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Monica Canton De Celis Calvo

Um encontro para mudar o mundo

Monica Canton De Celis Calvo

O quem vem a sua cabeça quando você pensa em uma iniciativa que já mudou ou que pode mudar o mundo? Quem são as pessoas que participam deste processo? Quais as ferramentas necessárias para melhorá-lo?

Talvez o que você não saiba é que há milhões de pessoas que não apenas estão pensando nisso, mas que também estão colocando a mão na massa e criando soluções das mais simples às mais complexas. E digo mais: estas pessoas são crianças e jovens que –junto com suas comunidades– estão apresentando alternativas para um novo mundo.

Agora imagine um encontro em que eles e elas possam mostrar o que estão fazendo para melhorar suas realidades e que sirva de inspiração a outros alunos e, claro, aos adultos. O movimento global de crianças e jovens Design for Change, (representado no Brasil pelo projeto Criativos da Escola, do Instituto Alana) acreditou nesta ideia e vai reunir cerca de 3.000 estudantes ainda este ano em Roma, na Itália.

Mas antes de falar sobre a importância deste encontro, vamos começar pelo princípio. Há dois anos, esta rede global teve a oportunidade de estabelecer um acordo com o Escritório Internacional de Educação Católica (Oiec). Não houve dúvidas. O trabalho da rede DFC realizado desde 2009 e que alcança agora 65 países (e que segue crescendo) não possui qualquer vinculação confessional específica e preza pelo respeito à diversidade étnico racial, religiosa, de gênero, regional, entre outras.

No entanto, esta seria uma oportunidade para ampliar a perspectiva de uma educação transformadora para as mais de 450 mil escolas católicas de todo o mundo. É fundamental destacar que, para mudar o mundo, é necessário que ninguém fique de fora.

Em acordo com a encíclica “Laudato Si”, criada pelo Papa Francisco em 2015, estabeleceu-se uma grande frente para cuidar de nossa casa comum –o planeta– e seus moradores. Uma forma de assegurar que as gerações atuais e futuras de crianças e jovens possam ser agora e no porvir perfeitamente conscientes e responsáveis pelo o que significa viver na Terra.

Com esse propósito será realizada, então, a Conferência Global Eu Posso, o maior encontro entre crianças e jovens protagonistas de transformações significativas em suas realidades. Algo que, de fato, já estão fazendo. E isso porque eles sabem, podem e querem mudar o mundo.

O objetivo: empoderar os estudantes com a mentalidade do “Eu Posso”, para que tenham a certeza de que são capazes –de forma empática, criativa, com pensamento crítico e em equipe, de realizar de pequenas a grandes transformações em seu entorno para melhorar sua própria vida e/ou a de sua comunidade.

Desta forma, do dia 27 ao dia 30 de novembro, as cerca de 3.000 crianças e jovens vindos de escolas públicas e privadas, laicas e religiosas, de associações e organizações sociais serão acolhidos por colégios e estudantes de Roma para um grande intercâmbio.

E, neste momento, poderão compartilhar seus trabalhos em um grande convite para que todas as pessoas também se juntem na luta pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), das Nações Unidas (ONU).

A programação da conferência começará com uma grande caminhada em defesa dos ODS da ONU e se encerrará com uma grande celebração com a presença de lideranças globais como o Papa Francisco e representantes de governos, empresas e entidades sociais.

Uma mobilização com o objetivo de apoiar a replicação de 30 projetos construídos por crianças e jovens, selecionados por trazerem respostas a questões tão atuais quanto prioritárias como, por exemplo, casamentos forçados, desmatamento, poluição de água e rios, bullying, cuidado aos mais frágeis e igualdade de gênero e étnico racial, entre outras.

É por isso que a conferência em Roma é tão importante. Porque marca um ponto de inflexão necessário e urgente: o momento em que o mundo deve se dar conta de que as crianças e jovens não estão indefesos e que, não, não são o nosso futuro. Estão cheios de ferramentas que precisamos para fazer de nosso planeta um lugar melhor, mais empático, mais compassivo hoje.

Da índia, passando pelo Brasil e por países de todo o mundo, eles são nosso presente, a voz de nossa consciência e os atores das transformações significativas para nos mostrar caminhos para uma sociedade melhor.

Monica Canton De Celis Calvo

Diretora-executiva do movimento global Design for Change (DFC), é licenciada em direito pela Universidade Complutense de Madrid e colaboradora honorária do Departamento de Didática Geral, Específica e Teoria da Educação da Universidade de León

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