Nova fábrica do Butantan será erguida com R$ 170 milhões doados por 35 empresas

Modelo de governança compartilhado criado pela Comunitas atraiu iniciativa privada

São Paulo

“No dia 30 de setembro teremos uma fábrica de vacinas pronta”, diz Regina Esteves, diretora-presidente da Comunitas. A organização social criou o modelo de governança que atraiu R$ 170 milhões da iniciativa privada e viabilizou a construção da fábrica para produção nacional da Coronavac.

As doações de 35 grandes empresas foram mobilizadas pela Comunitas em parceria com o governo do Estado de São Paulo, por meio da InvestSP e a Fundação Butantan.

Esteves, que foi finalista do prêmio Empreendedor Social do Ano em Resposta à Covid-19 ao mobilizar R$ 50 milhões no enfrentamento à pandemia em 2020, diz que o sucesso da arrecadação se deve à gestão compartilhada do projeto.

“O modelo atraiu empresas porque tem eficiência, planejamento e deixa um legado para o país”, comenta.

Ela explica que não se trata somente de uma doação. A parceria público-privada garante que todos os entes participem das tomadas de decisão do projeto, como recebimento de fundos, modelagem jurídica, execução da obra e comunicação.

Para isso, foram criados comitês temáticos que unem empresas, setor público e a Comunitas como representante da sociedade civil. “É o maior exemplo de parceria público-privada de impacto social”, diz Regina Esteves.

“É algo inédito e temos que fortalecer esse modelo no Brasil porque pode somar muito em eficiência e processos compartilhados”, completa.

A nova fábrica, batizada de Centro Multipropósito para Produção de Vacinas, terá 7.000 m², quase quatro vezes maior que a atual fábrica do Instituto Butantan, que tem 1.880 m².

A estrutura física do prédio já existe, mas está sendo adaptada, ampliada e modernizada para a produção totalmente nacional da vacina, eliminando a necessidade de importação da matéria-prima que dá origem ao imunizante contra a Covid-19.

Regina Esteves, diretora da Comunitas, foi finalista do Empreendedor Social do Ano em Resposta à Covid-19 - Renato Stockler/ Na Lata

A governança compartilhada se estende até a fábrica produzir o primeiro lote de vacinas. Depois, a autonomia será do Butantan, que estima produzir 100 milhões de doses da Coronavac por ano, a partir de janeiro de 2022.

“O que deixamos é o legado de gestão, com prazos e remuneração por resultados, e a agilidade da operação, que jamais seriam conquistados somente com recurso público”, afirma Regina Esteves.

Com quase um ano de esforços contra os impactos da pandemia no país, a executiva acredita em um amadurecimento das parcerias público-privadas no período.

“No início houve a filantropia, passamos por um momento de pensar uma política pública mais eficiente e chegou a hora de olhar para o legado que deixaremos dessa união”.

A nova fábrica é um desses legados, mas Esteves tem outros desafios em mente. “Temos um SUS que funciona, mas que poderia ser muito mais eficiente com gestão digital”, diz.

Os efeitos da pandemia na educação também estão em sua agenda. Em 2020, a Comunitas assegurou renda mínima a 113 mil estudantes do ensino público em situação de extrema pobreza. Também apoiou o debate sobre a retomada das atividades escolares.

Em 2021, Regina Esteves quer se dedicar a criar modelos de governança que diminuam as desigualdades educacionais. “A educação mexe muito com meu coração”, diz.​

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