Vencedor de prêmio para jovens participa de fórum global na Europa

Raphael Mayer volta à Inglaterra, onde preparou sua jornada empreendedora, para o Fórum Mundial da Skoll Foundation

São Paulo

Um case de sucesso da Simbiose Social, startup fundada por Raphael Mayer e Mathieu Anduze, vencedores do Prêmio Empreendedor Social de 2018, motivou o reencontro de um dos empreendedores sociais com a Inglaterra.

Isso porque, após a Johnson descobrir a plataforma da Simbiose em agosto de 2018 e em novembro iniciar o investimento no projeto que irá transformar a biblioteca da Unifesp —que impactará estudantes de medicina e médicos de todo o país—, um elo foi criado. Durante esse processo, Valéria Militelli, diretora sênior da Johnson e líder da Global Community Impact para a América Latina, conheceu Raphael Mayer.

Raphael Mayer, da Simbiose Social, que participa nesta semana do Fórum Mundial da Skoll Foundation
Raphael Mayer, da Simbiose Social, que participa nesta semana do Fórum Mundial da Skoll Foundation - Keiny Andrade/Folhapress

“A gente conheceu a Simbiose por meio da Artemisia e pelo fato de eles terem vencido o Prêmio Empreendedor Social de Futuro. E, como eu já tinha trabalho com esse ecossistema, de sustentabilidade e impacto, sei reconhecer quando alguém trabalha com algo a mais, por um propósito. E gostei bastante do Raphael e da entrega dele para concretizarmos os projeto na Unifesp”, afirma Valéria.

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Desse contato e do esforço para que a Global Community Impact tivesse mais representatividade de talentos latinos, Valéria indicou Raphael Mayer para participar do Fórum Mundial Skoll para Empreendedorismo Social, da Skoll Foundation, na Universidade de Oxford (Inglaterra), que acontece de 9 a 12 de abril.

Ao todo o evento reunirá 75 jovens de todos os cantos do mundo, inclusive outros dois brasileiros: o economista Michael Kapps, criador da TNH Saúde Digital, que foi finalista do Empreendedor Social de Futuro em 2016, e a publicitária Luiza Serpa, cofundadora e diretora-executiva do Instituto Phi.

No caso de Raphael, a volta à Inglaterra o remeteu há cinco anos, quando o jovem partiu do Brasil, com frio na barriga, sem nunca ter saído de casa, pronto para “aprender com tudo e com as inseguranças de estar sozinho pela primeira vez”.

“Voltar agora é um misto de nostalgia e orgulho. A sensação de estar descobrindo o mundo e pronto para aprender com tudo ainda continua, mas agora em um âmbito profissional. A grande diferença está na insegurança, hoje me sinto seguro e pronto, não só para aprender mas também para poder compartilhar um pouco do que estamos fazendo no Brasil”, afirmou o administrador formado na FGV (Fundação Getúlio Vargas).

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Além de saber que o trabalho que desenvolve com Mathieu Anduze e Tadeu Silva na Simbiose Social pode ser aplicado fora das fronteiras do Brasil, já que “as leis de incentivo fiscal são uma realidade para cerca de 80% dos países no mundo”, Raphael tem a certeza de que vai ampliar a rede de atuação de sua empresa, que já integra hoje a Rede Folha de Empreendedores Socioambientais.

Raphael Mayer e Mathieu Anduze, fundadores da Simbiose Social, celebram após serem anunciados como vencedores do Prêmio Empreendedor Social de Futuro de 2018
Raphael Mayer e Mathieu Anduze, fundadores da Simbiose Social, celebram após serem anunciados como vencedores do Prêmio Empreendedor Social de Futuro de 2018 - Keiny Andrade - 12.nov.18/Folhapress

Além do networking, ele poderá contribuir com a expertise da Simbiose. “Quando falamos de doação direta e problemáticas no acompanhamento e mensuração de impacto dos projetos sociais, a sai dos 80% para uma realidade de 100% dos países. Todos esses são temas que trabalhamos diretamente.”

Ao mesmo tempo que prepara a Simbiose para voos maiores, Raphael Mayer mantém o carisma contagiante, tanto que uma de suas ações na Inglaterra será visitar uma senhora chamada Pearl Daly. “Quando vim para cá, há cinco anos, eu iria ficar na casa dela por duas semanas, mas gostei tanto dela e nos demos tão bem que acabei passando seis meses. Desde então mantemos contato, e ela acompanha com muito orgulho a trajetória da Simbiose Social.”

De acordo com ele, os relatos de Daly sobre a vida difícil como cigana em solo inglês e o trabalho que teve para comprar a casa em que Raphael passou um semestre são lições que ele carrega até hoje.

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“Se eu pegasse os maiores problemas do mundo, com base nos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU, eu começaria a atuar na concentração e má distribuição dos recursos no mundo. Uma realidade comum no Brasil e no mundo que é o principal fator de violência e de desigualdade social. Já começamos a atacar isso com a atuação da Simbiose Social, e cada vez fica mais claro que o problema que tentamos solucionar no Brasil, é na realidade um problema global.”

E, como a plataforma da Simbiose tem como maiores clientes multinacionais, Raphael explica que a internacionalização do modelo da Simbiose e escalar globalmente o impacto que proporciona no Brasil são duas de suas missões. “E acredito que, aqui em Oxford, poderei entender as diferentes culturas e aprender como traduzir as diferenças culturais e legislativas em nossa plataforma.”

Além de contribuir para fortalecer a rede latina da Global Community Impact liderada por Valéria Militelli, Raphael Mayer e a Simbiose também poderão dividir o que fazem com o mundo no F8 Summit, evento global do Facebook que acontecerá na Califórnia em maio.

Enfim, algo de dar frio na barriga do jovem que há cinco anos se perguntava como mudar o mundo num banco de praça em Cambridge e que, agora, mostrará isso em Oxford.
 

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