Descrição de chapéu Dias Melhores Itaú

Índice de mortes por Covid-19 entre idosos é de 3,2% em 617 instituições

Pesquisa da FGV mostra impacto de programa criado pelo Todos pela Saúde, uma das iniciativas de destaque do Empreendedor Social do Ano, na categoria Legado Pós-Pandemia

Com 33 idosos residentes, o lar da Ordem Auxiliadora das Senhoras Evangélicas, na Freguesia do Ó em São Paulo, atravessou a pandemia com um óbito por Covid-19 e um caso grave que necessitou de internação.

Em setembro, a entidade filantrópica, instalada há 72 anos em um terreno de 5.000 m2 de uma antiga fazenda na zona noroeste da capital paulista, registrou a perda de uma moradora de 96 anos.

Em dezembro, foi a vez de outra residente de 73 anos lutar contra os efeitos mais fortes da doença. Sete dos 42 funcionários da instituição luterana foram infectados desde a chegada do coronavírus ao país.

“Conseguimos isolar bem os nossos residentes ao longo do ano. Mas acredito que os funcionários deram uma relaxada, por achar que havia passado a primeira onda, e acabaram trazendo a Covid-19 para dentro da instituição nessa segunda onda”, afirma Ingrid Schreyer, 38, responsável técnica da ILPI (Instituição de Longa Permanência de Idosos).

Idosos sendo cuidados em asilo
Residente da ILPI (Instituição de Longa Permanência para Idosos) da Ordem Auxiliadora das Senhoras Evangélicas, na Freguesia do Ó em São Paulo - Divulgação

Os dois casos acenderam o alerta vermelho. Foi preciso voltar ao rigor dos protocolos de proteção e isolamento, que foram eficazes no auge da pandemia.

A tradicional festa de Natal com todas as famílias reunidas, por exemplo, foi substituída por dez ceias ao longo do mês de dezembro, entre os dias 12 e 22.

“Foram jantares com no máximo cinco familiares de cada idoso em nosso salão, que é bem amplo, seguindo todas as regras de distanciamento e segurança, com duas famílias convidadas por vez”, explica Ingrid.

A nutricionista relata o temor com que assistiu a chegada da Covid-19 em instituições de idosos no exterior. “Foi um choque ver óbitos em massa em casa de repouso na Europa.”

Para evitar que a tragédia se repetisse no Brasil, a entidade começou a elaborar protolocos com apoio do HCor e da Prefeitura de São Paulo.

A garantia de que as medidas de segurança seriam tomadas veio com a seleção da instituição para ser uma das 617 beneficiadas pelo programa voltado para as ILPIs do Todos pela Saúde, uma das iniciativas de destaque do Empreendedor Social do Ano.

Financiada pelo fundo criado pelo Itaú Unibanco, a ação destinou R$ 125 milhões para equipar e melhorar a estruturura das ILPIs, além de realizar 54 mil testes em idosos e cuidadores.

Os números do projeto em 23 estados são grandiosos: foram doados 40 milhões de itens de higiene e limpeza, EPIs, termômetros, oxímetros e produtos eletrônicos, como TVs, máquina de lavar e tablets.

A força-tarefa de saúde, proteção e bem-estar trouxe resultados positivos como número reduzido de mortalidade entre o público etário mais vulnerável ao coronavírus.

Entre os residentes, o índice de mortes é de 3,24% por Covid-19, quando na Europa no auge da crise sanitária, a mortandade em asilos e casas de repouso para idosos chegou a alarmantes 80%.

‘Em comparação com o cenário internacional, registoru-se poucos óbitos em instittuições de idosos no Brasil”, diz Luciana Nicola, 43, superintendente de Relações Institucionais, Sustentabilidade e Negócios Inclusivos do Itaú Unibanco, que coordenou as ações de socorro às ILPIs promovidas pelo Todos pela Saúde.

“Chegamos no momento certo para salvar vidas desse público tão vulnerável na pandemia.”

Segundo ela, o fato de o projeto ter se estruturado para atuar antes do contágio em massa foi determinante para reduzir a mortalidade.

“Assim também como aplicar o protocolo correto e a distribuição e uso de EPIs, bem como garantir o rápido isolamento dos casos confirmados”, afirma a gestora.

O monitoramente adequado, com oxímetros e termômetros doados, e a testagem em massa garantiram o isolamento dos casos suspeitos e confirmados, bem como a transferência para hospitais quando necessário.

A gestora de serviços de saúde, Thaís Costa, foi contratada como uma das 250 visitadoras do projeto, responsável pelo monitoramento de seis ILPIs selecionadas em Goiânia.

Entre julho e novembro, ela fazia visitas semanais –presenciais ou virtuais – às instituições assistidas, que abrigavam cerca de 200 idosos no total. “Quando chegamos com suporte e orientação, encontramos entidades abandonadas e gestores em total desespero”, relata Thais.

Faltavam EPIs, como máscara para os idosos e luvas para os cuidadores. “A situação era dramática, mas foi gratificante participar de um projeto tão bem organizado, com planejamento claro e metas atingíveis em um momento tão crítico”, diz ela, que fez a capacitação dos cuidadores e acompanhou os testes.

Viu o impacto positivo da chegada de televisores e radinhos de pilha que animavam o cotidiano dos idosos. “Muitas instituições não tinham televisão. Ter uma máquina de lavar também foi um enorme ganho diante do défict de pessoal”, relata Thais.

O meio de comunicação da velha guarda chegou em boa hora em instituições que as visitas de parentes foram suspensas por longos períodos.

O Todos pela Saúde também distribuiu tablets para que os idosos pudessem interagir com escoteiros, um braço de saúde mental do programa. O projeto mereceu nota máxima na avaliação de 93% das ILPIs contempladas, de acordo com pesquisa da FGV sobre o impacto do projeto.

Para 24% dos beneficiários a maior contribuição foi o fornecimento de EPIs, seguido de 15% que consideram os treinamentos dos protocolos de segurança e protectão o mais importante. Outros 15% acham que o maior ganho foi na adesão aos protocolos.​

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