Brasileiro participará de júri de programa do MIT para empreendedores sociais

Prazo para a inscrição termina nesta segunda-feira (1º)

Rodolfo Stipp Martino
São Paulo

O desafio global do programa MIT Solve, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos Estados Unidos, cuja inscrição termina nesta segunda-feira (1º), apoiará iniciativas que envolvam tecnologia em quatro categorias: economia circular, desenvolvimento da primeira infância, cidades saudáveis e inovações conduzidas pela comunidade.

E um dos jurados do programa será o CEO da Livox e vencedor do Prêmio Empreendedor Social de 2016, o brasileiro Carlos Pereira.

Ele é criador de um software que permite que pessoas com deficiência para falar se comuniquem (tecnologia que também é usada no processo de aprendizado). A ideia foi desenvolvida após sua filha sofrer paralisia cerebral durante o parto.

No MIT Solve deste ano, Pereira vai participar na comissão julgadora da categoria do desafio de desenvolvimento da primeira infância.

“Esse assunto é muito interessante para mim. Primeiro porque eu sou um pai, né? Segundo, a gente também trabalha com a educação com a Livox. Se eu puder contribuir de alguma forma, eu vou ficar muito feliz”, disse.

Nessa área, o programa busca soluções que melhorem o aprendizado e os desempenhos cognitivos de crianças menores de cinco anos.

Podem participar, por exemplo, iniciativas que ajudem a reduzir as barreiras para o desenvolvimento físico, mental e emocional, especialmente entre as populações vulneráveis e afetadas por conflitos.

Outro exemplo é o de alguma iniciativa que auxilie a reduzir as desigualdades, provocadas por discriminação por causa de raça, classe, religião ou gênero desde o nascimento da criança.

Qualquer empreendedor pode se inscrever, independentemente do país, de forma individual, por equipe ou por meio de uma organização.

O MIT Solve disponibilizará um financiamento de mais de US$ 1,5 milhão (aproximadamente R$ 5,8 milhões) para ser distribuído para quem for selecionado em alguma das quatro categorias. Os classificados também receberão uma ajuda de US$ 10 mil (cerca de R$ 38,5 mil).

Pereira destaca a importância do suporte que é oferecido pelo programa, a rede de contatos que é gerada e a possibilidade criada de ganhar outros prêmios. 

“O apoio pode abrir portas que podem render muito mais do que o valor do financiamento [a quantia de US$ 1,5 milhão será dividida entre os empreendedores]”, afirmou.

O brasileiro vivenciou isso. Em maio de 2018, foi convidado para palestrar em um evento do MIT Solve. Lá conheceu o programa e soube que também poderia participar. Decidiu se inscrever na categoria “professores e educadores”.

Um dos tópicos dessa categoria falava em encontrar iniciativas que personalizasse e adaptasse o ensino a todos, especialmente para pessoas que portassem alguma deficiência, e que atingisses alunos que morassem em áreas em crises ou em locais de baixa renda.

Com a experiência do Livox, o brasileiro foi um dos classificados para participar do programa.

Pereira disse que passou, então, a ter contato com mais instituições, fundações e empresas, teve acesso a serviços gratuitos (como o de advocacia) e teve a oportunidade de participar e ganhar outros prêmios (como o de tecnologias avançadas, da GM).

“Sempre me chamam para palestrar. Recentemente, fui a um evento de inovação em Boston a convite do MIT. Valeu muito à pena ter participado do programa”, disse.

Pereira é referência mundial nessa área.  O seu aplicativo foi premiado em 2015 pela ONU na categoria “inclusão e empoderamento”. Em 2017, ele entrou para a Rede Schwab de Empreendedores Sociais.  Em 2018, participou de um painel sobre inteligência artificial no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça.

Mas, ao falar sobre empreender socialmente no Brasil, mostrou que a situação não é nada fácil para quem está nessa área. “O conselho que eu dou é lutar.”

“Infelizmente, no Brasil, a questão do empreendedorismo social ainda é muito nova. O pessoal não tem a ideia de que você pode fazer o bem e ganhar dinheiro ao mesmo tempo. Isso tem que ser mudado”, completou.

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