, aproveitando todas as oportunidades que este ambiente oferece, passa a ser uma necessidade urgente. É neste sentido que entra a educação midiática, conjunto de habilidades que permite acessar, analisar, criar e participar de maneira crítica do ambiente informacional e midiático em todos os seus formatos.

Ao desenvolver essas habilidades, crianças e jovens aprendem a analisar e compreender os riscos e oportunidades do ambiente digital, passando inclusive a desenvolver competências básicas para acessar e interagir com conteúdos acessados em qualquer dispositivo. Por meio desse conhecimento, o jovem passa também a participar de forma mais efetiva da sociedade, com ética, responsabilidade e, principalmente, com segurança. Como diz o especialista italiano Paolo Celot, “ser educado midiaticamente não é mais uma vantagem competitiva, mas sim uma desvantagem debilitante não ser”.

O desafio imposto é grande, mas as soluções estão postas. O que precisamos agora é unir esforços para que elas cheguem ao maior número possível de pessoas — crianças, adolescentes e adultos, tendo como objetivo a ideia colocada por Demi Getschko, diretor-presidente do NIC.br e considerado o pai da internet no Brasil, de manter, neste processo de melhoria do ambiente digital, o apoio a conceitos básicos da internet, reforçando o papel da formação de usuários mais conscientes.

Vale ressaltar uma fala dele durante a abertura do seminário do último Dia Mundial da Internet Segura: “Queremos manter a liberdade, abrangência e transparência do que acontece, na medida do possível, na internet para que a gente crie um público responsável. Acho mais importante a gente batalhar para termos um público responsável do que tentar simplesmente tutelar as pessoas. Os riscos vão continuar acontecendo, o que a gente espera é um amadurecimento das pessoas na internet para que elas saibam se defender dessas situações”, afirmou.

Em suma, a responsabilidade é de todos nós. Se cada um fizer a sua parte, agindo com consciência e ética nas redes, da mesma forma com que age fora delas, certamente teremos uma internet —e uma sociedade— melhor.

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