Editora Mol e Petz vendem 190 mil livros em plena pandemia

Dois dos maiores best-sellers no Brasil em 2020 fogem das livrarias: eles estão no caixa de petshops e têm parte da renda revertida para ONGs de proteção animal

São Paulo

Em um momento de crise econômica e um mercado editorial extremamente afetado, a Editora Mol conseguiu o que parecia impossível: em 2020, a empresa vendeu mais de 200 mil livros.

Um deles se transformou recentemente no maior best-seller do Brasil no ano, com mais de 91 mil unidades comercializadas em apenas 5 semanas e a tiragem total de 120 mil exemplares esgotada menos de dois meses após seu lançamento, na segunda metade de julho.

O caminho para alcançar esses números passa longe do tradicional, já que nenhuma das publicações mais vendidas da Mol está nas livrarias. Os campeões de venda estão em outros canais de varejo —mais precisamente na Petz, rede de produtos para animais de estimação.

O best-seller do ano pode ser encontrado entre sacos de ração e ossinhos para cachorro: ele é o "Ache o Bicho 2: Rumo ao Pódio", um livro para crianças e famílias que amam animais de estimação e esportes, com passatempos ilustrados por grandes artistas brasileiros.

Menos de um mês depois de seu lançamento na Petz, o produto superou 90 mil exemplares vendidos e bateu o favorito das livrarias em 2020, "Mais Esperto que o Diabo" (Citadel, 2011), que alcançou 76,1 mil unidades comercializadas desde janeiro.

A força do livro vem, principalmente, da causa que ele abraça: descontados os impostos e custos de produção, os R$ 7,90 pagos pelos clientes que levam um exemplar para casa se transforma em doação a ONGs dedicadas à proteção de animais abandonados.

"Levamos menos de 30 dias para vender o que os maiores best-sellers do Brasil neste ano venderam em mais de 6 meses", diz Roberta Faria, diretora-executiva da Editora Mol e integrante da Rede Folha de Empreendedores Socioambientais. Em 2018, Roberta levou o Prêmio Empreendedor Social junto a seu sócio e cofundador da Editora Mol Rodrigo Pipponzi.

“Nosso negócio sempre cresceu nas crises, então não temos dúvidas que essa é mais uma oportunidade para nós. Estamos aproveitando a onda de solidariedade gerada pela pandemia para oferecer um produto de qualidade, com preço acessível e que ainda apoia a causa animal."

A Editora Mol e a Petz estimam uma arrecadação de mais de R$ 390 mil em doações através do "Ache o Bicho 2". A doação se faz ainda mais necessária durante a pandemia, já que, desde março, abrigos pararam de receber recursos e começaram a sofrer até com com a falta de alimentos para seus bichos durante a quarentena e a crise econômica.

Em 2020, a Mol deve alcançar 20 milhões de produtos socioeditoriais vendidos —isto é, com renda revertida. Desses, mais de 660 mil foram comprados por clientes das lojas Petz.

A parceria, formada há 3 anos, já ultrapassa R$ 1,3 milhão doados para 48 ONGs de proteção animal.

“Isso não é um acidente de percurso: é um modelo de negócio que hackeou as operações do mercado livreiro, driblou a crise e colocou o impacto social como prioridade”, conta Roberta. Desde 2008, a Mol cria produtos socioeditoriais de sucesso: são livros, revistas, calendários e jogos impressos lúdicos, sempre vendidos em volumes altíssimos a preços acessíveis no varejo, por onde milhões de brasileiros circulam diariamente.

Dentro dessa lógica, a empresa já trabalhou com 14 redes varejistas, chegando a milhares de pontos de vendas e doando mais de R$ 35 milhóes para organizações que também atuam em áreas como saúde, educação e sustentabilidade.

Para dar certo, a Mol abre mão dos modelos tradicionais, que dependem de assinaturas, venda de publicidade e distribuição em livrarias ou bancas de jornal, e garante, assim, um ciclo mais transparente e sustentável, que elimina os intermediários e o desperdício de tiragem, comuns no mercado tradicional.

"É um modelo que valoriza a comodidade, introduzindo a doação na rotina do consumidor com discurso claro, produtos de qualidade, processos de distribuição eficientes e transparência absoluta no impacto social gerado", reforça Roberta.

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