Descrição de chapéu Coronavírus

'Nossas vidas importam': movimento cobra de autoridades o acesso adequado à saúde para os mais vulneráveis

Campanha da Anistia Internacional e organizações parceiras promete pressionar políticos para não deixar ninguém para trás

São Paulo

Em transmissão ao vivo nesta quinta-feira (14), a Anistia Internacional Brasil vai lançar a campanha “Nossas Vidas Importam”, que faz frente à pandemia do novo coronavírus. O movimento é um alerta às autoridades brasileiras para que nenhuma pessoa seja deixada para trás no combate à crise.

A live será realizada às 19h no canal da Anistia Brasil no YouTube.

A iniciativa cobra que sejam tomadas medidas concretas e urgentes pelas autoridades federais, estaduais e municipais, a fim de minimizar os impactos da Covid-19. A organização destaca a atuação ativa e efetiva da sociedade civil, em contraste com as ações das autoridades.

“As necessidades de populações mais vulneráveis devem ser reconhecidas, pois em suas realidades, marcadas pela desigualdade estrutural, elas já estão se mobilizando para diminuir os impactos da pandemia. São elas que, no cotidiano de privações e de ausências em políticas públicas, criam soluções", afirma Jurema Werneck, diretora executiva da Anistia Internacional Brasil.

Dados da prefeitura de São Paulo apontam que o risco de morte por coronavírus entre negros é 62% maior do que em brancos. O Ministério da Saúde também indica a letalidade maior entre a população negra: 1 em cada 3 pacientes mortos são pretos ou pardos. Além disso, o número de mortes em favelas segue aumentando, assim como o contágio entre indígenas de povoados afastados.

Durante a campanha, a Anistia Internacional e seus parceiros vão realizar uma mobilização nacional de pressão direta para cobrar das autoridades a adoção de medidas e buscar reuniões nas quais possam apresentar as necessidades das populações mais vulneráveis.

“Essas pessoas têm voz e precisam participar das decisões que dizem respeito aos seus direitos. Cabe às autoridades ouvir e compreender suas necessidades, para que seja esse o momento de correção de desigualdades históricas e de garantia de acesso à saúde e à assistência médica em todos os níveis para todos e todas”, explica Werneck.

Enquanto exigem ações efetivas das autoridades para sua população, representantes de organizações indígenas estão apreensivos com os avanços de contágio e mortes em tribos que vivem na Amazônia brasileira.

“Estamos muito preocupados com a pandemia do novo coronavírus e temendo que aconteça uma morte em massa dos povos indígenas por conta da falta de apoio do governo brasileiro na atenção à saúde, à segurança alimentar, à proteção territorial, porque as invasões, mesmo com a pandemia, continuam", relata Mário Nicacio, vice-coordenador da Coiab (Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira).

Em documento lançado junto com a campanha, a Anistia Internacional e organizações parceiras apresentam sete grupos de medidas que devem ser adotadas pelas autoridades para garantir o acesso à saúde aos grupos sociais que estão mais vulneráveis diante desta crise. São eles: garantir a participação social; impedir o tratamento desigual e a discriminação; garantir informação e educação para saúde; garantir prevenção e cuidado para a população em privação de liberdade; garantir assistência social para todas e todos que necessitem; garantir assistência à saúde; cuidar das e dos profissionais do setor de saúde.

Anielle Franco, diretora do Instituto Marielle Franco, reforça que é preciso uma mobilização em conjunto neste momento, não só para as necessidades urgentes, mas também para o futuro pós-pandemia.

“Estabelecemos duas prioridades: fortalecer as ações urgentes dos coletivos que estão garantindo a sobrevivência da população mais vulnerável e disputar os caminhos de saída da crise para garantir um futuro digno a todas as pessoas. Não é possível voltar ao normal, porque o normal foi o que nos trouxe até aqui”, afirma.

Fazem parte da campanha "Nossas Vidas Importam" as seguintes instituições:

Fazem parte dessa campanha as seguintes instituições:

  • Anistia Internacional Brasil
  • AfirmAção
  • Abrasco (Associação Brasileira de Saúde Coletiva)
  • Antra (Associação Nacional de Travestis e Transexuais)
  • Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil)
  • Casa Fluminense
  • CDVHS (Centro de Defesa da Vida Herbert de Sousa)
  • Cedeca-CE (Centro de Defesa da Criança e do Adolescente)
  • Cedenpa (Centro de Estudos e Defesa do Negro no Pará
  • Cimi (Conselho Indigenista Missionário)
  • Coiab (Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira)
  • Coletivo Papo Reto
  • Coletivo Sapato Preto – Lésbicas Negras Amazônidas
  • Conaq (Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais e Quilombolas)
  • Criola
  • Elas Existem
  • Fórum Nacional de Reforma Urbana
  • Geledés – Instituto da Mulher Negra
  • Instituto Marielle Franco
  • Instituto de Mulheres Negras do Mato Grosso
  • Instituto Socioambiental (ISA)
  • Instituto Terramar (Ceará)
  • Justiça Global
  • Marcha das Mulheres Negras de São Paulo
  • Movimento Moleque
  • Movimento Nacional de Direitos Humanos - MNDH Brasil
  • Movimento Nacional de População de Rua
  • Núcleo Estadual de Mulheres Negras do Espírito Santo
  • OAB-RJ
  • Perifa Connection
  • Rede Antirracista Quilombação
  • Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade
  • Think Olga
  • Terra de Direitos
  • UNEAFRO
  • WWF Brasil
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