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Prefeitura de SP realiza prova com tablet nas escolas para medir estrago da pandemia

Alunos do 2º ao 9º ano farão os testes de forma online, mas em sala de aula

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São Paulo

A Prefeitura de São Paulo aplicará provas a matriculados do 2º ao 9º ano a fim de obter um diagnóstico do aprendizado após quase dois anos em que as escolas permaneceram fechadas ou em esquema de rodízio de alunos presencialmente. As avaliações serão agendadas por cada unidade de ensino entre 29 de novembro e 17 de dezembro e deverão ser feitas nos tablets distribuídos aos estudantes, em sala de aula.

Os exames fazem parte das chamadas Provinha e Prova São Paulo, aplicadas no município desde 2007, com interrupções entre 2013 e 2016 e a suspensão em 2020, devido à Covid-19. Neste ano, as provas serão 100% digital pela primeira vez e terão o papel de mensurar as perdas de aprendizado ocasionadas pela pandemia.

Primeiro dia de aulas presenciais em escola municipal na Vila Clementino, em São Paulo - Rivaldo Gomes - 15.fev.2021/Folhapress

No mês passado, uma auditoria do Tribunal de Contas do Município (TCM) apontou que a Prefeitura de São Paulo ainda não havia realizado nenhuma ação eficiente para diagnosticar o prejuízo causado pelo fechamento prolongado das escolas, o que seria necessário especialmente para planejar a recuperação.

O esquema de rodízio de estudantes da prefeitura paulistana só foi encerrado em 25 de outubro, e a presença nas escolas ainda não é obrigatória, apesar de o governo do estado de São Paulo ter determinado a obrigatoriedade para a sua rede de ensino desde o dia 18 de outubro.

No final de 2020, uma prova diagnóstica foi aplicada. Mas, ainda que a Secretaria Municipal de Educação tenha informado que a média de acertos foi em torno de 60%, o resultado não deve ser considerado um retrato da realidade, pois as provas foram feitas também a distância, o que facilita a "cola", e por apenas 42,9% dos estudantes.

Desta vez, serão contabilizadas apenas as provas de quem estiver com o nome na lista de chamada presencial, e a prefeitura espera que todos os cerca de 380 mil estudantes dessas séries realizem as avaliações. Se algum tablet apresentar defeito, a escola deve, de acordo com a prefeitura, oferecer um computador para que o aluno faça as provas. As redações, na avaliação de produção de texto, serão as únicas produzidas em papel.

Haverá provas de língua portuguesa e de matemática para todos os anos. A partir do 3º, entram também ciências naturais. Do 4º em diante, haverá, além dessas, a de produção de texto e serão ainda incluídas ciências humanas (história e geografia), que não faziam parte da Prova SP anteriormente. A Provinha, para o 2º e o 3º, concentra-se em avaliar o nível de alfabetização, um dos mais prejudicados pela pandemia.

A formulação e a aplicação das provas estão sob responsabilidade da Secretaria Municipal de Educação, por meio da plataforma Sistema Educacional de Registro e Aprendizagem (SERAp). Serão organizadas em 13 modelos diferentes, a fim de inviabilizar a "cola". Língua portuguesa, matemática e ciências naturais terão 32 questões cada uma, e ciências humanas, 22. Será aplicada uma avaliação por dia.

Segundo o secretário de educação, Fernando Padula, o fato de a prova ser digital irá "facilitar a consolidação dos dados e agilizar as estratégias para a recuperação". Com as avaliações, afirma o secretário, será possível ter "dados reais sobre o cenário atual" e "mensurar de forma mais fidedigna o impacto da pandemia na aprendizagem".

Será aplicado também um questionário para avaliar os prejuízos socioeconômicos da pandemia para alunos, seus familiares, além de professores e gestores das escolas. Essa parte poderá ser respondida em casa, nos tablets ou em computadores. A necessidade de se analisar de que maneira a comunidade escolar foi afetada pela Covid-19 havia sido ressaltada pela auditoria do Tribunal de Contas do Município.

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