Seminário #ComoPossoAjudar discute as motivações da doação no Brasil

Nathalia Arcuri, Adriana Barbosa e outros especialistas debateram sobre solidariedade na pandemia em evento da Folha

São Paulo

Em seminário online realizado pela Folha em parceria com o Idis nesta quarta-feira (8), empreendedores sociais e especialistas discutiram sobre movimento de solidariedade e engajamento recorde de doadores em resposta à Covid-19.

A primeira mesa do webinário #ComoPossoAjudar voltou-se às motivações da doação, com foco nas contribuições feitas durante a pandemia.

Os convidados a discutir esse pilar da temática foram Nathalia Arcuri (CEO da Me Poupe! e especialista em planejamento financeiro), Adriana Barbosa (CEO da PretaHub e fundadora da Feira Preta), Eugênio Mattar (CEO da Localiza e cofundador do Movimento Bem Maior) e Marcia Kalvon Woods (presidente do conselho da Associação Brasileira de Captadores de Recursos e membro do comitê gestor do Movimento pela Cultura de Doação).

Para Marcia Woods a sociedade mostrou de forma contundente durante a pandemia o quão solidários são os brasileiros, caráter que se reflete nos R$ 5,9 bilhões em doações contabilizados pelo Monitor das Doações.

"Eu sou muito confiante de que realmente estamos em um momento de inflexão em que as pessoas estão se engajando mais e vendo a diferença que o engajamento delas causa no desenvolvimento do país e na vida das pessoas", afirma Woods.

A presidente do conselho da ABCR também acredita que a pandemia escancarou a relação de interdependência entre os integrantes da sociedade. "Dependemos uns dos outros e o Brasil só vai avançar e desenvolver se olharmos para o próximo com empatia e cuidado", completa.

Participantes da primeira mesa do webinário #ComoPossoAjudar, promovido pela Folha em parceria com o Idis. Da dir. p/ esq., Adriana Barbosa (Feira Preta), Eugenio Mattar (Localiza e Movimento Bem Maior), Márcia Woods (Associação Brasileira de Captadores de Recursos) e Nathalia Arcuri (Me Poupe!)
Participantes da primeira mesa do webinário #ComoPossoAjudar, promovido pela Folha em parceria com o Idis. Da dir. p/ esq., Adriana Barbosa (Feira Preta), Eugenio Mattar (Localiza e Movimento Bem Maior), Márcia Woods (Associação Brasileira de Captadores de Recursos) e Nathalia Arcuri (Me Poupe!) - Jardiel Carvalho/Folhapress

Já para Adriana Barbosa, a filantropia e o investimento social no Brasil não só crescer no pós-pandemia como também devem incorporar as questões de raça no direcionamento das contribuições.

"Em um contexo de pandemia, a população negra é ainda mais afetada financeiramente, em saúde, em educação", diz Adriana.

"Não tem como olhar para o investimento social privado, para a filantropia, se não fizer esse recorte de raça", afirma. "As questões raciais têm que ser uma pauta constante para as áreas de responsabilidade social das empresas, institutos e fundações."

A CEO da Me Poupe!, Nathalia Arcuri, levantou a transparência do direcionamento do dinheiro arrecadado como um fator essencial para intensificar a cultura de doação no país.

Sua fala recebeu apoio de Marcia Woods, que completou dizendo que "para que se mantenha esse processo recorrente de engajamento, é preciso que as organizações aperfeiçoem seus canais de comunicação com a população, mostrando os benefícios sociais que foram gerados por aquelas doações".

Arcuri também trouxe ao debate a importância de não considerar apenas doações financeiras como parte desse movimento de solidariedade.

"Tem muito mais do que dinheiro que a gente pode doar, e é importante incentivar que isso seja feito. Quando olhamos para a população que mais precisa de dinheiro, a gente sabe que só o dinheiro não funciona", aponta a especialista em finanças. Ela usa como exemplo a doação de tempo para levar educação a comunidades mais vulneráveis.

Eugênio Mattar, da Localiza e do Movimento Bem Maior, concorda com Nathalia e considera outras doações muito mais valiosas do que contribuições financeiras.

"A doação não é apenas financeira, a maior doação é a doação de tempo, de mentoria, isso vale mais do que qualquer recurso econômico que você coloque", afirma.

O seminário #ComoPossoAjudar tem como patrocinadores Intituto ACP, Instituto Mol e Movimento Bem Maior. E conta com apoio de Gife (Grupo de Institutos, Fundações e Empresas) e Movimento pela Cultura de Doação.

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