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Patricia Blanco

Ataque à urna eletrônica tem como foco deslegitimar instituições

Desinformação é base para ataques e pode gerar outras dúvidas sobre processo eleitoral

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Patricia Blanco

Presidente-executiva do Instituto Palavra Aberta

Ainda nem entramos em ano de eleições e a difusão de desinformação sobre o processo eleitoral brasileiro, principalmente em torno da confiabilidade da urna eletrônica, já corre solta pelas redes.

No ano em que completa 25 anos sem qualquer registro de fraudes, a urna eletrônica tem sido objeto de violentos ataques coordenados. A investida sustenta-se no uso da desinformação em massa como método de desconstrução da credibilidade do sistema eletrônico de votação brasileiro, reconhecido internacionalmente.

Não é de hoje que a desinformação tem servido de base para a construção de diversas narrativas e teorias conspiratórias que podem fragilizar a democracia. E, nesse cenário, a educação midiática torna-se ainda mais urgente para que, desde cedo, crianças e jovens sejam preparados para navegar por tantos conteúdos que chegam diariamente até nós.

Ao contrário do que se vê nas redes sociais, o sistema eletrônico de votação no Brasil oferece, desde 1996, segurança e velocidade ao processo eleitoral. Mais do que isso: as urnas eletrônicas deram fim a um período no qual havia, de fato, o registro de fraudes e uma quantidade enorme de votos inválidos.

Por não estarem conectadas à internet, as urnas estão protegidas de eventuais ataques de hackers. São submetidas a testes rigorosos antes, durante e depois dos pleitos e também podem ser auditadas a qualquer momento.

Mesmo assim, a credibilidade das urnas vem sendo atacada por uma infinidade de conteúdos falsos espalhados em redes sociais e aplicativos de mensagens. O que é mais grave nessa tentativa de desconstrução é a naturalização das retóricas embasadas em inverdades.

Os autores das falsidades criam narrativas falaciosas a partir de premissas erradas, que invertem os valores e, com textos bem elaborados, causam dúvidas até em leitores atentos. Com forte carga de emoção e construídas a partir de um núcleo verdadeiro, essas narrativas provocam interpretações equivocadas, que dificultam o trabalho de verificação e a desconstrução da mensagem enganosa.

Além disso, a desinformação em torno do processo eleitoral conta com a deficiência da sociedade brasileira em distinguir fatos de opiniões. Sem contar que, ao questionar de forma tão veemente e irresponsável, abrem várias frentes de assédio que colocam em risco o sistema eleitoral como um todo e, com isso, a própria democracia brasileira.

Nesse cenário, em que os rumores ganham ares de verdade, acompanhamos o aumento da polarização radical do debate público e o avanço da disseminação de discurso de ódio, além do enfraquecimento da credibilidade de instituições como o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Como alertou o Prof. Diogo Rais, especialista em direito eleitoral do Mackenzie, em entrevista recente: “À primeira vista, pode parecer que é um ataque a um procedimento (urna eletrônica), mas, na verdade, é um ataque a uma instituição”.

Em reação aos inúmeros ataques que vem sofrendo, o TSE decidiu lançar neste mês de maio uma campanha de esclarecimento à população sobre a segurança e confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro. As peças publicitárias, segundo a Agência Brasil, detalham o funcionamento das urnas eletrônicas, os mecanismos de segurança do processo eleitoral e as medidas que são tomadas para auditar a votação.

A campanha é bem-vinda e muito válida, mas é preciso que a sociedade faça mais, tanto para combater a desinformação quanto para proteger um dos principais direitos do eleitor: o voto secreto e livre. Nessa tarefa, é preciso avançar na implementação de programas de educação midiática, de análise crítica da informação, na identificação e diferenciação entre fa tos e opiniões.

É preciso preparar o eleitor para que ele possa identificar conteúdos enganosos e, com isso, esteja protegido na hora de exercer a maior expressão da democracia, que é o voto.

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