Cursos de especialização crescem na pandemia com novos temas e formatos

Modalidade atrai alunos pela comodidade do ensino online, com possibilidade de interação em aulas ao vivo

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São Paulo

Na contramão das más notícias que a pandemia trouxe ao ensino superior, um setor apresentou crescimento: o das especializações.

Incentivadas pela maior oferta de cursos a distância, mas com aulas ao vivo, elas atraíram um novo público com mais autonomia e menos tempo para estudar.

Com isso, registraram um crescimento de 9,5% do segundo trimestre de 2019 para o de 2020, de 1,2 milhão para 1,3 milhão de alunos, segundo dados da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio) analisados pelo Semesp, entidade representativa de mantenedoras do ensino superior.

Aluno na biblioteca da FGV em 2018, antes da suspensão das aulas presenciais
Aluno na biblioteca da FGV em 2018, antes da suspensão das aulas presenciais - Bruno Santos - 24.set.2018/Folhapress

O avanço, que já vinha ocorrendo em anos anteriores, contrastou com o enxugamento das graduações, que sentiram com força o baque da pandemia.

Pesquisa da entidade mostrou queda de 20% das matrículas dos cursos de graduação presenciais e de 9% nos a distância no segundo semestre de 2020, em relação ao mesmo período de 2019. A estimativa é que, ao longo do ano, a perda de matrículas tenha sido de 10%.

Na pós-graduação lato sensu, como são conhecidas no meio acadêmico as especializações, a realidade é outra. O crescimento foi impulsionado pelo novo modelo de ensino remoto que surgiu na pandemia, diz Rodrigo Capelato, diretor executivo do Semesp.

O novo desenho, diferente do EAD (ensino a distância) tradicional, consiste em aulas ao vivo, com interação na sala de aula, e não apenas em conteúdos que o aluno segue sozinho de casa.

“O estudante de pós-graduação quer fazer networking, conhecer outros colegas, estabelecer relacionamento com professores do mercado. Isso não tinha tanto apelo no formato assíncrono [de aulas gravadas e atividades que o aluno pode fazer em qualquer horário]”, afirma.

Outros fatores que ele aponta como favoráveis ao segmento são a comodidade de estudar em casa e a própria crise econômica, que é incentivo para os profissionais que buscam se qualificar e buscar novas posições no mercado.

Com tradição na área, a FGV (Fundação Getúlio Vargas) registrou um aumento de matrículas de 155% nos MBAs online e de 97% nas demais especializações entre 2019 e 2020.

Diante do sucesso de público e da falta de perspectiva de saída da pandemia, a instituição já treina professores para um modelo híbrido de cursos quando a volta presencial for possível. Nesse desenho, parte da turma estará fisicamente na sala de aula e parte irá assistir à aula, que estará sendo gravada, da própria casa.

“A gente acredita que a chave não vai virar de uma vez só para o presencial. Em alguns lugares, vamos voltar antes, em outros, ainda vai ser preciso distanciamento. Haverá ainda alunos que fazem parte de grupos de risco. Precisamos de um modelo que atenda a todos”, diz Mary Murashima, diretora de Gestão Acadêmica do Instituto de Desenvolvimento Educacional da FGV.

O formato de EAD tradicional também segue com o seu apelo.

Aos 26 anos, Caique Pereira de Almeida ingressou no segundo semestre do ano passado no MBA de logísitica e supply chain (cadeia de suprimentos).

A oferta a distância no seu caso, foi decisiva. Morador da Barra da Tijuca, ele trabalha tanto no centro do Rio como em Itaguaí, o que significa deslocar-se pela cidade em trajetos de mais de uma hora. “Ter a possibilidade de adaptar o curso à minha rotina foi fundamental”, afirma.

Além do formato, a pandemia também renovou o leque de cursos de pós para atrair candidatos que buscavam se especializar em áreas que ganharam força no "novo normal".

A ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), por exemplo, abriu cursos sobre vendas online e a nova realidade do varejo, impulsionada pela procura dos alunos em meio à pandemia.

Do primeiro semestre para o segundo, as matrículas em especializações na escola cresceram mais de 50%. E, neste ano, o crescimento já é de 33% mesmo a um mês do final do período de inscrições, diz Tatsuo Iwata, diretor da pós da ESPM.

“As pessoas passaram a lidar melhor com as plataformas tecnológicas, e um grupo que talvez não pensasse no EAD como possibilidade ficou mais aberto a isso”, diz.

Uma das alunas que se interessou pelas novas temáticas foi Suelen Gomes, 38, que entrou no curso de curta duração de reinvenção digital. Ela pretende aplicar os conhecimentos adquiridos no seu trabalho na distribuidora de produtos farmacêuticos da família.

A oferta do curso na modalidade online foi fundamental para ela, que mora em São Luís. “Tenho uma filha pequena e passo o dia todo fora, estudando. Agora consigo estudar e ficar perto dela ao mesmo tempo.”

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