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Alex Melo

O significado por trás de um milhão de downloads

Alex Melo

Idealizador da ONG “Meu sonho não tem fim”, organização que tem como principal missão possibilitar que cada cidadão torne-se um agente de transformação na sociedade.

Quando criei o livro “Pequeninos Sonhadores” em 2014, obra que leva o exemplo de vida dos “grandes sonhadores” para o universo infantojuvenil, jamais poderia imaginar que chegaríamos à marca de um milhão de downloads gratuitos realizados durante a pandemia.

Trata-se de um alento em meio ao triste cenário dos últimos meses, uma vez que o livro busca apresentar às crianças e jovens 24 grandes exemplos de vida, associando-os a virtudes distintas —a coragem de Martin Luther King, a cidadania de Betinho, a esperança de Zilda Arns, entre outras.

Boa parte de nós tem a consciência de que infelizmente sairemos da pandemia com um país mais desigual e mais pobre, mas do qual não podemos desistir. Precisaremos enfrentar os tempos sombrios que virão e sonharmos de que ainda temos a possibilidade de construir um país melhor: mais justo, ético, tolerante e fraterno.

Alex Melo, fundador da ONG Meu Sonho Não Tem Fim
Alex Melo, fundador da ONG Meu Sonho Não Tem Fim - Divulgação

Isto é o que nos resta, a esperança da possibilidade de que cada cidadão possa tornar-se um agente de transformação em nossa sociedade. Albert Schweitzer, Nobel da Paz em 1952 e um dos “grandes sonhadores” da ONG Meu Sonho Não Tem Fim, dizia que nosso maior erro como indivíduos é seguirmos pela vida com os olhos fechados às nossas chances de auxiliar a quem necessita, pois para onde quer que vire seu rosto, o homem encontra alguém que precise dele. Esta é a essência que norteia nosso livro, assim como todos os projetos e ações sociais da organização.

Já são quase 150 mil mortes no Brasil devido ao coronavírus, uma situação que para muitos ainda passa despercebida, pois parece ser uma tragédia dispersa.

Vemos estas histórias tornarem-se números e estatísticas, como se cada uma delas não carregasse nomes, dramas e sonhos interrompidos. Enquanto escrevo este texto, o país contabiliza mais óbitos, mais vítimas do nosso descaso e falência como sociedade.

Para muitas famílias trata-se de mais um luto, mais uma perda irreparável. Já para nós como humanidade trata-se de nosso maior tesouro se perdendo por conta da indiferença, ganância e crueldade do poder público, e principalmente pela conformidade, falta de empatia e descaso da maioria de nós. Afinal, como já dizia o saudoso e inesquecível Martin Luther King, “nós não lamentamos tanto os crimes dos perversos, quanto o estarrecedor silêncio dos bondosos”.

Mesmo com este cenário nebuloso, eu ainda tenho confiança em nosso poder de reação e de que temos a capacidade de mudar nossa triste realidade, primeiramente mudando a nós mesmos --tolerando mais, respeitando mais, amando mais, fazendo mais.

Ninguém é tão pobre que nada tenha a oferecer, nem tão rico que nada tenha a receber. Em meio a esta pandemia, parte de nós descobriu que existem milhões de pessoas com problemas imensamente maiores do que os nossos e que muitos têm a pobreza extrema como companheira inseparável.

São pessoas que, quando se levantam pela manhã, não sabem de onde virá e quando virá a próxima refeição. Cabe a cada um de nós começar a agir como agente de transformação desta triste realidade brasileira.

Tenho a certeza de que cada uma das mais de um milhão de pessoas que baixaram o livro “Pequeninos Sonhadores” nos últimos meses já fez o mais importante: deu o primeiro passo.

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