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Hugo Bethlem

Posturas para empresas que curam e defendem o capitalismo consciente

Hugo Bethlem

Diretor-geral do Instituto Capitalismo Consciente Brasil

"Nosso principal propósito nessa vida é ajudar os outros. Se você não puder ajudá-los, pelo menos não os machuque”, disse Tenzin Gyatso, atual Dalai-lama.

Este sábio pensamento do 14º Dalai-lama reflete o espírito que guiou Raj Sisodia e Michael J. Gelb a escreverem o novo livro “Empresas que Curam”, lançado no Brasil pelo Instituto Capitalismo Consciente Brasil e editado pela Alta Books.

A ideia de uma empresa que cura vem de um dos pilares fundamentais do capitalismo consciente, fundado nos EUA em 2008 e implantado no Brasil em 2013: “os negócios conscientes devem ter um propósito maior”, ou seja, que vá além da geração de lucro.

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Hugo Bethlem, presidente do conselho do Instituto Capitalismo Consciente Brasil - Divulgação

O lucro é fundamental para a existência de uma empresa no livre mercado, mas não pode ser a sua razão de ser. Dessa forma, o propósito deve responder à seguinte questão fundamental: qual “dor” da sociedade o seu negócio pretende curar?

Respondendo a essa pergunta, deve-se alinhá-la à visão estratégica, isto é, como sua empresa faz dinheiro. O alinhamento dessas duas questões fundamentais criará uma empresa que tem alta relevância e gera grande impacto positivo na sociedade.

O capitalismo continua sendo a melhor forma de gerar riqueza e inclusão social das pessoas, desde que todos tenham oportunidades iguais. Entretanto, o capitalismo para shareholders (acionistas), aquele focado apenas e exclusivamente na maximização dos lucros ao acionista, tem acabado com o meio ambiente e com a saúde das pessoas.

Viemos durante anos seguindo uma máxima da caserna e nossas empresas foram moldadas nos princípios militares, onde devemos sempre “conquistar” o mercado e “derrotar” nossos concorrentes, não importando como isso é feito.

As novas gerações já não aceitam mais essa lógica e tampouco aqueles que como eu, depois de mais de 35 anos trabalhando em grandes empresas com esse pensamento, identificaram que esse caminho, da soma zero, do ganha/perde, está com os dias contatos.

Em “Empresas que curam” encontramos vários relatos e depoimentos de CEOs fantásticos que descobriram isso já há algum tempo e têm transformado de maneira brilhante suas companhias.

Internacionalmente temos o Whole Foods Market, a Patagônia, a Southwest Airlines, e multinacionais que no Brasil têm um papel de “cura” também, como Unilever e J&J.

Sem falar em empresas genuinamente brasileiras que estão dando lições de gestão humanizada, onde o cuidar e amar as pessoas vai à frente do resultado, como Bancoob, Reserva, Boticário, Cacau Show, Natura, ClearSale entre outras.

Mas o que as torna diferentes? Todas têm que dar lucro e gerar resultados, mas essas empresas tratam todos stakeholders de maneira equânime, criaram uma cultura e valores que garantem sua perpetuidade e têm, principalmente, um líder consciente que cuida das pessoas e do nosso planeta.

“Empresas que curam” são aquelas que, movidas pelo propósito maior, conseguem alinhar os stakeholders e geram riqueza para todos ao longo de sua jornada para curar uma dor da sociedade.

Essas empresas entenderam que o modelo atual, que coloca os interesses dos acionistas acima de todas as outras preocupações, resultou no sacrifício da decência em detrimento do dinamismo das relações e por consequência das entregas da empresa.

As novas gerações estão aí, e em dez anos serão a maioria no mercado de trabalho e consumo, e não aceitarão mais esse modelo. Estejam preparados. “Você pode evitar a realidade, mas não pode evitar as consequências de ter evitado a realidade” (Ayn Rend).

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