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Metade das organizações sociais brasileiras afirma ter dificuldades para se manter após a pandemia

Falta de apoiadores financeiros é apontada como dificuldade para 41% das ONGs segundo pesquisa Datafolha em parceria com Ambev

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São Paulo

Manter o ritmo de doações é o próximo desafio para metade das organizações sociais brasileiras após a pandemia. Pesquisa do Datafolha em parceria com a Ambev mostra que as adversidades já enfrentadas pelas ONGs foram acentuadas com a crise sanitária e econômica.

Dentre as principais dificuldades destacadas para a sua sobrevivência estão a falta de apoiadores financeiros (41%), doações de materiais e equipamentos (13%) e voluntários para ajudarem a organização a se reerguer (11%).

Segundo o Monitor de Doações da ABCR, R$ 6,4 bilhões foram doados como resposta à Covid-19 até a semana de 15 de novembro. A maioria das contribuições, entretanto, ocorreu nos dois primeiros meses da pandemia. Em junho, as doações caíram para R$ 270 milhões. Em outubro, foram R$ 134 milhões.

Para mitigar os impactos da Covid-19 nas populações mais vulneráveis, as ONGs precisaram aumentar gastos em 2020. A compra de produtos relacionados à prevenção do coronavírus (20%), alimentos (14%) e investimentos em estrutura para trabalho remoto (10%) entraram na rotina das organizações, que foram obrigadas a se reinventar em um período que exigiu criatividade, paciência e atuação em rede.

ações das ONGs com crianças
Atuação da Ambev com organizações sociais por meio do programa Voa - Divulgação

Os problemas ligados à questão financeira são definidos como preocupantes para 42% das organizações nas regiões Norte e Centro Oeste, 51% no Nordeste, 36% no Sudeste e 35% no Sul.

“As ONGs sabem que é preciso juntar forças entre os voluntários e a sociedade. Com um maior envolvimento da comunidade, empresas e governo, o trabalho dessas organizações pode ter um impacto ainda maior, principalmente no cenário atual”, comenta Carlos Pignatari, gerente de Impacto Social na Ambev.

Ainda que a captação de recursos seja um problema recorrente no dia a dia das organizações antes da pandemia –relatado por 23% delas–, a colaboração da sociedade foi fundamental para que elas atendessem ao público na ponta.

As principais doações recebidas foram de alimentos e cestas básicas (45%), produtos relacionados à prevenção da Covid-19 (28%), produtos de higiene pessoal (25%) e contribuições financeiras (21%).

“Pensar em um plano de ação consistente, com metas e objetivos bem definidos, é uma forma de preparar a ONG para os desafios do futuro”, afirma Pignatari. Desde 2018, a Ambev oferece mentoria voluntária a organizações por meio do programa Voa. “Parte desses problemas podem ser resolvidos graças a uma gestão bem preparada”.

A União de Núcleos, Associações dos Moradores de Heliópolis e Região (Unas) é uma das organizações que participou do programa Voa. Durante a pandemia, a Unas se reinventou, atuando para garantir segurança alimentar e prevenção às pessoas da maior favela de São Paulo.

“Se a sociedade não tivesse se envolvido, muitos de nós não estaríamos aqui para contar essa história”, diz Cleide Alves, presidente da Unas.

Com o aumento de casos de Covid-19 na cidade, a entidade se prepara para atuar de maneira estratégica, com pesquisas locais sobre primeira infância, desemprego, violência, entre outros dados. “As pesquisas melhoraram nossa atuação, pois conseguimos prestar contas e sensibilizar a população”, diz.

Para a Turma do Bem, organização que oferece tratamento odontológico gratuito para jovens em situação de vulnerabilidade social e mulheres vítimas de violência, o momento é de sobreviver. “Estamos com plano de contingência, adaptando projetos e gritando por doações”, diz Fábio Bibancos, cirurgião dentista e Presidente Voluntário da Turma do Bem.

Por conta do vírus, precisaram adaptar protocolos de atendimento e procedimentos e as mulheres vítimas de violência foram priorizadas. Segundo ele, mesmo com os dentistas na linha de frente durante a pandemia, as doações minguaram.

Desde o final de novembro, a Turma do Bem promove a campanha Feliz por Ajudar, com o propósito de criar uma grande rede virtual de estímulo ao voluntariado e ao exercício da cidadania. A arrecadação de recursos também é prioridade, com estímulo através de vídeos e lives com personalidades como Chico Buarque, Teresa Cristina, Ana Claudia Michels, Gretchen e Thammy, entre outros.

“Nosso lugar é do Brasil solidário. Nós ajudamos e precisamos ser ajudados”, comenta Bibancos.

O aumento de pessoas atendidas no período após a pandemia é um dado preocupante para as organizações, segundo o Datafolha. Entre as ONGs que acreditam que o número de pessoas irá aumentar, 54% estão no Nordeste, 37% do Sudeste, 26% do Centro Oeste e Norte e 17% no Sul.​

Foram realizadas 311 entrevistas com organizações sociais, distribuídas nas cinco regiões do país, entre 18 e 26 de novembro deste ano. A margem de erro é de 6 pontos percentuais, para mais ou para menos, dentro do nível de confiança de 95%.

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