Coca-Cola lança primeira água mineral com embalagem 100% reciclada

Inovação é resultado de investimento em central de coleta de embalagens usadas

Gabriela Caseff
São Paulo

A primeira garrafa de água mineral produzida apenas com material PET reciclado chega ao mercado neste mês, em lançamento da Coca-Cola Femsa. A água da marca Crystal utiliza resina plástica reciclada e tem peso reduzido para facilitar a coleta e qualificar o processo de reciclagem da garrafa.

A inovação, que envolveu muita pesquisa e tecnologia, fortalece a economia circular ao substituir o uso de resina plástica virgem pela reciclada. A embalagem flexível e de menor volume possibilita diminuição nas emissões de gases poluentes associados ao processo. Com nova identidade visual, a Crystal também usará material reciclado em suas peças publicitárias nos pontos de venda.

No final de 2019, a companhia inaugurou a SustentaPET, investindo R$ 2,5 milhões na primeira central de coleta de embalagens usadas, na cidade de Osasco, São Paulo. A agregadora compra resíduos de cooperativas e catadores, sem intermediários, fomentando a economia circular da cadeia de reciclagem.

“Quando começamos essa jornada, percebemos que não havia matéria-prima no mercado”, conta Ian Marcel Craig, diretor de operações da Coca-Cola Femsa. “Hoje compramos resíduos a um preço justo, separamos e compactamos. A operação deu certo. Só no primeiro ano, coletamos mais de 100 milhões de garrafas.”, completa. A empresa se prepara para abrir mais uma central de coleta em Cosmópolis (São Paulo) e prevê unidades no Rio Grande Sul, Minas Gerais e Paraná.

Além do investimento na SustentaPET, a Coca-Cola Brasil doou R$ 1 milhão ao aplicativo Cataki, da organização Pimp My Carroça. O aplicativo permite encontrar catadores de materiais recicláveis, cooperativas e pontos de entrega próximos de sua localização. O Cataki conta com 3.000 agentes de reciclagem registrados em mais de 540 cidades do país.

As grandes indústrias vêm assumindo compromissos públicos com a agenda da economia circular a partir de pressões do mercado consumidor. “Pesquisas internas mostram que nosso público elenca sustentabilidade e meio ambiente como fatores decisivos na hora da compra. É papel da indústria se desafiar para atender à agenda da sustentabilidade sem onerar o consumidor.” diz Pedro Rios, vice-Presidente de Novas Bebidas da Coca-Cola Brasil.

Entre as metas da Coca-Cola Femsa estão só comercializar embalagens 100% recicláveis até 2025 e dar destinação correta a todas as embalagens que colocam no mercado – estão atualmente em 69%, considerando que o alumínio tem preço maior de mercado. Segundo a Associação Brasileira da Indústria do PET, apenas 51% das garrafas são recicladas no Brasil, contra 98% das latas de alumínio.

O próximo desafio para a companhia é cuidar do passivo ambiental, representado pelas embalagens incorretamente descartadas – aqueles 49% de garrafas não recicladas no país. Para Andrea Mota, diretora de sustentabilidade da Coca-Cola Brasil, a tarefa exige interlocução de todo o setor e disponibilidade de enxergar os resíduos como matéria-prima, e não lixo.

“Não dá para abraçar essa solução complexa sozinho. Nós fomentamos a circularidade das embalagens, mas a primeira coisa a fazer é parar de aumentar o passivo.”, diz Andrea. “Não queremos um planeta com plástico no oceano, queremos provar que é possível reverter a situação.”, completa.

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