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'Quando penso Maré, penso em minha casa', diz ex-morador de rua acolhido na pandemia

ONG lidera ações emergenciais e estratégicas no 'Maré Diz Não ao Coronavírus', um dos 30 destaques do Empreendedor Social do Ano, premiado na categoria Legado

São Paulo

Quando a favela da Maré disse “não” ao coronavírus, na campanha criada pela organização Redes da Maré, Leonardo da Silva, 35, foi um dos primeiros a se engajar.

Aproximou-se do Centro de Artes, onde se organizava toda a logística da iniciativa. Descarregou carros e caminhões e ajudou na entrega de cestas básicas. Era o primeiro a chegar e um dos últimos a sair. A sua intenção era garantir uma refeição em troca do trabalho. Mas a participação na campanha lhe rendeu mais que uma quentinha diária.

Leonardo chegou à favela da Maré pela Avenida Brasil. Deslocava-se pelo Rio de Janeiro e dormia cada noite em um lugar, sempre junto a outras pessoas em situação de rua.

Leonardo da Silva, ex-morador de rua acolhido pela organização Redes da Maré durante a pandemia
Leonardo da Silva, ex-morador de rua acolhido pela organização Redes da Maré durante a pandemia - Reprodução/Facebook

Uns conhecidos lhe apresentaram o Espaço Normal, local de convivência criado pela Redes da Maré que ofertava banheiro, chuveiro, cozinha e atividades culturais. Antes da pandemia, 60 pessoas circulavam por lá diariamente.

A capacidade de comunicação de Leonardo, sempre contando histórias e trazendo notícias do que acontecia na sua vida e no território, chamou a atenção da equipe.

Propuseram que ele participasse da atividade de entrega do jornal Maré de Notícias, como uma ação de geração de renda. Ele não só aceitou, como quis participar das reuniões de pauta do jornal, trazendo suas observações sobre o interesse da população e diálogo com os moradores no momento de entrega.

Quando o vírus chegou, o Espaço Normal precisou fechar sua atuação de convivência com o público e o jornal passou para o modelo online, sem distribuição na rua. Participar da campanha Maré Diz Não ao Coronavírus foi uma maneira de Leonardo seguir ativo.

Além da segurança alimentar, a organização criou uma frente de saúde, com a proposta de trazer para a favela testagem, telemedicina e programa de isolamento domiciliar.

Leonardo foi convidado a integrar a equipe de campo que faria a comunicação no território. Hoje ele trabalha de carteira assinada e atua divulgando o projeto nas 16 favelas da Maré. Com o recurso, Leonardo alugou um quarto, com apoio da equipe da Redes da Maré, que ajudou a juntar doações para a compra dos itens para sua nova casa.

“O fato de você não acordar com a luz do sol no seu rosto faz diferença”, diz ele. Ele conseguiu refazer seus documentos e foi visitar sua família.

O próximo passo é retomar os estudos e fazer faculdade de comunicação. “Quando fala em Maré a primeira coisa que vem na minha cabeça é mudança”, diz ele.

“A Maré dá oportunidades para diversas pessoas, sejam pessoas que vivem na cena, trabalhador, estudante. Quando penso Maré, penso na minha casa."

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