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2021 com pandemia de empreendedores de impacto social e ambiental

Tive a certeza, como jurado do Prêmio Empreendedor Social, que há muita gente buscando ajudar o próximo

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Marcus Nakagawa

Professor da ESPM e coordenador do Centro ESPM de Desenvolvimento Socioambiental. É idealizador e diretor da Abraps e palestrante sobre sustentabilidade, empreendedorismo e estilo de vida.

O ano de 2020 ficará marcado eternamente para todos os habitantes do planeta Terra. A pandemia está deixando um rastro de tristeza, medo e novos hábitos.

A cada nova “onda” de infectados, também vem uma onda de cuidados e esperança. Mesmo com a vacina, até todos estarem imunizados ainda levará alguns meses. O tal do “novo” normal (não gosto deste termo e fiz um artigo sobre isso) chegará logo mais e temos que nos preparar.

Algumas “caixas” de Pandora foram abertas e escancaradas. Listo algumas: a fragilidade da saúde no país, que deixou faltar insumos e oxigênio até em capitais; a desigualdade social que se agravou ainda mais; a entrada de mais gente nos números abaixo da linha da pobreza; a educação que precisou colocar tecnologia às pressas.

E tem aquelas relacionadas ao meio ambiente: o cuidado com resíduos, conhecidos como lixo, para não ser contaminado; as queimadas e o desmatamento que ganharam grande visibilidade; o cuidado com os animais silvestres, devido à contaminação biológica; a mobilidade nas grandes cidades, que começaram a ser repensadas para evitar aglomerações.

Todos estes desafios agora precisam ser encarados, certo? Não adianta ficarmos só postando e reclamando nas redes sociais e não agirmos.

Temos vários bons exemplos que, ao longo da pandemia, “arregaçaram as mangas” e foram em frente, ajudando pessoas como conseguiam.

O Prêmio Empreendedor Social, da Folha, destacou 30 destes projetos, iniciativas, ações e negócios. Empreendedores de impacto que fizeram grande diferença neste momento tão crítico. A maioria deles em total sinergia com os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, os ODSs, da ONU.

Um ótimo exemplo é o premiado Edu Lyra, CEO da ONG Gerando Falcões. Já tivemos a oportunidade de tê-lo na ESPM, mostrando seu caso de sucesso para alunos e alunas.

Lyra conseguiu, na pandemia, R$ 25,6 milhões em doações, distribuiu mais de 83 mil cestas básicas digitais, articulou 157 organizações e atingiu 451 comunidades com 512 mil pessoas impactadas. E, ainda, criou o Varejo Social, segundo ele, o “Magazine Luiza da Favela”, com um Bazar Escola que gera renda e sustentabilidade.

Outro exemplo premiado foi estruturado a partir de um grupo de WhatsApp, com pessoas que queriam ajudar na pandemia, com os empreendedores sociais: Marcella Monteiro de Barros Coelho, Tatiana Thomaz Monteiro de Barros, Daniel Serra, Bel Motta e Nelinho Chagas.

Deste grupo nasceu a União BR, onde tive a feliz oportunidade de dar palestras sobre captação de recursos para o time, com integrantes do Brasil inteiro, com aulas online.

Desta união, conseguiram arrecadar mais de R$ 150 milhões, mobilizaram mais de 3.000 voluntários e impactaram 8,5 milhões de pessoas. Incrível, não é?

Talvez o mais difícil tenha sido ser jurado do Empreendedor Social, pois haviam excelentes iniciativas das quais precisamos avaliar e escolher trinta.

Todos os projetos e ações legítimos, verdadeiros, humanos, sensíveis, necessários e mobilizadores. Nossa, quantos adjetivos em uma só frase, mas eu queria colocar muito mais!

Dentro dessa onda de empreendedores de impacto social e ambiental, gosto de sempre destacar o Monitor de Doações, da Associação Brasileira de Captadores de Recursos (ABCR) , que apontou quase R$ 6,5 bilhões doados por empresas e pessoas físicas na pandemia.

Muitas destas doações chegaram aos locais mais longínquos do país para a sobrevivência de muita gente.

E nas questões ambientais destaco o documentário “Descarte”, do Leonardo Brant, que chegou às plataformas digitais em janeiro. Quem disse que não dava para produzir em época de pandemia?

Brant gravou durante a quarentena, com filmagens presenciais e remotas, com 21 especialistas e o documentário mostra a história de sete artistas, designers, artesãos e ativistas que transformam materiais recicláveis e lidam com os resíduos diariamente e com muita criatividade.

De uma forma descontraída, “Descarte” aborda esta temática fundamental, principalmente agora que muitas pessoas se deram conta, em seus confinamentos, da quantidade de resíduos que produzem. Vale a pena assistir!

Sei que a minha “bolha” faz com que eu tenha a percepção de que muitas pessoas e organizações estão atuando em prol do chamado bem coletivo, mas ao longo do ano tive a certeza, por meio das minhas leituras e como jurado do Prêmio Empreendedor Social, que realmente é muita gente buscando ajudar.

Fora os meus alunos e alunas que, cada vez mais, se engajam e querem buscar algo para melhorar as condições de vida de outras pessoas.

A pandemia do novo coronavírus vai passar, a vacina vai funcionar, o normal de verdade precisa ser construído. E em 2021 precisamos de uma “pandemia” de empreendedores de impacto socioambiental com iniciativas sociais para alcançarmos os 17 ODSs e não deixar ninguém para trás.

Bom início de ano e re-start do normal de verdade!

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