Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Conhecimento tira pessoas da fome, mas se houver como adquiri-lo, diz líder de ONG

Banco de Alimentos cria artes explicativas sobre insegurança alimentar em resposta a afirmações de Bolsonaro

Giovanna Reis
São Paulo

Os dados da insegurança alimentar grave —quando alguém fica 24 horas sem comer por falta de dinheiro— mostram uma realidade diferente da falada pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL), na manhã desta sexta-feria (19), quando afirmou que não existe fome no Brasil. A situação atinge mais de sete milhões de brasileiros, segundo o IBGE

A pesquisa também traz dados sobre as inseguranças alimentares moderada e leve, que prejudicam ao todo, no Brasil, 44 milhões de pessoas. Enquanto a leve consiste na incerteza do indivíduo quanto à disponibilidade de alimentos, a moderada é definida como a ruptura nos padrões de alimentação devido à falta de comida.

Casal desempregado conta como alimentam os filhos - Jorge Araújo - 24.out.2017/Folhapress

Além da inexistência da fome, o presidente também defendeu o posicionamento de que o que tira o indivíduo da miséria é o conhecimento, e não bolsas ou programas assistencialistas.

A fundadora do Banco de Alimentos, Luciana Quintão, vai ao encontro da afirmação do presidente sobre o conhecimento ser uma maneira eficaz de erradicar a miséria. No entanto, contrapõe que são necessárias formas de adquiri-lo.

"Eu concordo que o conhecimento tira as pessoas da fome, mas só se existir uma forma para que elas tenham o conhecimento. Se não tem escola ou se tem escola, mas a qualidade do ensino é ruim, fica complicado."

Segundo Quintão, não há como o país deixar de ser tão desigual sem a criação de uma infraestrutura social, que envolva educação de qualidade, saneamento básico e segurança alimentar. "Uma estrutura que não foi criada nos últimos anos no Brasil, e por isso ficamos basicamente no assistencialismo."

É justamente a promoção da falta de conhecimento o que Luciana aponta como consequência direta do discurso de Bolsonaro. "É como se a maioria do Brasil não tivesse noção da fome que existe. Então, ele [o presidente] vai aumentar uma questão que já existe, que é a da falta de conhecimento." Para ela, o discurso deveria ter sido voltado ao combate à problemática, e não a sua invalidação.

"O correto seria chamar a atenção das pessoas em relação a isso [o combate à fome] e justamente criar políticas de desenvolvimento econômico e de infraestruturas [sociais] no Brasil. Ele [Bolsonaro] teria que chamar a nação para esse objetivo, e não para dizer que não existe. Aliás, são várias fomes."

Integrante da Rede Folha de Empreendedores Socioambientais, a organização transformou os dados da pesquisa em artes explicativas e as compartilhou em suas redes sociais. A instituição, fundada e presidida por Luciana Quintão, busca minimizar os efeitos da fome por meio do combate ao desperdício de alimentos. 

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.