'Mudaremos o capitalismo na essência', diz especialista sobre finanças sociais

Fórum de Finanças Sociais e Negócios de Impacto reúne organizações sociais, grandes empresas e governo para debater assunto

Amit Bhatia, diretor-executivo do Global Steering Group for Impact Investment, na abertura do Fórum de Finanças Sociais e Negócios de Impacto, nesta quarta (6), em São Paulo
Amit Bhatia, diretor-executivo do Global Steering Group for Impact Investment, na abertura do Fórum de Finanças Sociais e Negócios de Impacto, nesta quarta (6), em São Paulo - Divulgação
Patricia Pamplona
São Paulo

Um assunto ainda fechado no ecossistema de ONGs, negócios sociais e fundações, as finanças sociais e os investimentos de impacto vão se tornar, em dois anos, mainstream, ou seja, uma corrente convencional.

Essa é a aposta do indiano Amit Bhatia, diretor-executivo do Global Steering Group for Impact Investment, que participou da abertura do Fórum de Finanças Sociais e Negócios de Impacto nesta quarta-feira (6). 

Ele compara o movimento a grandes mudanças ocorridas nos últimos 30 anos, como revolução trazida pelos computadores no fim da década de 1980 e pela internet em 1998. "Se alguém dissesse em 1998 que as mudanças trazidas pela internet seriam tantas como vemos hoje, as pessoas responderiam 'pare de fumar maconha e vá escrever ficção científica'", afirmou.

Para inspirar os participantes do evento, em sua grande parte empreendedores sociais e pessoas ligadas a institutos e fundações, a quem classificou como pioneiros, Bhatia fez outro paralelo, desta vez com movimentos como o que lutou pela igualdade racial.

"Adicionar propósito ao capital será sempre igual a impacto. E esse movimento está desencadeando uma nova revolução, construída não só em fantasias e desejos como 1988 e 1998. Está firmada em realidade. É uma ideia simples, e ideias simples se tornam grandes movimentos."

EVOLUÇÃO

O crescimento do campo, que movimenta US$ 114 bilhões no mundo, número que deve dobrar até 2020, segundo Bhatia, já pode ser observado dentro do próprio fórum. Também na abertura, Célia Cruz, diretora-executiva do ICE (Instituto de Cidadania Empresarial), que realiza o evento ao lado de Vox Capital e Impact Hub, parceiros do Prêmio Empreendedor Social, mostrou a evolução do evento.

Daniel Izzo, cofundador da Vox Capital (à esq.), Célia Cruz, diretora-executiva do ICE (Instituto de Cidadania Empresarial), Henrique Bussacos, cofundador do Impact Hub São Paulo, e Bettina Barros, jornalist
Daniel Izzo, cofundador da Vox Capital (à esq.), Célia Cruz, diretora-executiva do ICE (Instituto de Cidadania Empresarial), Henrique Bussacos, cofundador do Impact Hub São Paulo, e Bettina Barros, jornalist - Divulgação

Em 2014, em sua primeira edição, 500 pessoas participaram dos painéis com 25 palestrantes internacionais e 60 brasileiros. Já este ano, no terceiro fórum, são esperadas mais de mil pessoas, com apenas seis painelistas internacionais e 170 brasileiros.

Para Henrique Bussacos, cofundador do Impact Hub São Paulo, a pluralidade exemplifica a fase pelo qual o movimento passa. "Vivemos um momento importante de nacionalizar a conversa", disse. "Estamos numa era do 'crow, de fazer tudo junto, não de ter um ou dois líderes. É preciso juntar as estratégias."

Daniel Izzo, cofundador da Vox Capital, também afirmou que o momento é de unificação. "Vamos conseguir mudar o mundo quando todos os modelos derem certo, com retorno ou sem retorno financeiro."

Já Cruz disse que o aumento da visibilidade nacional dentro do evento é algo positivo. "É motivo de orgulho o aumento dos brasileiros que mostra que a construção dessa área está se disseminando pelo Brasil", pontuou, ao falar que o público interessado saltou dos fundos de investimentos, aceleradoras, empreendedores, academia e estudantes para englobar também grandes empresas e o governo.

Esses dois últimos setores marcaram presença pelas discussões da parte da tarde e estavam entre os quatro eixos temáticos, que também incluíram ambiente e periferia, raça e gênero.

Os quatro painéis paralelos abordaram tese de mudança para impacto, explorando conexões, reflexão sistêmica e encerraram com convite para ação, quando a proposta era colocar a mão na massa.

Participaram das mesas desde negócios de impacto, aceleradoras e academia, até representantes do governo como BNDES e Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e grandes empresas como Natura e Itaú.

A presença dessas companhias, que somaram lucro de R$ 24,63 bilhões em 2017, mostra que não só o assunto está crescendo. "Há dinheiro, não diga que não há dinheiro. Esse movimento entrará para a história porque mudaremos o capitalismo na essência", afirmou Bhatia.


O fórum segue nesta quinta (7) e pode ser acompanhado pela transmissão online.

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