Startup desenvolve robô para monitorar Covid-19 em tempo recorde

Vitalk envia mais de 7 milhões de mensagens por sistema de telemedicina feito para Ministério da Saúde para triagem e prevenção no pico da pandemia

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Michael Kapps, finalista do Empreendedor Social do Ano em Resposta à Covid-19 na categoria Mitigação, com a iniciativa Vitalk Renato Stockler

Fernanda Cirenza
São Paulo

Vitalk

  • Organização Vitalk
  • Empreendedor Michael Kapps
  • Site https://vitalk.com.br

Em 48 horas, um grupo de 12 profissionais da Vitalk, entre programadores, produtores de conteúdo e técnicos de saúde, disponibilizou para o Ministério da Saúde um sistema de inteligência artificial para prevenção e triagem dos sintomas da Covid-19.

“Nunca tínhamos construído em escala nacional um programa em tão pouco tempo”, diz o economista Michael Kapps, CEO da Vitalk. “E, no início, as informações sobre a doença não eram claras.”

Só pelo TeleSUS, entre abril e setembro, o chatbot (conversa automatizada de texto) interagiu com 1,5 milhão de brasileiros para tirar dúvidas, avaliar o estado de saúde e checar sintomas de cidadãos com suspeita de contaminação pelo coronavírus.

Além da triagem, o sistema localiza casos de risco e os encaminha para os serviços de saúde, em unidades físicas ou por telemedicina. Acessada de qualquer lugar e disponível 24 horas, a ferramenta foi criada para evitar o deslocamento desnecessário de pacientes, reduzindo risco de contágio.

“Triagem importante por liberar tempo para as equipes médicas se ocuparem dos casos extremos”, diz Kapps.

Com experiência em monitorar epidemias, como a da dengue, a "health tech" foi procurada por diversas secretarias municipais e estaduais, assim como seguradoras, em busca de soluções para gerenciar a crise da Covid-19.

Logo nas primeiras semanas de surto da doença, 30 novos contratos foram fechados, sinal de que a tecnologia seria aliada na emergência sanitária. Caso de Manaus (AM), primeira capital a entrar em colapso, onde a Vitalk operou no sistema de saúde complementar.

“Cerca de 70% dos usuários dos chatbots não precisaram de atendimento humano”, contatou Daniel Fonseca, diretor técnico do grupo Samel, que usou os robôs para atender a carteira de clientes do plano de saúde no estado.

Desafogou assim os dois hospitais do grupo. “A tecnologia salva vidas, e a pandemia mostrou que o sistema de saúde precisa se renovar.”

A maior dificuldade, diz Kapps, foi lidar com as mudanças nas informações oficiais sobre a doença. “Cada dia surgia protocolo diferente sobre a Covid-19. Foi um trabalho operacional complexo.”

William Fujiwara, analista da startup, relata o corre-corre de todo o time. “Tínhamos muitos clientes em busca de solução digital. Nosso esforço valeu a pena.”

A soma de todas as operações virtuais na pandemia resultou em mais de 7 milhões de mensagens enviadas pelos robôs. “Foram geradas mais de 25 mil notificações para a análise e a gestão de risco”, explica Kapps.

O sistema de chatbots da Covid-19 impulsionou outro importante produto da startup. Lançado em 2019, o aplicativo Vitalk, voltado para a saúde mental, teve o dobro de downloads gratuitos na pandemia —de 100 mil para 200 mil. E fez a carteira de clientes passar de 30 para 60.

A partir de um programa de perguntas e respostas elaborado por um time de comunicadores e profissionais da saúde, a robô Viki estabelece uma rotina de conversas com pacientes. Na pandemia, um dos públicos-alvo foram profissionais da linha de frente no combate à Covid.

“Contribuímos remotamente para tirar parte da sobrecarga emocional para mais de 5.000 médicos, enfermeiras e auxiliares de enfermagem, que usaram o Vitalk, enquanto colocam as vidas em risco para cuidar da população”, afirma Kapps.

Mais de 30% dos profissionais que se cadastraram no app seguiram a linha de cuidado de ansiedade. Foram computadas 16 mil conversas no check-up de saúde mental e emergência psicológica.

"O resultado dos testes e os exercícios me levaram a ter consciência da gravidade do meu caso e a correr atrás de auxílio para reverter a situação”, relata um usuário em mensagem enviada à Vitalk.

O Brasil concentra, segundo a OMS, cerca de 19 milhões de brasileiros com ansiedade e estresse. “Com o isolamento social provocado pela Covid, mais pessoas estão tendo de lidar com essas questões”, acredita Kapps.

O aplicativo é gratuito e conta com psicólogos cadastrados, que oferecem sessão por R$ 25. “É uma forma de democratizar a saúde”, afirma o CEO. Grandes empresas, como a Johnson & Johnson e a rede Droga Raia, vêm adotando a ferramenta para clientes e colaboradores.

Para Anna de Souza Aranha, diretora da Quintessa, que acelera negócios de impacto, as ferramentas da Vitalk trazem equidade. “No Brasil, temos dificuldade de acesso à saúde de qualidade por barreiras financeiras e geográficas. A tecnologia é solução acessível.”

Nascido na Rússia e criado no Canadá, Kapps esteve pela primeira vez no Brasil em 2011, quando viveu por quatro meses como vaqueiro em uma fazenda no Pantanal. Voltou aos Estados Unidos para terminar sua graduação em economia na Universidade Harvard. Dois anos depois, retornava para fundar um negócio de impacto movido pelo desejo de revolucionar a saúde no Brasil.

A startup, finalista do Prêmio Empreendedor Social de Futuro em 2016, ganhou escala ao atender às demandas na pandemia. “Fizemos parte da primeira grande inovação tecnológica do SUS, dando passos iniciais em direção à aceitação da telemedicina”, reconhece o vaqueiro digital.

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Vitalk

  • 1,5 milhão de pessoas impactadas
  • R$ 6 milhões em recursos mobilizados
  • 130 mil downloads do aplicativo
  • 7 milhões de mensagens trocadas
  • 25 mil notificações de alto risco
  • 86,5% da interações pelo chatbot ocorreram por meio do Ministério da Saúde
  • R$ 25 custa uma sessão com psicólogo pelo aplicativo da Vitalk

Vote e/ou doe para esta iniciativa na Escolha do Leitor até 30 de abril em folha.com/escolhadoleitor2021

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