Descrição de chapéu
Paula Fabiani e Fernanda Scur

Dicas para engajar colaboradores em ações solidárias e de impacto

Paula Fabiani

Diretora-presidente do Idis (Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social), parceiro do Prêmio Empreendedor Social

Fernanda Scur

Estrategista de parcerias de impacto social da Pyxera Global América Latina.

“Solidariedade” e “doação” foram palavras muito citadas nos momentos do auge da pandemia da Covid-19, pois foram esses dois conceitos, somados às diversas iniciativas do terceiro setor, que garantiram a sobrevivência de milhares de pessoas, vítimas diretas e indiretas do coronavírus.

Mas, na medida em que o sentimento de emergência arrefeceu, essas expressões começaram a minguar junto com o número de casos. Sabemos que sem uma boa dose de impulso, a tendência é que tudo volte ao que era antes, e que a solidariedade e a doação fiquem cada vez mais anestesiadas.

Portanto, estamos em um instante propício, senão necessário, para que as empresas usem a influência que têm sobre seus colaboradores para prolongar, ou talvez até perenizar, o hábito da doação.

Engajar os colaboradores em ações solidárias é uma iniciativa que traz benefícios para muitos. Os resultados possíveis dessa união são diversos, indo além do impacto social gerado.

Melhoria do clima organizacional, aumento do sentimento de pertencimento, oportunidade de desenvolvimento de competências, fortalecimento de laços entre colaboradores, aprofundamento do relacionamento com a comunidade da empresa, contribuição à estratégia de impacto e investimento social privado da empresa, contribuição à atração talentos e contribuição à reputação da marca junto a clientes são alguns dos benefícios de ações solidárias envolvendo os colaboradores.

Ou seja, estamos falando do tripé impacto nos colaboradores, impacto no negócio, e impacto na sociedade.

Tudo isso sem mencionar a melhora da imagem junto aos clientes. E pesquisas mostram que consumidores esperam, cada vez mais, que as empresas desempenhem um papel social relevante. O consumidor demanda ações concretas da iniciativa privada, recompensando as marcas que admira e punindo aquelas que não correspondem às expectativas.

Na segunda semana de novembro, o Idis e a Pyxera Global promoveram um workshop sobre iniciativas solidárias envolvendo funcionários. A partir desse evento, criamos um passo a passo para orientar os interessados em engajar os funcionários em atividades de solidariedade, mas não sabem exatamente por onde começar.

Vamos começar pela escolha do foco de atuação. Todos sabemos que os desafios socioambientais no Brasil são inúmeros e complexos. Em geral, é mais proveitoso investir tempo e recursos em um único foco de atuação do que distribuir para vários projetos de diferentes causas, pois o impacto gerado tende a ser maior. A escolha da causa deve vir de dentro para fora. A causa deve ser coerente com as práticas organizacionais da empresa e com os interesses do público interno.

Quanto mais o investimento social privado for uma extensão do comportamento gerencial e uma extensão dos negócios, dos valores e dos princípios da empresa, melhor.

Para conhecer os desejos dos colaboradores, faça uma pesquisa. Um jeito legal e divertido de fazer esse mapeamento é aplicar o teste Descubra sua Causa. E se houver recursos, estender esse mapeamento a fornecedores e clientes permitirá entender com ainda mais detalhes os interesses daqueles que fazem parte de seu ecossistema.

A partir desse ponto, é fundamental conhecer mais sobre problema que se pretende atacar, entender como a comunidade pensa, as necessidades de investimento, as demandas sociais e construir uma visão de futuro madura, de onde se quer checar e como se pode chegar ao que se pretende.

Empresas concorrentes também devem ser foco de atenção. Conheça o que elas estão fazendo e avalie se gostaria de apostar em uma diferenciação ou se há possibilidade para uma atuação conjunta, potencializando o impacto positivo para a causa. Por fim, conhecer as políticas públicas voltadas para o desenvolvimento socioambiental também é importante nesse processo.

As informações já foram coletadas. O próximo passo é organizá-las e discuti-las com as lideranças da empresa, para que se tome uma decisão de política corporativa em relação à iniciativa e sobre como colaboradores podem ser envolvidos.

Os objetivos e práticas devem estar alinhados com as políticas de sustentabilidade e responsabilidade social da empresa e o mapeamento interno e externo permitirão uma tomada de decisão consciente e coerente com o negócio, não apenas baseada na intuição ou na opinião pessoal de algumas lideranças.

Nesse âmbito será possível definir também as questões de governança do projeto. Quem será responsável pela implementação? Que outras áreas devem ser envolvidas e de onde virá o orçamento?

Esses elementos serão a base para desenhar com segurança o programa –como será feita a gestão, quais indicadores serão usados para acompanhar os resultados do investimento social e do programa de engajamento de colaboradores, como os beneficiários serão abordados, como os colaboradores poderão participar. Haverá algum tipo de “matching” da empresa? Em caso de voluntariado, os profissionais serão estimulados a usar conhecimentos técnicos ou gerais? Poderão atuar durante o período de trabalho ou farão as atividades em seu tempo livre?

Um plano de comunicação permitirá disseminar a iniciativa entre todos os públicos da empresa –sejam internos ou externos– e mobilizar os colaboradores que irão participar do programa. Uma vez lançado, é essencial monitor e a avaliar seu desempenho, além de reconhecer o trabalho das pessoas que estão participando e compartilhar os resultados.

Ao longo deste processo muitos aprendizados surgirão. Esteja sempre atento e aberto à escuta para que no próximo ciclo as lições aprendidas sejam incorporadas.

Com todas essas dicas, seguindo um planejamento bem feito e estruturado, a empresa estará abrindo um novo caminho, impactando realmente quem precisa e gerando valor, imagem positiva e andando lado a lado com o seu propósito.

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.