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A moral da história

Em momentos de ameaça, a disposição para mudar sempre permeou a história humana e, apesar disso, não aprendemos muito

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Valdir Cimino

Fundador e conselheiro administrativo da associação Viva e Deixe Viver e professor de Comunicação e Audiovisual da Faap. Integra a Rede Folha de Empreendedores Socioambientais.

O ano de 2020 e seus desdobramentos em 2021 constituem um período cruel. Ficamos com mais medo? Muito. Mais alertas? Não necessariamente. A questão de se modificar por meio de ameaças e guerras sempre permeou a história humana e, apesar disso, parece que não aprendemos muita coisa.

Aprender com a vida é adaptação e aprender com a morte seria preservação. Entre um e outro —que nos pedem atenção mutuamente— o que geramos de reflexão? Qual é a moral da história e como evoluímos com ela?

A moral escancarada nesse momento é que somos frágeis, física e mentalmente. O invisível mata e o que deveria estar claro é justamente ao que se faz vista grossa: não somos e o dinheiro não nos torna invencíveis.

Outra moral? Talvez a moral oculta, instintiva, desejada: somos fortes. Fortes para viver no caos e apesar dele. O resultado dessa equação ética-estrutural é que vivemos tanto no caos que acabamos nos adaptando a ele. Moral invertida, perigosa e destruidora.

Afinal, temos medo do quê? Medo de sermos frágeis? Medo de não termos poder e controle sobre o outro, sobre si e sobre o meio? Medo das mudanças e do dever social de encará-las? Ora, se o que deveria nos elevar está nos tornando inertes, então, realmente, não aprendemos nada.

Estaremos acomodados ao perigo até que ele nos extingua. E dizem que é aí que a história de fato ganha moral: depois que acaba. Acaba com civilizações inteiras, com a cultura, com a vida. Então damos valor depois de perder.

Há nisso algum significado além do arrependimento? O arrependimento sem conversão é tão obtuso quanto a moral sem ensinamento. Afinal, evoluir —seja em comportamento, consciência e convivência— depois que tudo acaba, não é evoluir, é começar do zero.

Quantas vezes necessitamos passar por esse processo? Até sermos civilizados? Quantas vezes, do zero, precisaremos nos confrontar com a realidade de que a preservação e prevenção contra a morte é, inúmeras vezes, a melhor adaptação à vida?

Quantas vezes vamos perder tudo que foi construído para repensar a moral, considerando a vantagem coletiva e não somente a individual? Quantas vezes, do zero?

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