Negócio social e supermercado se unem para lançar produtos sem desperdício

Gastromotiva desenvolverá receitas em laboratório de inovação criado junto com Carrefour

Patricia Pamplona
São Paulo

"Eu sonho em 2020 ter uma gôndola de produtos, que os clientes cheguem e identifiquem: 'Essa é a gôndola Gastromotiva." O sonho de David Hertz, fundador do negócio social que capacita jovens de baixa renda em curso profissionalizante em gastronomia para ingresso no mercado de trabalho, ganhou, no início de julho, mais um passo para se tornar realidade.

O Grupo Carrefour, rede internacional de supermercados, investiu 320 mil euros (cerca de R$ 1,45 milhão) por meio de sua fundação na iniciativa, que integra a Rede Folha de Empreendedores Socioambientais. Dentro desse valor está a criação de um laboratório de inovação para pesquisa e desenvolvimento de receitas que façam o aproveitamento total dos alimentos.

"Desde que assumimos o projeto do Refettorio [restaurante-escola que utiliza ingredientes excedentes], entendemos melhor o que é o desperdício de alimento. Isso ampliou a missão da Gastromotiva", explica Hertz. "Vimos que o desperdício é muito maior do que podíamos imaginar. Uma coisa é ver os números, outra é receber [os alimentos]."

Com o projeto, o empreendedor social viu uma forma de sustentabilidade financeira por meio da venda desses produtos. O Carrefour, que já era um parceiro em cursos de formação, entrou na cozinha para ampliar essa oferta.

O que era feito de maneira artesanal, ganha agora o conhecimento técnico da rede na pesquisa e desenvolvimento de produtos. "Além de ajudar a desenvolver o produto, vamos levar todo nosso aparato técnico", diz Paulo Pianez, diretor de Sustentabilidade do Carrefour.

"Vamos atrelar o programa de voluntariado dos nossos profissionais nas áreas mais técnicas, desde desenvolvimento de produto, marketing e comunicação, logística, segurança alimentar, sabor diferenciado, textura até qual melhor embalagem, que gere menos resíduo."

Segundo ele, a linha será inicialmente distribuída em emporiums locais no Rio, mas a ideia é que chegue às lojas da rede, com 100% do lucro revertido à Gastromotiva.

escala

Além da linha de produtos, a parceria se renova para ampliar a escala do trabalho do negócio social. Por meio de vídeos online, os cursos poderão chegar a diferentes partes do país. "Com o laboratório de inovação, começamos a sistematizar receitas que saem daqui e podem ser compartilhadas", afirma Hertz. "Ainda há preconceito e necessidade de exemplo de como combater os desperdícios."

Para Pianez, o laboratório chega também para desenvolver novas formas de distribuir a educação alimentar. "É um espaço aberto de pensamento e de estruturação de iniciativas para fazer com que alimentação seja vetor de inclusão social."

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