Aplicativo faz check-up de saúde mental e se torna alternativa de tratamento a baixo custo

Vitalk concorre na Escolha do Leitor em que público poderá, além de votar em suas preferidas, doar para ações de enfrentamento à Covid-19

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São Paulo

Na tela do aplicativo, os três pontinhos significam que alguém do outro lado está digitando. A ansiedade pela resposta é um dos sintomas que levam ao Vitalk, aplicativo que monitora saúde mental.

Depois de fazer triagem de casos de Covid-19 pelo celular, em parceria com o Ministério da Saúde e outros órgãos, a startup ajustou o foco de sua inteligência artificial para a saúde mental. “Percebemos que a triagem de doenças era muito pontual, as pessoas se recuperam da Covid e ficam com sequelas emocionais”, diz Michael Kapps, fundador da Vitalk.

A iniciativa, que em 2020 foi finalista do Empreendedor Social do Ano em Resposta à Covid-19, oferece atendimento híbrido: conversas com a Viki e sessões terapêuticas com profissionais a baixo custo.

A partir de perguntas sobre emoções e rotinas associadas a elas, a robô conduz uma jornada terapêutica de autoconhecimento e cuidado. “É essencial entender que a ansiedade tem muitas caras” ou “Preste atenção nas emoções que está sentindo e tente entender por que elas surgiram” são algumas das mensagens trocadas.

Na aba "humor" é possível relatar diariamente a disposição do dia e gerar relatórios. Em "sessões", é possível ter conversas específicas com a Viki sobre solidão, orientação sexual e aceitação, sentimento de culpa, violência doméstica, entre outros. Há ainda exercícios para conter crises de pânico e conteúdo especial para profissionais de saúde.

Kapps quer voltar esse atendimento ao SUS. “Como se fosse farmácia popular, sabe?”. O Brasil concentra, segundo a OMS, 19 milhões de brasileiros com ansiedade e estresse.

A Vitalk contabiliza 1,9 milhão de participantes em todas as suas soluções, e 200 mil downloads do app, com público 40% abaixo dos 30 anos e 70% mulheres. Mas ainda não chega à população mais vulnerável. “Tem psicólogos prescrevendo o aplicativo e nossas consultas são muito mais em conta, mas só com o setor público conseguimos chegar à base da pirâmide”, diz.

Para Anna de Souza Aranha, diretora da Quintessa, que acelera negócios de impacto, as ferramentas da Vitalk trazem equidade. “No Brasil, temos dificuldade de acesso à saúde de qualidade por barreiras financeiras e geográficas. A tecnologia é solução acessível.”

Uma das maneiras de ampliar o público foi oferecer o serviço a empresas. Tudo começa com a conscientização da liderança, que passa por formação para aprender a reconhecer sinais dos problemas de saúde. O check-up de saúde mental ajuda a mapear o estado psicológico da equipe.

“Mapeamos departamentos com maiores taxas de ansiedade e conseguimos saber se a causa está no trabalho ou na própria liderança”, afirma Kapps. Os dados são anonimizados e os colaboradores podem ser encaminhados para tratamento.

Segundo ele, o uso de recursos digitais para tratar distúrbios de vício e sono, por exemplo, são comuns nos Estados Unidos e na Europa, e contam com reembolso do governo. “Temos esperança de que, com o setor privado, nossa inovação seja mais aceita pela comunidade de saúde”.

Como finalista na categoria Mitigação da Covid-19, a Vitalk vai à votação popular, concorrendo com outras nove iniciativas na Escolha do Leitor.

O público poderá eleger seu finalista favorito em cada uma das categorias em formato inovador no qual a enquete, no site da Folha, torna-se também plataforma de doação.

COMO VOTAR NA ESCOLHA DO LEITOR

Passo 1 Acesse folha.com/escolhadoleitor2021 e escolha a iniciativa que mais fez seus olhos brilharem

Passo 2 Clique no botão "Quero votar" e aguarde a confirmação

Passo 3 Faça uma doação para uma delas clicando em "Doar agora"

Passo 4 Preencha seus dados, valor da doação e clique em "Enviar"

Os vencedores, tanto os recordistas de votos quanto os líderes na captação de doações, serão anunciados ao longo de 2021. As doações obtidas na Escolha do Leitor pela Vitalk serão repassadas para o projeto Arterapia, que oferece práticas artísticas e corporais.

"A psicoterapia falada, que conhecemos dos filmes e histórias, não é o único caminho para lidar com ansiedades, angústias e patologias, especialmente no Brasil, em que apenas 1% da população busca espontaneamente tratamento psicológico", diz Laís Melo, fundadora da Arterapia.

O projeto oferece oficinas, aulas teóricas e terapia de grupo para quem não tem condições de acessar o cuidado da saúde mental pelas vias convencionais. "Dessa forma conseguimos um estilo de vida mais saudável e com mais bem estar ao alcance do máximo de pessoas possível", completa.

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