Aumenta a visão positiva das ONGs no Brasil, mostra pesquisa lançada em webinário

Relatório inédito Brasil Giving é apresentado em seminário da Folha nesta quarta (8)

São Paulo

O Idis (Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social) apresentou nesta quarta-feira (8), em seminário online #ComoPossoAjudar realizado em parceria com a Folha, a edição 2020 do relatório "Um Retrato da Doação no Brasil".

É o terceiro ano consecutivo em que a pesquisa é realizada, sempre com a mesma metodologia, mostrando como os brasileiros praticaram doação, voluntariado e engajamento cívico no ano anterior.

Interessados podem conferir o estudo na íntegra pelo site do Idis.

O relatório indica que houve mudança na visão e opinião das pessoas em relação ao trabalho das ONGs. Oito em cada dez brasileiros afirmaram que as organizações sociais tiveram um impacto positivo no país como um todo (82% contra 73% em 2018) e em suas comunidades locais (80% contra 73% em 2018).

Os mais jovens são os mais propensos a ter essa opinião positiva. Quase 87% das pessoas com idade entre 25 e 34 anos reconhecem um impacto positivo na comunidade local.

“Talvez essa percepção positiva do trabalho desenvolvido pelas organizações tenha levado a condições mais favoráveis para o desenvolvimento da confiança, e essa confiança permitiu à população responder rapidamente diante da pandemia que vivemos”, explica a diretora-presidente do Idis, Paula Fabiani, reforçando que a pesquisa foi realizada antes da crise do coronavírus.

Constatou-se que os brasileiros têm uma visão positiva das ONGs em geral, com 74% concordando que “a maioria das organizações sociais trabalha arduamente para alcançar resultados positivos para aqueles que pretendem ajudar”.

Esta questão foi abordada pela primeira vez na edição 2020. Uma outra novidade do relatório lançado é a opinião dos brasileiros sobre a relação das empresas com as ONGs.

86% dos respondentes disseram que as empresas devem apoiar as comunidades em que atuam, 81% são favoráveis a parcerias entre empresas e ONGs e 71% se declarou mais propenso a comprar um produto de uma empresa que ajuda a comunidade local ou investe na solução de questões sociais.

Já o comportamento dos brasileiros quanto à solidariedade permaneceu estável. R$ 200 é o valor típico doado pelos brasileiros que fizeram doações nos últimos 12 meses, mesmo patamar registrado em 2018, mas inferior a 2017, quando o valor foi de R$ 250.

Além disso, a proporção dos que doaram permaneceu estável, quando praticamente sete em cada dez brasileiros afirmaram ter feito doação em dinheiro nos últimos 12 meses.

Como nas pesquisas anteriores, os jovens com idade entre 25 e 34 anos são sempre os que se mostram mais propensos a doar.

O apoio às organizações religiosas e igrejas continua sendo a causa mais popular entre metade dos doadores brasileiros (49%), resultado semelhante ao de 2018 (52%) e 2017 (49%).

As outras principais causas para doações são o apoio a crianças ou jovens (39%) e o combate à pobreza (30%). De acordo com o relatório, a proporção de brasileiros que faz trabalho voluntário não muda desde 2017 e atinge metade dos entrevistados (53% em 2019 e 2018 contra 52% em 2017).

As três principais razões para doar também seguem inalteradas desde que o estudo começou a ser feito. “Porque me sinto bem” é a resposta de metade dos entrevistados (52% em 2019 contra 50% em 2018). “Preocupar-se com a causa” (44% agora contra 42% em 2018) e “querer ajudar as pessoas menos favorecidas” (43% contra 40% em 2018) são as outras razões apontadas.

O estudo "Um Retrato da Doação no Brasil" apresenta dados referentes ao ano de 2019 e foi produzido pela Aliança Global da Charities Aid Foundation (CAF). Representada pelo Idis na América Latina, a CAF é uma rede mundial de organizações que trabalham na vanguarda da filantropia e da sociedade civil.

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