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'Fizemos o protótipo de um foguete', diz professor da rede pública

William Fagundes construiu com alunos robôs e até gerador de energia eólica no programa Robótica nas Escolas, finalista do Empreendedor Social 2021

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Brasília

O paulista William Fagundes, 39, é pedagogo e educador da rede pública na região metropolitana de Curitiba (PR), em Fazenda Rio Grande.

Ele foi professor do programa Robótica Espacial, iniciativa finalista no Prêmio Empreendedor Social do Ano em Resposta à Covid-19. O curso ensina crianças a prototiparem robôs por meio de celulares, tablets e até offline.

Em depoimento à Folha, ele conta a experiência de construir com os estudantes um gerador de energia eólica.

dois homens de pé
William Fagundes é professor e, com apoio de Alex Roger Wytt (à esquerda), da Bebyte, ensina seus alunos a criarem com a robótica espacial - Arquivo pessoal

Voltamos às atividades presenciais em agosto, mas desde o início do segundo semestre de 2021 trabalho com meus alunos o projeto Robótica Espacial.

Enquanto na pandemia estavam todos em casa, mexendo no celular só com jogo sem aprendizado, esse projeto levou para casa da galera a montagem de um rover lunar.

A molecada ficou louca. Fazendo atividades de noite, mandando fotos de madrugada com as realizações. Trabalho com crianças do 1º ao 5º ano e percebo a progressão do conhecimento, o envolvimento. Pega uma faixa etária muito legal e os resultados me impactaram em todos os sentidos.

Sou pedagogo, concursado na área de educação desde 2006, mas sempre tive ligado à área da tecnologia, que também estudo. Há mais de dez anos desenvolvo ações de robótica e já vi vários jogos, estudei projetos da área.

Mas essa plataforma tem um passo a passo da lógica de programação, com começo, meio e fim do desenvolvimento, que é muito diferente. É apropriação do conhecimento científico que, mesmo sem o aluno saber, ele está progredindo.

São crianças e adolescentes de escola pública que estão mexendo com modelagem e robótica, o que só se vê na escola particular ou cursos técnicos. Moro na periferia e tenho aqui impressora 3D com tecnologia embarcada que usam na Nasa. Quando a impressora chegou, meu aluno Rafael, de 12 anos, foi quem a montou praticamente sozinho. Porque todos os conceitos já estavam na plataforma.

A partir disso construímos, os alunos e eu, um gerador de energia eólica, com material reciclado e papelão. Projetos de engrenagem e polia, fizemos um protótipo experimental de um foguete.

Como professor, direciono os estudos a partir dos dados que se extrai da participação dos alunos na plataforma. Vem um gráfico individual para cada aluno, algo muito difícil no presencial.

Se aparece que o aluno alcançou 70% das ações de criativa, ou 20% na modelagem, ou 45% na parte elétrica, eu consigo saber o que ele aprendeu. E focar nas intervenções. É um feedback sensacional para os professores. Como um diagnóstico médico que mostra qual remédio tenho que administrar.

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