Descrição de chapéu desmatamento

'Direitos indígenas estão ameaçados, mas lideranças femininas estão fortes', diz diretora de instituto ambiental

Aplicativo Alerta Indígena concorre na Escolha do Leitor em que público pode, além de votar em suas preferidas, doar para ações de enfrentamento à Covid-19

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São Paulo

“Os direitos dos indígenas estão ameaçados, mas o posicionamento deles está melhor do que sempre esteve.” A afirmação de Ane Alencar, uma das diretoras do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), refere-se ao surgimento de novas lideranças durante a crise sanitária no país.

A cientista coordena um grupo que gera dados sobre as “cicatrizes de incêndios” na floresta e no cerrado. Em 2020, ajudou a criar um aplicativo que mostrou a escalada do coronavírus entre povos da floresta.

O app Alerta Indígena, finalista no Prêmio Empreendedor Social do Ano, reduziu a subnotificação de infectados e mortos, com apoio de lideranças locais que inseriam dados no sistema."

As lideranças indígenas, de maneira emblemática, são principalmente mulheres”, diz Ane Alencar. Ela cita Sonia Guajajara, Nara Baré, Valéria Paye e a deputada federal Joenia Wapichana (Rede). O movimento evoluiu nos últimos anos, segundo ela, e é reflexo de mais indígenas que se colocam e recebem apoio da população.

“Em um momento de fragilidade das leis ambientais que podem afetar esses povos, elas estão mais fortes”, aponta, sem desconsiderar que, ainda assim, são um dos elos mais vulneráveis da sociedade.

Até o início de maio, a Coiab (Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira), parceira do Ipam no desenvolvimento do app, apontava 38 mil casos de Covid confirmados e quase 1.000 mortes. Em outubro de 2020, o número de mortes registrado pelo aplicativo chegou a ser o dobro do notificado pelo governo.

A iniciativa foi ampliada para uma plataforma, ainda em desenvolvimento, que dará visibilidade a dados e análises da Covid-19 entre povos da floresta desde o início da pandemia, além de números sobre a vacinação. “Recebemos relatos de missionários desaconselhando indígenas a tomarem vacina”, afirma Ane.

Em março, o Ipam lançou um artigo científico relacionando mortes na região com o garimpo ilegal e a invasão de terras. “Essas atividades são portas de entrada para a Covid nos territórios indígenas.”

A análise de informações sobre a situação dos povos na pandemia e o avanço das queimadas acumulam dias de altos e baixos para a cientista. “Leis ambientais e que protegem direitos de povos tradicionais estão ameaçadas, e isso dá uma angústia”, diz.

Ane Alencar monitora todos os dias o desmatamento na Amazônia e diz ter sensação de impotência. “A vocação do Brasil em ser produtor de serviços ecossistêmicos é desperdiçada”, diz, explicando que metade do desmate evidenciado nas imagens de satélite acontece em terras públicas. “Quem se beneficia desse desmatamento? Não são os brasileiros.”

O aplicativo Alerta Indígena vai à votação popular na categoria Legado Pós-Pandemia, concorrendo com outras nove iniciativas na Escolha do Leitor.

O público poderá eleger seu finalista favorito em cada uma das categorias em formato inovador no qual a enquete, no site da Folha, torna-se também plataforma de doação. “Direcionaremos as doações para a Coiab, que sabe as prioridades dos indígenas”, afirma Ane.

Os vencedores, tanto os recordistas de votos quanto os líderes na captação de doações, serão anunciados ao longo de 2021.​

COMO VOTAR NA ESCOLHA DO LEITOR

Passo 1 Acesse folha.com/escolhadoleitor2021 e escolha a iniciativa que mais fez seus olhos brilharem

Passo 2 Clique no botão "Quero votar" e aguarde a confirmação

Passo 3 Faça uma doação para uma delas clicando em "Doar agora"

Passo 4 Preencha seus dados, valor da doação e clique em "Enviar"

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