Reserva natural vai abrigar workshop sobre impacto colaborativo no Brasil

Ibitipoca é o cenário escolhido para encontro de líderes do campo de inovação social para criar um novo modelo de atuação em rede

Eliane Trindade
Lima Duarte (MG)

Lar de sete esculturas gigantes de ferro que foram atrações no festival Burning Man no deserto de Nevada, nos Estados Unidos, a Comuna do Ibitipoca vai abrigar um Workshop sobre Impacto Colaborativo, de terça-feira (5) até quinta-feira (7).

A reserva de 5.000 hectares de Mata Atlântica, situada a 86 km de Juiz de Fora (MG), é o cenário inspirador escolhido para o evento da série Diálogos Transformadores.

O workshop vai reunir vencedores do Prêmio Empreendedor Social e referências do campo do empreendedorismo social no Brasil para cocriar um modelo de atuação e colaboração em rede. 

As esculturas gigantes que fizeram sucesso no festival de Burning Man, nos Estados Unidos, compõem uma galeria a céu aberto na reserva que forma a Comuna do Ibitipoca, em Minas
As esculturas gigantes que fizeram sucesso no festival de Burning Man, nos Estados Unidos, compõem uma galeria a céu aberto na reserva que forma a Comuna do Ibitipoca, em Minas - Divulgação

“É uma convocação para que lideranças do ecossistema de impacto social possam refletir e atuar de modo colaborativo frente ao grande desafio de ampliar a escala de suas iniciativas”, afirma Antonio Manuel Teixeira Mendes, superintendente da Folha.

O objetivo do evento é desenhar uma ação piloto no Brasil, que possa servir de modelo para um movimento global.

“A busca por impacto colaborativo está na vanguarda mundial do empreendedorismo social, mas temos poucos exemplos práticos de eficiência nesse campo”, afirma Rodrigo Baggio, fundador da Recode, apoiadora do workshop. 

A metodologia do encontro foi estruturada em parceria com a Fundação Schwab e a Fundação Dom Cabral, tendo como mentor o professor Subramanian Rangan, da Insead Business School e membro do Conselho da Schwab. 

“Contamos com estas valiosas parcerias para traçar uma metodologia inovadora para criar e inspirar uma jornada consistente rumo a uma agenda de trabalho para promover exemplos consistentes de impacto colaborativo”, complementa Baggio, empreendedor das redes Schwab, Folha, Ashoka e Skol Foundation.

As rodadas de discussão previstas, em formato similar a um “Hackathon”, vão ser uma maratona de criação para aprofundar a temática. Os grupos vão interagir em torno de duas trilhas: Impacto Colaborativo em Territórios (Ibitipoca, periferias urbanas e Amazônia) e Colaboração para Fortalecimento do Ecossistema de Empreendedorismo Social no Brasil.

“É um encontro que promete grandes ideias. Vamos ter oportunidade de pensar ecossistemas e territórios, e seus grandes problemas, usando a força e o engajamento de empreendedores sociais que são referência no país”, afirma Ricardo Siqueira, diretor de Sustentabilidade e Projetos Sociais da Fundação Dom Cabral. 

Parceira do Prêmio Empreendedor Social, a fundação irá sistematizar os aprendizados dos três dias. Para Siqueira, é uma oportunidade de contribuir com projetos colaborativos que impactem positivamente a sociedade.

Entre os 36 convidados estão dez vencedores dos Prêmio Empreendedor Social, Maure Pessanha, da Artemisia, Edgar Barki, coordenador do Centro de Empreendedorismo da FGV, Paula Fabiani, do Idis (Instituo para o Desenvolvimento do Investimento Social) e Ricardo Podval, sócio-fundador do Civi-Co. 

O lugar escolhido propicia imersão e troca de experiências. “A Comuna do Ibitipoca é um espaço holístico que busca unir ser humano e natureza visando experimentar soluções sustentáveis para o planeta”, define Renato Machado, empresário que criou a reserva particular em torno do parque do Ibitipoca, como cinturão para ampliar a preservação da área. 

O workshop vai ser realizado no povoado de Mogol, no município de Lima Duarte. Ali foi construída uma tenda para abrigar eventos socioambientais, em um projeto chamado Ibitipoca University. 

“O intuito é propiciar um espaço onde ideias possam ser discutidas e os aprendizados contribuam para inspirar pessoas transformadoras”, explica Claudia Baumgratz, diretora de Relações Institucionais da Comuna do Ibitipoca. 

A sede colonial da fazenda do Engenho é um dos espaços da Comuna do Ibitipoca onde se realiza o worksho: maratona de ideias em contato com a natureza
A sede colonial da fazenda do Engenho é um dos espaços da Comuna do Ibitipoca onde se realiza o worksho: maratona de ideias em contato com a natureza - Divulgação

“Reunir os principais conhecedores e líderes de negócios de impacto no Brasil é uma honra e a certeza de um marco. As discussões certamente abrirão portas e potencializarão a união do setor para acelerar a implantação dos ODSs e o desenvolvimento local.”

Os convidados vão ficar hospedados nos casarões antigos, que abrigam um hotel de luxo na fazenda do Engenho, dentro da Comuna. Nos intervalos, os participantes vão poder fazer uma série de atividades ao ar livre, como passeios a cachoeira e meditação. 

Uma das dinâmicas do workshop vai ser feita no topo da colina onde foram instaladas as esculturas da artista americana Karen Cusolito.   

Feitas com sucata industrial, as estátuas representam todos os cultos e simbolizam humildade, alegria, reverência, paz, arrebatamento e oração. Em uma ida a Califórnia, Machado esbarrou na oficina onde trabalha a artista, que se negou a vender apenas uma das esculturas. Alegou que pertencia a uma família de sete membros. 

O brasileiro então decidiu comprar todas. Karen só aceitou fechar o negócio após visitar o local. “Agora sim elas encontraram seu lar”, disse a americana, em vídeo que relata a epopeia para transportar as peças gigantes da Califórnia até a reserva.

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