Descrição de chapéu Ao Vivo em Casa

O legado da pandemia é a colaboração, dizem empreendedores sociais

Em live da Folha, representantes do terceiro setor discutiram ações de enfrentamento à Covid-19, desafios e mudança de mentalidade

São Paulo

“A Covid-19 nos mostrou que uma mudança na mentalidade social é possível, a questão é como podemos torná-la permanente”, aponta Gisela Solymos, cofundadora do Cren (Centro de Recuperação e Educação Nutricional), durante transmissão do Ao Vivo em Casa, série de lives da Folha, nesta sexta-feira (1º).

Mediada pela editora do Prêmio Empreendedor Social, Eliane Trindade, a discussão reuniu também Vera Cordeiro (Saúde Criança), e Rodrigo Baggio (Recode).

O trio de empreendedores brasileiros integrantes das redes Schwab e Folha faz parte do movimento global Catalyst 2030, coalizão de inovadores sociais que busca por meio de parcerias e colaboração atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.

Também participou do debate Carola Matarazzo, presidente do Movimento Bem Maior, que há um ano e meio fomenta a filantropia no Brasil.

Ela destacou a pandemia da Covid-19 como precursora de uma mudança estrutural de valores, atitudes e comportamentos na sociedade. "Vivemos um momento de soliderariedade nunca visto antes", afirmou.

Inspirada pelo recorde histórico de doações no Brasil, que recentemente ultrapassaram os R$ 3,2 bilhões, Carola acredita que o país vive um momento inédito de solidariedade, e espera que no mundo pós-pandemia sejam ressignificadas as relações comerciais, fazendo com que o dinheiro seja investido de forma estratégica para gerar mudanças sistêmicas.

Os três empreendedores sociais compartilham do pensamento de Carola e acreditam que a situação pandêmica carregue um grande potencial de mudança de mentalidade, apesar das incertezas.

Vera Cordeiro também espera que a crise deixe um legado de mais comprometimento. “Vivemos num dos países mais desiguais do mundo. Acho que realmente podemos dar um salto, mas será que vai continuar ou vamos esquecer?”, questiona.

Os empreendedores sociais também compartilharam inovações adotadas por suas organizações durante o isolamento, para que o trabalho de impacto não fosse interrompido.

Nas organizações de atendimento às populações vulneráveis, o contato com os beneficiários continua constante, ainda que à distância.

O Saúde Criança, além de financiar remédios e recarregar os cartões de alimentação das famílias, realiza teleatendimentos com psicólogos diariamente.

Vera conta também que estão sendo criados pelos beneficiários versões virtuais do “grupo de aconchego” da ONG, que reúne pessoas para compartilhar dores e experiências.

No Cren, são feitas ligações por telefone todos os dias para acompanhar e orientar as famílias com insegurança alimentar.

Já aquelas que apresentam insegurança e criança desnutrida recebem cestas básicas ricas em proteína —produtos em grande parte comprados de produtores locais das regiões atendidas pela organização, que estão sem conseguir vender.

“A questão do coronavírus escancara um passivo que o nosso país carrega: o da invisibilidade da pobreza”, afirma Gisela. Ela conta que muitos beneficiários estranham a primeira ligação do Cren, uma vez que nem mesmo os familiares estão telefonando e se preocupando.

Em meio à pandemia, o Bem Maior lançou em parceria com o Idis e com a BSocial o Fundo Emergencial para a Saúde Coronavírus Brasil, que capta recursos para a Fundação Oswaldo Cruz, Hospital das Clínicas, Santa Casa de São Paulo e ONG Comunitas.

Na Recode, que utiliza a tecnologia como ferramenta de empoderamento, foi lançado o “Desafio Recoders”. A iniciativa oferece a jovens de baixa a oportunidade de aprender sobre tecnologia e criar ações virtuais que solucionem problemas relativos às suas realidades durante a pandemia. Ao final, as cinco melhores equipes terão suas ações colocadas em prática.

Na conversa, os empreendedores destacaram o trabalho do colega Gilson Rodrigues na favela de Paraisópolis, em São Paulo. Rodrigues é coordenador nacional do G10 das favelas, grupo que reúne lideranças das dez maiores comunidades do país.

Em resposta à crise da Covid-19, foi lançada nesta sexta (1º) a Catalysing Change Campaign, campanha idealizada pelo Catalyst 2030 para dar visibilidade global a ações de impacto rápido em segurança alimentar, saúde, educação, higiene e outras necessidades urgentes neste momento de emergência sanitária, econômica e social.

A iniciativa oferece sessões virtuais sobre essas áreas de atuação, apresentadas por empreendedores sociais de destaque em diversos países, todos atuando na linha de frente do combate à pandemia.

A campanha aglutinou líderes em inovação e impacto das mais importantes redes internacionais de empreendedorismo social, entre elas Fundação Schwab, parceira da Folha na realização do Prêmio Empreendedor Social no Brasil, a Ashoka, a Echoing Green, a Skoll Foundation.​

O Brasil saiu na vanguarda desse movimento ao realizar em novembro do ano passado Workshop de Impacto Colaborativo, em Ibitipoca (MG).

Líderes do movimento, Gisela, Vera e Rodrigo convidaram os empreendedores socias, patrocinadores e lideranças do ecossistema social no país a participar desse esforço que atravessa fronteiras e vai além de organizações.

"Temos potencial de criar um novo sistema, mas para isso precisamos colaborar e trabalhar em equipe”, diz Rodrigo Baggio, fundador da Recode. “A humanidade dá saltos em grandes momentos, como guerras e epidemias. Podemos usar esse momento para crescer como seres humanos e construir um mundo melhor.”​

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